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sábado, 19 de setembro de 2026   Vale do Rio Pardo Indicadores atualizados Edição Digital
Vale Verde

Coordenador da 2ª Região Tradicionalista destaca força cultural do primeiro Acampamento Farroupilha de Vale Verde

Fábio Jiukoski da Silva avaliou positivamente a participação da comunidade e ressaltou a importância das entidades, das escolas e das famílias para a continuidade do tradicionalismo

O primeiro Acampamento Farroupilha de Vale Verde recebeu a visita do coordenador da 2ª Região Tradicionalista, Fábio Jiukoski da Silva. Durante sua passagem pelo município, ele acompanhou as atividades, conversou com tradicionalistas e destacou a presença da comunidade em um evento que reuniu entidades, famílias e representantes de diferentes gerações.

Jiukoski assumiu a coordenação da 2ª Região Tradicionalista após ser eleito no final de 2024. A estrutura regional integra o Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) e reúne oito municípios: Vale Verde, General Câmara, Arroio dos Ratos, Barão do Triunfo, Butiá, Charqueadas, Minas do Leão e São Jerônimo.

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Segundo o coordenador, a função da Coordenadoria Regional é aproximar as entidades tradicionalistas da estrutura administrativa do MTG, auxiliando na organização das atividades, na regularização documental e na circulação das informações.

“Nós somos uma extensão do MTG. Na região, acompanhamos as atividades promovidas pelas entidades, levamos informações e também representamos essas entidades quando elas precisam se aproximar da estrutura administrativa do Movimento”, explicou.

Além da programação cultural, artística e campeira, a Coordenadoria acompanha questões como a documentação e os alvarás necessários ao funcionamento das entidades. Jiukoski explicou que os CTGs precisam estar regulares tanto em âmbito municipal quanto perante o Movimento Tradicionalista Gaúcho.

Acampamentos ganham espaço na região

Durante os Festejos Farroupilhas, diferentes municípios da 2ª Região Tradicionalista realizam acampamentos, encontros e atividades culturais. Conforme Jiukoski, Minas do Leão, Butiá, Charqueadas e, agora, Vale Verde estão entre os municípios que desenvolvem programações com essas características.

Em Charqueadas, as atividades possuem uma organização própria, reunindo as entidades tradicionalistas em um mesmo espaço ligado ao campo de rodeios. Já em Vale Verde, o formato adotado no primeiro Acampamento Farroupilha chamou a atenção do coordenador.

“Estou admirado porque é um modelo diferente e muito interessante. Espero que o Acampamento Farroupilha se firme e permaneça no calendário de Vale Verde. É uma iniciativa que traz retorno cultural, social e também visibilidade para o município”, avaliou.

Para Jiukoski, investir em eventos tradicionalistas não deve ser entendido apenas como uma ação festiva. Segundo ele, essas atividades contribuem para fortalecer a identidade local, movimentar a comunidade e transmitir conhecimentos às novas gerações.

“O tradicionalismo é nosso alicerce cultural”

Ao analisar o momento vivido pelo movimento, o coordenador definiu o tradicionalismo como um dos principais pilares culturais do Rio Grande do Sul. Ele lembrou que costumes como o chimarrão, o churrasco, a indumentária gaúcha e as reuniões comunitárias fazem parte da vida de muitos moradores, inclusive daqueles que não estão formalmente ligados a um CTG.

“O tradicionalismo é o nosso alicerce cultural. Muitas pessoas não possuem compromisso direto com o Movimento Tradicionalista Gaúcho, mas gostam de tomar chimarrão, usar uma bombacha no fim de semana e participar das festas e dos rodeios. Essas pessoas também fazem parte dessa cultura”, afirmou.

Jiukoski ressaltou, entretanto, que o movimento precisa transmitir esses costumes de maneira correta, respeitando a história, os valores e os princípios que orientam o tradicionalismo organizado.

A presença de pessoas que não integram formalmente as entidades foi considerada positiva pelo coordenador. Para ele, essa participação demonstra que o tradicionalismo continua presente na sociedade, embora tenha passado por mudanças na forma de reunir e mobilizar as comunidades.

Mudanças na convivência desafiam os CTGs

Com aproximadamente 40 anos de atuação no meio tradicionalista, Jiukoski reconhece que as entidades enfrentam desafios para manter associados dentro dos galpões. Na sua avaliação, o problema não está exclusivamente no tradicionalismo, mas nas mudanças ocorridas na convivência social.

“As pessoas deixaram de frequentar os clubes como antigamente, já não jogam tanta bocha e diminuíram os encontros presenciais. Depois da pandemia, essa forma de viver e conviver mudou ainda mais”, observou.

De acordo com o coordenador, a tecnologia facilitou a comunicação, mas também reduziu momentos de convivência que historicamente eram importantes para as comunidades.

“Hoje carregamos a sociedade dentro do bolso. Podemos falar com qualquer pessoa, a qualquer hora, pelo celular. Ao mesmo tempo, perdemos um pouco o encontro frente a frente, o aperto de mão, a troca da cuia e a roda de chimarrão”, refletiu.

Apesar dessa mudança, Jiukoski destacou que os associados e simpatizantes continuam prestigiando festas, rodeios, apresentações e outras atividades. O desafio das entidades, segundo ele, é encontrar formas de trazer novamente esse público para a convivência cotidiana nos galpões.

CTGs como espaços de formação

O coordenador também defendeu uma maior aproximação entre o tradicionalismo, as famílias e as escolas. Para ele, os CTGs ainda são ambientes seguros para crianças e adolescentes, onde o respeito e a convivência comunitária permanecem como valores fundamentais.

“O pai pode deixar o filho na porta do CTG para ensaiar em uma invernada e buscá-lo uma ou duas horas depois sabendo que estará bem cuidado, amparado e convivendo com pessoas que preservam o respeito”, salientou.

Na avaliação de Jiukoski, muitas famílias chegam ao tradicionalismo por meio das crianças, principalmente quando as escolas desenvolvem atividades relacionadas à cultura gaúcha.

“A escola é uma porta aberta para o Movimento Tradicionalista Gaúcho. É muito importante que ela desenvolva esse trabalho e apresente às crianças os costumes e a história do nosso Estado”, acrescentou.

Vale Verde participa dos encontros regionais

Conforme o coordenador, Vale Verde possui duas entidades participativas dentro da estrutura da 2ª Região Tradicionalista. Entre elas está o CTG Rancho Velho, cujos representantes acompanham os encontros de patrões realizados periodicamente.

As reuniões ocorrem, em geral, a cada dois meses, em Arroio dos Ratos, onde está localizada a sede administrativa da 2ª Região Tradicionalista. Nos encontros, os patrões recebem informações sobre o calendário do MTG e discutem atividades culturais, artísticas, sociais e campeiras.

Jiukoski destacou a participação dos representantes de Vale Verde, especialmente de Luiz e Adriano, que acompanham as reuniões e levam ao município as orientações apresentadas pela Coordenadoria Regional.

“Eles são muito participativos, levam a bandeira de Vale Verde e trazem dos encontros os assuntos debatidos. Eu já conhecia essa atuação do município e não poderia perder a oportunidade de estar presente neste primeiro acampamento”, afirmou.

Rodízio para buscar a Chama Crioula

A entrevista também abordou a participação dos municípios na busca da Chama Crioula. Dentro da 2ª Região Tradicionalista existe um sistema de rodízio para definir qual cidade ficará responsável por buscar a centelha no local determinado pelo MTG.

Como a região reúne oito municípios, cada um assume essa missão novamente depois de concluído o ciclo regional. Vale Verde participou da busca da Chama Crioula em Alegrete, onde ocorreu a 75ª Geração e Distribuição, em 2024. Em 2026, a responsabilidade ficou com Barão do Triunfo, que buscou a centelha gerada em Rio Pardo.

A 77ª Geração e Distribuição da Chama Crioula reuniu representantes das 30 regiões tradicionalistas do Estado em Rio Pardo, nos dias 14 e 15 de agosto de 2026. Para 2027, o evento estadual está previsto para ocorrer em Passo Fundo, e General Câmara deverá representar a 2ª Região na missão de buscar a centelha.

Integração entre as culturas gaúcha e alemã

Ao deixar uma mensagem para a comunidade, Jiukoski lembrou que Vale Verde possui forte presença da colonização alemã. Na avaliação dele, essa herança não entra em conflito com o tradicionalismo gaúcho, mas ajuda a enriquecer a cultura do Rio Grande do Sul.

“O alemão possui suas características e seus costumes, mas a colonização alemã também contribuiu muito para a formação da cultura gaúcha. Temos ritmos, músicas, danças e práticas como a bocha que receberam essa influência”, explicou.

Para o coordenador, o primeiro Acampamento Farroupilha demonstrou que Vale Verde conseguiu aproximar sua origem cultural das manifestações tradicionalistas do Estado.

“Vale Verde está seguindo pelo caminho correto, mantendo a cultura de origem do seu povo e entrelaçando essa história com o Movimento Tradicionalista Gaúcho. Isso é muito interessante e fortalece a identidade da comunidade”, concluiu Fábio Jiukoski da Silva.

Transparência editorial

Informações sobre a produção, autoria e atualização desta publicação.

Tipo de conteúdo Notícia
Fonte/Origem Apuração/Redação
Autor Gazeta Popular
Atualização 18/09/2026 às 17:21
Categoria Vale Verde
Cidade Vale Verde
Leitura 7 min
Extensão 1.416 palavras
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O que aconteceu?Coordenador da 2ª Região Tradicionalista destaca força cultural do primeiro Acampamento Farroupilha de Vale Verde
Onde?Vale Verde
Fonte da informaçãoRedação Gazeta Popular

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Última atualização18/09/2026 às 17:21

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