A safra de tabaco 2024/2025 no Sul do Brasil encerrou com um resultado expressivo, 719.891 toneladas colhidas, um crescimento de 41,7% em relação ao ciclo anterior. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira, 22 de agosto, pela Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), que atribui o aumento ao clima favorável, à retomada da produtividade média e ao aumento da área plantada, impulsionados pelos bons preços praticados no ciclo anterior.
O volume produzido superou a estimativa inicial, que era de 696.435 toneladas, representando um acréscimo de 3,4%. Entre os tipos cultivados, o tabaco Virgínia liderou com 648.189 toneladas (+40,3%), seguido do Burley com 59.629 toneladas (+57,3%) e do Comum com 12.073 toneladas (+46,2%).
No Rio Grande do Sul, o município de Canguçu foi o maior produtor estadual e nacional, com 24.224,6 toneladas colhidas por 5.012 famílias. Em segundo lugar ficou São João do Triunfo (PR), com 23.041,9 toneladas, e em terceiro Venâncio Aires (RS), com 20.668,8 toneladas, este último teve crescimento em relação à safra anterior, quando produziu 15.197 toneladas. Também se destacaram municípios como Vale do Sol (12.975,2 t), Santa Cruz do Sul (12.608,3 t), Candelária (12.550,9 t), Arroio do Tigre, Vera Cruz, Barros Cassal e Boqueirão do Leão, este com 7.906,5 toneladas, ocupando a 12ª posição no ranking estadual. Progresso, mesmo com menor volume, também figurou entre os principais produtores, com 3.327,2 toneladas e 640 famílias envolvidas.
A análise por estado revela o protagonismo do Rio Grande do Sul, que produziu 303.393 toneladas (+37,9%), seguido por Santa Catarina com 226.233 toneladas (+50,5%) e Paraná com 190.264 toneladas (+38,1%). Juntos, os três estados responderam por 100% da produção da região Sul, com destaque para o aumento do número de famílias produtoras e da área cultivada em todos os estados.
A produtividade média também se recuperou em relação à safra anterior. No RS, foi de 2.313 kg/ha (+31,8%); em SC, 2.401 kg/ha (+34,6%); e no PR, 2.266 kg/ha (+21,6%). Apesar do crescimento na produção, o preço médio por quilo teve queda: R$ 20,45 no RS (-14,5%), R$ 20,32 em SC (-11,6%) e R$ 19,83 no PR (-10,8%).
Mesmo com a redução nos preços, a receita bruta total da safra foi positiva e alcançou R$ 14,57 bilhões, um aumento de 23,7% em relação ao ciclo 2023/2024. O Rio Grande do Sul gerou R$ 6,2 bilhões (+17,9%), Santa Catarina R$ 4,6 bilhões (+33%) e o Paraná R$ 3,77 bilhões (+23,2%).
“Aumento da produção mostra a força da cultura do tabaco”, Marcílio Drescher
Segundo o presidente da Afubra, Marcílio Drescher, os bons resultados se explicam pela combinação entre área plantada ampliada e produtividade dentro da normalidade. “Embora não tenha sido uma safra excepcional, o desempenho foi sólido e estável. O aumento da produção mostra a força da cultura do tabaco, especialmente em um momento em que outras culturas, como os grãos, enfrentaram queda nos preços e menor atratividade ao produtor”, destacou.
Drescher também alertou para o futuro do setor. A estimativa inicial da safra 2025/2026 será apresentada em novembro, e já há indícios de novo aumento na área plantada. “É fundamental buscar equilíbrio entre oferta e demanda para garantir uma rentabilidade justa ao produtor. Além disso, seguimos atentos ao impacto do ‘tarifaço’ imposto pelos Estados Unidos ao tabaco brasileiro”, enfatizou.
Com base em dados colhidos diretamente junto aos produtores e cruzados com o Sistema Mutualista, a Afubra reforça seu compromisso em acompanhar de perto a realidade do campo. A safra 2024/2025 reafirma o papel estratégico do tabaco para a economia rural do Sul do país, sustentando milhares de famílias e movimentando bilhões de reais, mesmo diante dos desafios do mercado.
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