Falando em causa própria
* Reclamação oportuna
Esta semana recebi a reclamação de um conhecido, nos seguintes termos: “pô, vocês vão correr nas estradas e ficam pondo em risco, além de suas próprias seguranças, a dos motoristas que por ali trafegam…”; e aumentou a demanda: “isso quando não correm à noite ou de madrugada, iguais uns fantasmas, ficando quase invisíveis…” (ahahhaah, essa foi boa).
É uma demanda interessante, pois que vindo do outro lado de uma relação que já está consolidada em muitos lugares: pessoas que praticam esportes em estradas e rodovias e pessoas que por elas trafegam.
De minha parte, e de muitos que me são próximos, sempre enxergamos essa relação pelo lado de quem pratica os esportes, mas é muito bom também quando podemos ver o ponto de vista da turma que trafega e transita e, a partir daí, estabelecer uma conversa clara e objetiva, até uma relação de conflito, no bom sentido, sobre o tema, para que as ideias, intensões e pontos de vistas sejam postos em consideração. Penso que isso só faz somar positivamente em prol de todos.
A propósito, já fica a ideia: poderíamos, nas atividades referentes à Semana Nacional do Trânsito, organizar um grande simpósio para discutir, estre outras, essa crucial questão, certo?
A Semana Nacional do Trânsito ocorre em setembro, de 18 a 25!
* Um esclarecimento
Como praticante de esportes que muitas vezes ocupam o acostamento (que não é acostamento) de rodovias, preciso esclarecer ao amigo leitor: não corremos ou pedalamos por ali simplesmente por que queremos. Pelo contrário, o fazemos por que não temos a opção de frequentar outros lugares. No caso de bicicletas, é caminho mais do que natural.
Nesse sentido, ao corrermos pelas rodovias, geralmente usamos o acostamento, estamos buscando também nosso espaço em tais vias, muito mais por necessidade do que por conveniência.
Além do mais, é bom destacar que não há nada que nos proíba de fazê-lo, certo?
Da mesma forma, entendemos que correr por uma rodovia ou estrada causa muito menos transtorno do que se corrêssemos pelas ruas de nossas cidades, onde o tráfego de veículos é muito mais intenso. Até termos melhores opções, essa é a opção melhor (ou menos ruim)…
* Elo frágil
Temos consciência de que na relação com o trânsito, os corredores e ciclistas representam o ele mais frágil; somos os que corremos mais riscos, os que encontramos mais dificuldades. Enfrentar essas questões deveras importantes já fazem parte de nosso esporte, quase que como um elemento intrínseco e ele.
Assim, se sabemos que os riscos existem, o jeito é tentar diminuí-los. Para tal, procuramos horários diferenciados, incluindo aí praticar nosso esporte à noite ou nas madrugadas; usamos também os finais de semana para corridas mais longas, correremos em “fila indiana” quando em grupo, usamos roupas de cores “chamativas”, ou iluminação e refletores, etc. Mas sabemos que só isso não resolve. É necessário que sejamos vistos como “parte natural” dessa relação de uso de rodovias e estradas, pois que, como eu disse acima, já é uma relação consolidada; daí que precisamos contar, e muito, com a boa vontade e solidariedade dos motoristas que por ela trafegam.
* Nossa demanda
De maneira nenhuma queremos parecer, quiçá ser, ou vilões dessa relação de trânsito; muito menos queremos ser inimigos de motoristas; pelo contrário, queremos estabelecer uma saudável relação de parceria.
Muitos motoristas nos respeitam, se afastando de nós o quando podem, para garantir a nossa segurança (e por que não e deles também). E sempre que vejo essa boa vontade, faço questão de externar meu agradecimento com um “schimidt” ou “joinha”. No entanto, em algumas situações chego a pensar que alguns motoristas nos veem assim, como inimigos mesmo, pois não só não se afastam de nós, como fazem questão de passar extrema e perigosamente perto, isso estando eles sozinhos na rodovia ou estrada. Sozinhos mesmo!
Com certeza há lugar com segurança e respeito para todos no trânsito, independentemente de estar-se dirigindo, caminhando, correndo ou pedalando. E é como eu li outro dia: “no trânsito, a estrada é o espelho da nossa humanidade”, pois que “devemos compreender que cada um que está ali é alguém que alguém ama muito e espera em casa.”
Nessa relação, o fundamental é respeito e segurança, não necessariamente nesta ordem.
Vamos pensar nisso?
Bom frio de semana e até à próxima, se Deus quiser.
PS: E o Colorado hein? E o Tricolor? Te escapa medinho, que o medão te pega, ahahahahah.
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