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sexta-feira, 02 de outubro de 2026   Vale do Rio Pardo Indicadores atualizados Edição Digital
Opinião

A quem confiarei meu voto no próximo domingo?

Dom Itacir

Não é de hoje que a relação entre religião e política vem ocupando a reflexão dos cientistas sociais. No passado, essa relação se expressava em termos institucionais, mediante a declaração de um estado confessional, assentada na constituição, ou através de relações oficiais entre as autoridades do Estado e os legítimos representantes de uma religião ou Igreja. Em geral, era uma relação tranquila, embora não respeitasse as minorias religiosas.

A novidade recente, particularmente no Brasil, é uma espécie de captura da religião pelos interesses políticos e mercadológicos, e a entrada interesseira de várias Igrejas nas disputas políticas e no campo das atividades comerciais e financeiras. A partir da década de 1980, a pastoral social ensinou que “tudo é político” sem esquecer que “a política não é tudo”. Hoje se diz ou se pressupõe que “tudo é negócio”, inclusive a política e a religião.

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Esta captura da religião e da política pelos interesses econômicos, no horizonte de uma ideologia liberal, conservadora e autoritária, acaba gerando desvios e confusões como os que estamos vivendo nas últimas semanas. Ao invés de discutir projetos de educação, de convivência e de desenvolvimento econômico e político, o povo brasileiro vê-se enredado em discussões de temas morais e religiosos de reduzida importância na vida da nação.

O que devemos escolher no próximo domingo não é a padroeira do Brasil, ou se é oportuno ou não consagrar o Brasil a Jesus Cristo. Escolheremos pessoas e partidos que ajudarão ou impedirão o desenvolvimento nacional, a autonomia das organizações civis e populares e a integração soberana do Brasil no concerto das nações. Sem menosprezar nenhum movimento político, nisso os dois agrupamentos majoritários seguem direções opostas.

Diversamente de algumas Igrejas, a Igreja católica não impõe nem indica aos seus fiéis partidos ou candidatos, nem pretende assegurar vantagens institucionais nos parlamentos e governos. Ela oferece critérios para que os fiéis decidam e votem: a busca do bem comum; a defesa dos direitos humanos, da democracia e da soberania nacional; o cuidado da casa comum; a primazia incondicional dos pobres e vulneráveis e a dignidade da vida de todos.

Há quem veja nestes critérios alinhamento com partidos, candidatos e movimentos de esquerda, e isso seria inaceitável para um cristão católico. Mas eu pergunto: é aceitável que um católico escolha, por amizade, conveniência ou descaso, candidatos e partidos que pleiteiam unicamente interesses privados, combatam os direitos humanos, relativizem a democracia e a soberania do país, promovam ou tolerem a destruição do meio ambiente, submetam tudo aos interesses dos ricos e relativizem a dignidade inviolável do ser humano?

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Tipo de conteúdo Opinião
Fonte/Origem Colunista/Opinião
Autor Dom Itacir Brassiani msf Bispo Diocesano de Santa Cruz do Sul
Atualização 02/10/2026 às 15:24
Categoria Opinião
Leitura 3 min
Extensão 483 palavras
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Entenda o caso

O que aconteceu?A quem confiarei meu voto no próximo domingo?
Onde?Local não informado
Fonte da informaçãoRedação Gazeta Popular

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Última atualização02/10/2026 às 15:24

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