“Eu estou aqui como mãe”: a força de um relato real
Logo no início de sua fala, Magali deixou claro o tom do discurso:
“Eu estou aqui como mãe. Mãe de uma criança autista.”
A declaração abriu caminho para um relato profundo sobre os desafios diários enfrentados pelas famílias atípicas — marcados por luta constante, sobrecarga emocional e a necessidade de adaptação permanente.
Segundo ela, ser mãe de uma criança com TEA é viver em estado contínuo de atenção, celebrando pequenas conquistas, mas também enfrentando um sistema público ainda despreparado.
Falta de estrutura expõe fragilidade do sistema
Durante o pronunciamento, Magali denunciou a realidade enfrentada por muitas famílias no município:
Falta de acesso a terapias essenciais
Longas filas de espera
Escassez de profissionais especializados
Ausência de estrutura adequada na rede pública
A crítica foi direta ao apontar que o tempo perdido no acesso ao atendimento compromete o desenvolvimento das crianças:
“Enquanto o sistema diz ‘espere’, o desenvolvimento dos nossos filhos não espera.”
Educação inclusiva ainda é desafio
Outro ponto central da fala foi a situação nas escolas. Magali destacou que a inclusão, na prática, ainda está distante do ideal:
Professores sem formação específica
Falta de suporte pedagógico
Ausência de acompanhamento individualizado
Para ela, incluir não é apenas colocar a criança na sala de aula:
“Inclusão é garantir aprendizagem, participação e desenvolvimento.”
Saúde pública: demora e insuficiência no atendimento
Na área da saúde, o cenário também foi descrito como crítico. Magali relatou dificuldades no acesso a atendimentos como:
Fonoaudiologia
Terapia ocupacional
Psicologia
Segundo ela, muitas vezes o atendimento chega tarde ou de forma insuficiente, agravando ainda mais os desafios enfrentados pelas famílias.
Cobrança por políticas públicas efetivas
O discurso ganhou tom de cobrança ao final, com um apelo direto aos vereadores e autoridades:
Magali reforçou que as famílias não estão pedindo favores, mas exigindo direitos já garantidos por lei, como:
Direito à saúde
Direito à educação de qualidade
Direito à inclusão real
Ela apresentou demandas claras:
Ampliação do acesso às terapias no município
Formação continuada para professores
Criação de equipes multidisciplinares
Agilidade no diagnóstico precoce
“Nossos filhos não podem esperar”
Encerrando sua fala, Magali deixou uma mensagem contundente que ecoou no plenário:
“Os nossos filhos não podem esperar. Eles merecem mais. Muito mais.”
O pronunciamento foi amplamente reconhecido como um marco na sessão, reforçando a urgência de transformar discursos em ações concretas no município.
Impacto e mobilização
A manifestação fortalece o debate sobre o autismo em Passo do Sobrado e amplia a pressão por políticas públicas estruturadas. A presença ativa de famílias, entidades e representantes da educação demonstra que a pauta do TEA ganha cada vez mais relevância no cenário local.
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