Na noite desta terça-feira (24), a comunidade de Passo da Mangueira participou de uma importante ação de conscientização promovida no galpão do CTG Gaudérios da Querência, em Passo do Sobrado. A palestra, realizada sob o lema “Violência não é tradição”, reuniu moradores da localidade para discutir um dos problemas sociais mais graves da atualidade: o feminicídio e a violência doméstica.
Conduzida por policiais militares, a atividade apresentou dados estatísticos atualizados e abordou, de forma técnica, o comportamento recorrente de agressores em relações abusivas — aspecto considerado fundamental para a prevenção de casos que podem evoluir para situações extremas.
Dados que preocupam também na realidade regional
Durante a exposição, foi destacado que o Brasil registrou, ao longo de 2025, 1.518 feminicídios, o equivalente a uma média de quatro mulheres mortas por dia. No Rio Grande do Sul, embora os índices gerais de homicídios tenham apresentado queda, os crimes de feminicídio seguiram trajetória inversa, com aumento aproximado de 10% no último ano.
A realidade local também acende um sinal de alerta. Conforme informado pelos policiais presentes, somente em um final de semana, cerca de 40 medidas protetivas foram emitidas na região, número que evidencia a crescente demanda por intervenções legais de urgência para garantir a integridade física e psicológica de vítimas.
Outro dado ressaltado durante a palestra indica que aproximadamente 75% das vítimas de feminicídio não possuíam registro policial prévio de violência, o que demonstra a dificuldade de identificação dos primeiros sinais do ciclo abusivo.
O padrão de comportamento do agressor
Com base em estudos da área de segurança pública e psicologia comportamental, os palestrantes explicaram que o agressor raramente inicia a violência de forma física. Em muitos casos, o processo ocorre de maneira progressiva, passando por etapas como:
- controle de rotinas e relações sociais;
- ciúmes excessivos e isolamento;
- ameaças veladas;
- humilhações e desqualificação emocional;
- intimidação psicológica.
Esse padrão evolutivo compõe o chamado ciclo da violência, que tende a se repetir com intensidade crescente ao longo do tempo. A identificação precoce desses sinais foi apontada como fator decisivo para evitar o agravamento da situação.
Orientações à comunidade feminina
Durante o encontro, também foram apresentadas orientações práticas sobre como proceder diante de situações de risco. Entre as recomendações destacadas estiveram:
- comunicar episódios de ameaça ou agressão às autoridades competentes;
- buscar apoio em redes familiares ou institucionais;
- registrar ocorrências mesmo em casos considerados “leves”;
- solicitar medidas protetivas sempre que houver risco à integridade.
A iniciativa reforçou que o enfrentamento à violência de gênero passa necessariamente pela informação e pelo fortalecimento da rede comunitária de apoio.
Promovido em um espaço tradicionalista, o evento teve como objetivo reafirmar que práticas culturais não podem ser associadas ou utilizadas como justificativa para comportamentos violentos, consolidando a mensagem de que respeito e proteção devem prevalecer em todos os ambientes da vida social.
A atividade foi aberta ao público e contou com a participação de moradores, fortalecendo o debate comunitário sobre prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher.
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