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quarta-feira, 03 de junho de 2026   Vale do Rio Pardo Indicadores atualizados Edição Digital
Caminhos da Paróquia

A Cruz de Jesus sustenta a esperança cristã

  No próximo domingo, a Igreja católica celebra a festa litúrgica da Exaltação da Santa Cruz. Nossa cidade tem a cruz no seu registro de nascimento, e a diocese celebra esse dia com uma romaria, para, a seu modo, exaltar o significado espiritual e libertador da cruz. Neste ano, deseja também receber a graça de […]

 

No próximo domingo, a Igreja católica celebra a festa litúrgica da Exaltação da Santa Cruz. Nossa cidade tem a cruz no seu registro de nascimento, e a diocese celebra esse dia com uma romaria, para, a seu modo, exaltar o significado espiritual e libertador da cruz. Neste ano, deseja também receber a graça de perseverar como peregrina de esperança.

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Não deixa de ser paradoxal exaltar a cruz, já que foi um instrumento de tortura e morte usado pelo império romano contra aqueles que taxava como inimigos. Seria como expor em nossos templos, carregar no peito ou estampar em nossas camisas, imagens do “pau de arara”, de um fuzil ou de um revólver. Quem ousaria fazer isso?

Para os cristãos, a cruz não é memória da violência, do sofrimento ou da derrota, mas expressão simbólica e contundente do amor sem limites de Deus pela humanidade. Pregado na cruz, Jesus é a imagem de um Deus apaixonado, o protótipo do ser humano maduro e livre, criado à imagem e semelhança de Deus e dinamizado pelo seu Sopro Vital.

Na cruz, Deus assinou sua aliança com a humanidade. Sua vontade é totalmente positiva (que todos tenham vida em abundância), universal (inclui todas as pessoas e todos os grupos humanos) e irreversível (não volta atrás em sua paixão pela humanidade). O nosso é um Deus crucificado, despojado de poder, exclui todo resquício, distância ou ameaça de indiferença ou de punição, mesmo contra os errantes e pecadores.

Mesmo tendo sido, do ponto de vista histórico e social, uma imposição dos poderes constituídos, em Jesus a cruz é a efusão da compaixão de Deus, e não um acontecimento inesperado ou passageiro. A cruz toma o lugar da lei, torna-se ponto de partida e de convergência da vida cristã, e expressa a presença permanente e libertadora de Deus no mundo. “Nossa glória é a cruz”, exclama São Paulo.

A propósito, Paulo insere a cruz na vida cristã e na mística da evangelização. Na aparente fraqueza e no provocativo escândalo da cruz, Paulo identifica a lógica de Deus: para libertar a humanidade de toda espécie de escravidão e opressão, Deus escolhe os meios mais frágeis e impotentes. Seus agentes e representantes são as pessoas mais simples e frágeis. A glória da cruz brilha quando os últimos e mais fracos se tornam os primeiros.

A cruz traz a assinatura de Deus: ele continua amando o mundo e o que nele existe, não tolera a indiferença, as punições e os castigos. Por isso, peregrinamos firmes na esperança, e não como desertores. Aderir a um Deus crucificado por amor significa afirmar o amor como princípio, como meta e como caminho. Sem isso, nossa fé seria vazia, e nossos símbolos seriam falsos. Ou, pior ainda, seriam como armas letais disfarçadas de piedade e de tábua de salvação.

O costume de iniciar ou terminar nossas atividades com o sinal da cruz traz à nossa memória esse evento da insuperável proximidade e infinita compaixão de Deus pela humanidade. E nos convoca a aderir à torrente de graças que brota da vida de Jesus e se avoluma na mesma medida em que deixamos de buscar unicamente o bem e a salvação individual para buscar o bem de todos, confiando na força da compaixão de Deus.

Dom Itacir Brassiani msf

Bispo Diocesano de Santa Cruz do Sul

Entenda o caso

O que aconteceu?A Cruz de Jesus sustenta a esperança cristã
Onde?Santa Cruz do Sul
Fonte da informaçãoRedação Gazeta Popular

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Tipo de conteúdoNotícia
Fonte/OrigemApuração/Redação
Última atualização12/09/2025 às 12:28

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