Estudo parcial aponta estiagens, enchentes e enxurradas como principais ameaças climáticas no Vale do Rio Pardo

Diagnósticos apresentados ao Cisvale identificam vulnerabilidades dos municípios e propõem medidas de prevenção, proteção ambiental e adaptação aos eventos extremos

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Estudo parcial aponta estiagens, enchentes e enxurradas como principais ameaças climáticas no Vale do Rio Pardo

Santa Cruz do Sul — Estiagens prolongadas, enchentes, enxurradas e alagamentos estão entre as principais ameaças climáticas identificadas nos diagnósticos municipais apresentados na quinta-feira, 22 de outubro, ao Comitê Pró-Clima do Consórcio Intermunicipal de Serviços do Vale do Rio Pardo (Cisvale). Os resultados parciais integram a quarta etapa de implementação do programa AdaptaCidades, iniciativa do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

Os estudos abrangem Vale do Sol, Vera Cruz, Sinimbu, Venâncio Aires, Gramado Xavier, Boqueirão do Leão, Rio Pardo, Candelária e Encruzilhada do Sul. O trabalho reúne diagnósticos territoriais, históricos de ocorrências, avaliações de vulnerabilidade e propostas para reduzir os impactos dos eventos extremos sobre a população, a infraestrutura e as atividades econômicas.

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Embora os municípios tenham características geográficas e socioeconômicas distintas, os levantamentos apontam problemas comuns. As chuvas intensas provocam danos em moradias, estradas, pontes, lavouras e serviços essenciais. As estiagens e a escassez de água também aparecem entre as ameaças mais relevantes, assim como deslizamentos e outros movimentos de massa.

Histórico revela dimensão dos prejuízos

Em Candelária, foram identificadas 53 ocorrências de alagamentos, inundações e enxurradas entre 2000 e 2024. A enchente de maio de 2024 deixou aproximadamente 4 mil pessoas desalojadas e provocou prejuízos agrícolas estimados em R$ 114 milhões.

Em Rio Pardo, o mesmo desastre atingiu 14.564 moradores e 3.641 edificações, com impactos em dez bairros. Já Boqueirão do Leão reúne um histórico de 28 ocorrências desde 2013, incluindo oito enxurradas e cinco estiagens. Gramado Xavier contabiliza oito eventos extremos desde 2022, entre estiagens, enxurradas, granizo e chuvas intensas.

Os registros correspondem a diferentes períodos de levantamento e não permitem uma comparação direta entre os municípios, mas evidenciam a recorrência dos fenômenos e suas consequências, especialmente nas comunidades rurais e nas áreas próximas aos cursos d’água.

Estudo parcial aponta estiagens, enchentes e enxurradas como principais ameaças climáticas no Vale do Rio Pardo
Estudo parcial aponta estiagens, enchentes e enxurradas como principais ameaças climáticas no Vale do Rio Pardo — Divulgação

 

 

Vulnerabilidades variam entre os municípios

Os diagnósticos também mostram a necessidade de respostas adaptadas à realidade de cada território. Gramado Xavier e Encruzilhada do Sul classificaram seu risco climático como alto. Vera Cruz e Rio Pardo apresentaram risco geral médio, embora mantenham áreas e atividades com elevada exposição.

Em Candelária, o mapeamento identificou 34 setores de risco geológico, dos quais 33 foram classificados como de risco muito alto. Em Gramado Xavier, uma das dificuldades apontadas foi o abastecimento de água, cuja cobertura alcança apenas 32,92% da população rural, conforme os dados utilizados no estudo.

Em Vale do Sol, a dependência da agropecuária, a dispersão das comunidades e as limitações de infraestrutura ampliam a vulnerabilidade diante de estiagens e chuvas intensas.

Para o presidente do Cisvale, prefeito Gilson Becker, o trabalho reforça a importância do envolvimento das administrações municipais em uma agenda regional.

“Precisamos reconhecer e parabenizar as equipes e os técnicos dos municípios envolvidos neste trabalho. É a dedicação desses profissionais que nos permite avançar na construção do Plano Regional de Adaptação às Mudanças Climáticas e, ao mesmo tempo, no processo de adequação ao AdaptaCidades”, afirmou.

Becker destacou que o planejamento parte da realidade de cada município para desenvolver respostas conjuntas aos desafios climáticos da região.

Medidas buscam antecipar respostas aos desastres

A quarta etapa do programa concentra-se na identificação de medidas de adaptação. Essa fase sucede a estruturação da governança, a aplicação da lente climática e a análise dos riscos.

Entre as propostas apresentadas estão a modernização dos sistemas de drenagem, a recuperação de nascentes e matas ciliares, a qualificação de pontes e estradas, a ampliação da segurança hídrica e a implantação de sistemas de monitoramento e alerta.

Segundo a diretora executiva do Cisvale, Léa Vargas, a sistematização dos dados deverá contribuir para decisões preventivas e para a elaboração de projetos.

“Estamos reunindo conhecimento técnico para que as decisões não sejam tomadas apenas depois que os desastres acontecem. Cada município apresenta suas particularidades, mas os diagnósticos também revelam problemas comuns, que podem ser enfrentados com planejamento integrado, cooperação e busca conjunta de recursos”, ressaltou.

Conforme Léa, o objetivo é transformar os estudos em projetos viáveis, com prioridades definidas e resultados concretos para a população.

Pantano Grande e Herveiras também concluíram seus trabalhos e, conforme o cronograma informado pelo Cisvale, deverão apresentar os resultados na próxima rodada.

Principais problemas identificados

  • Enchentes e enxurradas: famílias fora de casa, alagamentos e danos à infraestrutura.

  • Estiagens: escassez de água e perdas na produção agrícola.

  • Deslizamentos e erosão: comprometimento de estradas, pontes e áreas produtivas.

  • Vulnerabilidade social: famílias em áreas de risco e dificuldades de acesso a serviços essenciais.

Medidas de adaptação propostas

  • Infraestrutura: melhorias na drenagem, nas estradas, nas pontes e na contenção de encostas.

  • Segurança hídrica: implantação de cisternas e reservatórios, além da proteção de nascentes.

  • Recuperação ambiental: recomposição de matas ciliares e recuperação de áreas degradadas.

  • Prevenção: monitoramento, sistemas de alerta e fortalecimento das Defesas Civis.

  • Agricultura: conservação do solo e adoção de práticas produtivas mais resistentes aos eventos extremos.

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