A produção de trigo no Rio Grande do Sul deve alcançar 2,16 milhões de toneladas em 2026, uma queda de 37,48% em relação às 3,46 milhões de toneladas colhidas no ano passado. A projeção consta na atualização da estimativa da safra de inverno da Emater/RS-Ascar, apresentada no Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira, 22 de outubro.
O recuo acompanha a diminuição da área destinada ao cereal. Neste ano, foram cultivados 763,1 mil hectares, redução de 34,56% em comparação com 2025. A produtividade está estimada em 2.833 quilos por hectare, acima da previsão feita no início do plantio, mas 5,55% abaixo do resultado da safra anterior.
Até o levantamento, a colheita havia atingido 19% das lavouras gaúchas. Outros 45% estavam em maturação e 35% em enchimento de grãos. Conforme a Emater, as áreas já colhidas apresentam produtividade satisfatória, porém a qualidade dos grãos ficou abaixo das expectativas iniciais em parte das regiões.
Entre os problemas observados estão a redução do peso hectolitro, conhecido como PH, e a presença de grãos avariados e chochos. Em algumas lavouras, os produtores realizaram a dessecação para uniformizar a maturação e preservar a qualidade até a colheita.
Canola amplia área e deve aumentar produção
Apesar das perdas provocadas pelo excesso de chuva, granizo e ventos fortes, a canola se destaca pela expansão no Estado. A área cultivada chegou a 379,9 mil hectares, crescimento de 117,83% em relação ao ano passado.
A produção está estimada em 508,9 mil toneladas, aumento de 78,25% sobre 2025. A expansão da área sustenta esse resultado, mesmo com a produtividade projetada em 1.340 quilos por hectare, 17,23% abaixo da estimativa inicial.
Nas lavouras mais atingidas pelos temporais, a abertura das síliquas, estruturas que abrigam os grãos, e a debulha natural ampliaram as perdas. Também há registros de grãos mofados nas áreas que permanecem no campo.
Para a aveia-branca, a previsão é de 832,8 mil toneladas, queda de 10,99% na comparação anual. A cevada deve alcançar 67,2 mil toneladas, retração de 42%. Além da redução de área, a cultura enfrenta problemas de qualidade que têm levado à desclassificação de parte dos lotes destinados à indústria cervejeira.
Plantio de verão avança em ritmo desigual
Enquanto os produtores encaminham a colheita de inverno, a implantação da safra de verão segue condicionada à umidade do solo e às oportunidades de entrada das máquinas.
O milho atingiu 78% dos 896,4 mil hectares previstos para a safra 2026/2027. Nas lavouras estabelecidas, predomina o desenvolvimento vegetativo, com melhora no crescimento das plantas após períodos de maior disponibilidade de sol.
A soja, por sua vez, foi semeada em apenas 3% da área projetada de 6,65 milhões de hectares. Chuvas frequentes, temperaturas baixas e pouca radiação solar limitaram o avanço dos trabalhos e retardaram o desenvolvimento das primeiras lavouras.
No arroz, o excesso de umidade também dificulta a semeadura. Segundo o levantamento, produtores intensificaram a manutenção dos sistemas de drenagem, enquanto as baixas temperaturas atrasaram a germinação e a emergência das plantas em algumas áreas.
Fonte: Emater/RS-Ascar — Informativo Conjuntural de 22 de outubro.

