Em reunião realizada na 3ª Superintendência Regional do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (DAER), em Santa Cruz do Sul, os vereadores Dion Souza, Jorge Ribeiro e Roger Toiller apresentaram formalmente a demanda e cobraram providências estruturais urgentes.
Estrutura defasada e risco permanente
Com aproximadamente seis décadas de existência, a ponte foi projetada em um contexto econômico e viário completamente distinto do atual. O estreitamento da pista, aliado à ausência de acostamento e às limitações de visibilidade nas cabeceiras, tem sido apontado como fator de risco recorrente.
Segundo o coordenador regional do DAER, João Batista Rosa de Almeida, o traçado original da rodovia não acompanha mais o volume e o perfil do tráfego que hoje circula pelo trecho.
“Hoje a ponte não comporta mais o fluxo existente. Trata-se de uma estrutura estreita, que não atende às necessidades atuais, especialmente do tráfego de veículos pesados. É necessário avaliar tecnicamente o alargamento ou a construção de uma nova estrutura”, afirmou.
O aumento no fluxo de caminhões, máquinas agrícolas e ônibus escolares — especialmente no período letivo — transformou a ponte em um gargalo logístico e em ponto sensível para a segurança viária regional.
Medidas emergenciais e força-tarefa no local
Enquanto a solução definitiva depende de tramitação administrativa junto à sede central do DAER, em Porto Alegre, o órgão iniciou nesta semana uma força-tarefa de manutenção e reforço da sinalização no trecho da ERS-244.
Entre as ações já executadas ou previstas estão:
Instalação de placas de limite de velocidade (40 km/h), com reforço de sinalização vertical;
Roçada e desgalhamento das margens, ampliando o campo de visão dos condutores;
Recomposição de guarda-corpos e reforço estrutural nas cabeceiras;
Instalação de delineadores e defensas metálicas, visando reduzir o impacto em caso de colisão.
As intervenções, segundo o próprio DAER, são consideradas paliativas e buscam reduzir o risco imediato até que haja definição técnica e orçamentária para uma obra de maior porte.
Vandalismo agrava cenário
Um ponto de alerta levantado durante a reunião foi o registro frequente de vandalismo. Placas recém-instaladas são furtadas ou danificadas poucos dias após a colocação, comprometendo a eficácia das medidas de segurança.
De acordo com o coordenador regional, essa prática anula parte do investimento público e amplia o risco de novos acidentes. A situação deverá ser comunicada às autoridades de segurança para intensificação da fiscalização.
Mobilização política e pressão comunitária
A demanda pela modernização da ponte se arrasta há mais de 11 anos, sem que uma solução estrutural tenha sido efetivamente implementada. O tema voltou a ganhar força após acidentes recentes e relatos de quase colisões envolvendo veículos de grande porte.
O vereador Jorge Ribeiro destacou que o crescimento da atividade agropecuária e o aumento da circulação intermunicipal tornaram a ponte um entrave à dinâmica econômica local.
“Não queremos mais perder vidas. A realidade daquela ponte é de risco constante para motoristas, estudantes e trabalhadores que dependem diariamente desse trajeto”, enfatizou durante manifestação.
Nos bastidores, lideranças comunitárias discutem a possibilidade de mobilizações no próprio trecho como forma de pressionar o Governo do Estado por inclusão da obra no orçamento.
Próximos passos: vistoria técnica e processo em Porto Alegre
Nos próximos dias, uma equipe técnica da 3ª Superintendência Regional realizará vistoria in loco para avaliação detalhada da estrutura. O laudo técnico será peça fundamental para instruir o processo administrativo que tramitará na sede central do DAER.
Somente após essa etapa será possível avaliar a viabilidade de:
Alargamento da estrutura existente, ou
Construção de uma nova ponte, com adequação ao padrão atual de tráfego.
Os vereadores confirmaram que também buscarão agenda em Porto Alegre para acompanhar pessoalmente o andamento do processo e reforçar a urgência da demanda.
Impacto regional
A ERS-244 é rota estratégica para o escoamento da produção agrícola e para a ligação entre municípios da região. A precariedade da ponte impacta diretamente:
O transporte escolar;
O deslocamento de trabalhadores;
O fluxo de insumos e cargas agrícolas;
A integração econômica regional.
Enquanto a solução definitiva não sai do papel, a comunidade segue convivendo com um ponto crítico na malha rodoviária estadual.
A expectativa agora recai sobre o resultado da vistoria técnica e sobre a capacidade do Estado em incluir a obra nas prioridades de investimento em infraestrutura rodoviária.
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