O programa Pró-Clima recebeu R$ 2,52 milhões em doações destinadas ao auxílio de municípios atingidos por eventos climáticos. O resultado foi apresentado pelo Consórcio Intermunicipal de Serviços do Vale do Rio Pardo (Cisvale) nesta quinta-feira, 29 de outubro, durante um café da manhã com a imprensa regional, em Santa Cruz do Sul, alusivo aos 21 anos da instituição.
Do total arrecadado ao longo da mobilização, R$ 1,35 milhão veio do Pix Solidário. O restante reúne contribuições de instituições parceiras, entre elas Instituto BAT, JTI e Sicredi. O balanço também apresentou ações de saneamento básico, gestão de resíduos sólidos, proteção dos recursos hídricos e preparação para desastres.
O consórcio reúne 25 municípios e atua na organização de soluções compartilhadas para demandas regionais. Na área climática, os dados apresentados mostram a necessidade de ampliar o planejamento: 52% dos municípios analisados no diagnóstico regional da Defesa Civil não tinham mapeamento de risco atualizado.
O levantamento sobre os eventos extremos de 2024 contabilizou 31.829 pessoas afetadas, 2.411 quilômetros quadrados de área inundada e 2.065 negócios atingidos. Os números reforçam a importância da atualização das áreas de risco, do planejamento territorial e da integração das informações entre os municípios.
Defesa Civil recebe embarcações e amplia estrutura
Entre as entregas efetivadas estão sete embarcações para sete municípios, realizadas em agosto e outubro de 2025. As equipes também receberam capacitação da Marinha, por meio do curso Especial para Tripulação de Embarcações de Estado no Serviço Público (ETSP).
O Cisvale apresentou ainda a homologação de R$ 13,1 milhões em registros de preços para equipamentos e materiais destinados à Defesa Civil, por meio dos pregões 006/2026 e 007/2026.
Os valores estimados abrangem R$ 2,88 milhões para resposta imediata, R$ 4,67 milhões para gestão hídrica, R$ 4,26 milhões para ajuda humanitária e R$ 1,30 milhão para equipamentos de proteção individual e materiais.
A homologação permite futuras contratações conforme as necessidades municipais. Portanto, o montante não corresponde a despesas já realizadas nem se soma às doações como dinheiro disponível em caixa.
Para o presidente do Cisvale, Gilson Becker, a cooperação intermunicipal e a articulação com a iniciativa privada contribuem para enfrentar desafios que ultrapassam os limites territoriais.
“Nossa responsabilidade é transformar essa capacidade de articulação em benefícios concretos, oferecendo aos municípios melhores condições para proteger suas comunidades e enfrentar os desafios climáticos”, destacou.
Novas estações estão em tramitação
A estrutura de monitoramento conta com seis estações meteorológicas doadas pelo Sicredi e instaladas entre outubro e novembro de 2025. Esses equipamentos medem variáveis como chuva, vento e temperatura. O balanço também relaciona nove estações hidrológicas estaduais na região, destinadas ao acompanhamento dos níveis dos rios.
Outra iniciativa, em tramitação pela Consulta Popular, prevê cinco estações meteorológicas, duas fluviométricas e uma plataforma na internet. A proposta busca ampliar a disponibilidade de informações técnicas para orientar o planejamento e a resposta a emergências.
Na adaptação às mudanças climáticas, o AdaptaCidades abrange 15 municípios: Boqueirão do Leão, Candelária, Encruzilhada do Sul, Gramado Xavier, Herveiras, Mato Leitão, Pantano Grande, Passo do Sobrado, Rio Pardo, Santa Cruz do Sul, Sinimbu, Vale do Sol, Vale Verde, Venâncio Aires e Vera Cruz.
Segundo o material apresentado, grande parte dos municípios já avançou para a identificação de medidas de adaptação e resiliência. A próxima etapa envolve a compilação dos diagnósticos climáticos para subsidiar o plano regional.
Planos de saneamento avançam
Na área de planejamento ambiental, foram aprovadas 14 das 16 revisões dos Planos Municipais de Saneamento Básico e 14 das 16 revisões dos Planos Municipais de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos. Também receberam aprovação 15 dos 17 Diagnósticos Socioambientais. Alguns municípios ainda aguardam a entrega final dos documentos.
Em Rio Pardo, a audiência pública relacionada aos instrumentos de planejamento está prevista para 10 de novembro, a partir das 8h30. Em Santa Cruz do Sul, a audiência do Plano Municipal de Saneamento Básico está agendada para 16 de dezembro, também às 8h30. No município, o Diagnóstico Socioambiental permanece em ajustes, com trabalho de campo em andamento. Encruzilhada do Sul contratou somente o diagnóstico.
A diretora executiva do Cisvale, Léa Vargas, ressaltou que o trabalho técnico permite transformar demandas comuns em projetos estruturados e ampliar as possibilidades de captação de recursos.
“O planejamento é fundamental para que os municípios possam tomar decisões com segurança e responsabilidade”, afirmou.

Resíduos sólidos: PPP e compostagem
Na gestão de resíduos sólidos, 20 municípios estão cadastrados e encaminham documentos para a estruturação de uma Parceria Público-Privada (PPP) regional. A proposta foi formalizada em assembleia do consórcio em 17 de julho de 2026 e passa pela organização de dados e avaliação de viabilidade.
O levantamento apresentado, com base em 16 municípios e população de 381.079 habitantes, aponta potencial para ampliar a recuperação de materiais. Na composição informada, os rejeitos representam 28%; o plástico rígido, 12,8%; o plástico filme, 10,5%; o papel e papelão, 9,3%; e o material orgânico, 8,9%.
A base de referência de 2025/2026 reúne 78.044,47 toneladas de resíduos. Desse volume, 21.870,63 toneladas são classificadas como rejeitos e 6.958,20 toneladas como material orgânico, com possibilidade de aproveitamento por compostagem.
Nesse eixo, a Agenda Ambiental 2030 contempla um projeto-piloto de compostagem, educação ambiental e participação comunitária. A proposta está cadastrada no Transferegov, vinculada à Lei de Incentivo à Reciclagem, e aguarda análise.
Proteção das águas envolve 160 agricultores
Em Vera Cruz, o programa Protetor das Águas envolve aproximadamente 160 agricultores na Bacia do Rio Pardinho, na sub-bacia do Arroio Andreas. O investimento previsto para 2026 é de R$ 476.241,98.
A iniciativa busca proteger nascentes e áreas de interesse hídrico, incentivar práticas de conservação e valorizar a participação dos produtores rurais na preservação ambiental.
Entre as prioridades de continuidade apresentadas pelo Cisvale estão a conclusão dos instrumentos de planejamento municipal, o avanço das estratégias de adaptação climática, a ampliação do monitoramento e o desenvolvimento de projetos de compostagem e conservação dos recursos hídricos.

