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sexta-feira, 14 de agosto de 2026   Vale do Rio Pardo Indicadores atualizados Edição Digital
Cultura

Cavalgadas mantêm tradição em movimento no Vale do Rio Pardo

Levantamento identifica grupos históricos, femininos, solidários e religiosos, além das comitivas responsáveis por buscar e distribuir a Chama Crioula pela região

O som dos cascos nas estradas de chão, as bandeiras conduzidas pelos cavaleiros e a convivência durante os dias de viagem fazem parte de uma manifestação cultural presente em diferentes municípios do Vale do Rio Pardo. Realizadas ao longo do ano, mas com maior intensidade no período que antecede a Semana Farroupilha, as cavalgadas ajudam a preservar a história, fortalecer os vínculos comunitários e transmitir os costumes gaúchos às novas gerações.

Levantamento realizado em registros do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), prefeituras, entidades tradicionalistas e publicações regionais mostra a existência de cavalgadas com diferentes finalidades. Algumas são dedicadas à busca e à condução da Chama Crioula. Outras valorizam a participação feminina, a integração entre municípios, a solidariedade, a religiosidade e a cultura campeira.

Como não existe um calendário único reunindo as iniciativas promovidas por CTGs, piquetes e grupos independentes, o número de cavalgadas realizadas no Vale do Rio Pardo pode ser ainda maior.

Rio Pardo torna-se o centro das cavalgadas em 2026

O calendário ganhou importância especial em 2026 porque Rio Pardo foi escolhido para sediar a 77ª Geração e Distribuição da Chama Crioula do Rio Grande do Sul. A programação ocorre nos dias 14 e 15 de agosto e reúne delegações das 30 Regiões Tradicionalistas.

O acendimento será realizado na noite desta sexta-feira, 14, no Parque de Exposições do Sindicato Rural. Na manhã de sábado, 15, as centelhas serão distribuídas diante da Igreja Matriz Nossa Senhora do Rosário.

Depois da cerimônia, as comitivas partem a cavalo para conduzir o fogo simbólico aos municípios, CTGs, piquetes e acampamentos farroupilhas. Rio Pardo transforma-se, assim, no ponto inicial de dezenas de cavalgadas que percorrerão diferentes regiões do Estado.

A escolha reforça a importância histórica do município, conhecido como Tranqueira Invicta e relacionado a acontecimentos fundamentais da formação territorial rio-grandense. É a primeira vez que a 5ª Região Tradicionalista recebe a geração estadual da Chama Crioula.

Cavalgada da Integração de Passo do Sobrado

Entre as iniciativas tradicionais do Vale está o Grupo de Cavalgada da Integração de Passo do Sobrado. A organização possui história própria e não deve ser confundida com a cavalgada conjunta realizada por entidades de Mato Leitão e Venâncio Aires, que também utiliza o nome Integração e passa pelo território passo-sobradense.

Registros mostram que o grupo local participa há vários anos da busca e da condução da Chama Crioula. Em setembro de 2012, a oitava edição reuniu 37 cavalarianos. A comitiva partiu da Praça da Emancipação para buscar a centelha em Venâncio Aires e permaneceu sete dias na estrada.

Cavalgada Farroupilha e outras comitivas de Passo do Sobrado

A Cavalgada Farroupilha também participa regularmente dos festejos de Passo do Sobrado. O grupo busca a centelha da Chama Crioula, recebe outras comitivas durante os percursos regionais e participa das cerimônias de fusão do fogo simbólico.

O CTG Gaudérios da Querência mantém outra comitiva ligada à condução da chama. Em diferentes edições, cavalarianos da entidade partiram de Passo da Mangueira para buscar a centelha e levá-la até a sede do CTG.

Também existem registros de cavalgadas do PTG Freio de Ouro e de outros grupos independentes. A presença de várias organizações permite que diferentes localidades sejam visitadas antes da chegada das centelhas à área central.

Cavalgada Flor Gaúcha

Passo do Sobrado também sedia uma das principais cavalgadas exclusivamente femininas da região. A Cavalgada Flor Gaúcha é promovida pelo Departamento de Cavalgadas Femininas do CTG Gaudérios da Querência.

A quarta edição, realizada em março de 2026, reuniu 72 cavalarianas. O evento fortalece o protagonismo feminino nas atividades campeiras e valoriza as mulheres envolvidas com CTGs, invernadas, piquetes, rodeios e demais manifestações tradicionalistas.

Além do percurso a cavalo, a programação proporciona momentos de confraternização e troca de experiências entre participantes de diferentes localidades.

Cavalgada do Bem

A solidariedade também está presente no calendário tradicionalista de Passo do Sobrado. Em uma das edições da Cavalgada do Bem, promovida pelo CTG Gaudérios da Querência, foram arrecadados 608 quilos de alimentos.

A mobilização percorreu ruas e comunidades para receber doações, aproximando os cavalarianos da população. A iniciativa demonstra que as cavalgadas podem preservar a cultura e, simultaneamente, contribuir com famílias e instituições que necessitam de auxílio.

Vale Verde mantém cavalgadas ligadas à Chama Crioula

Em Vale Verde, as principais cavalgadas documentadas estão relacionadas à busca, à condução e à guarda da Chama Crioula. Entre as entidades com participação registrada estão o Piquete Mateadores do Vale e o CTG Rancho Velho.

O município pertence à 2ª Região Tradicionalista, e não à 15ª RT. A 2ª RT é formada por Vale Verde, Arroio dos Ratos, Barão do Triunfo, Butiá, Charqueadas, General Câmara, Minas do Leão e São Jerônimo.

Essa divisão tradicionalista é diferente da organização geográfica e administrativa, pela qual Vale Verde faz parte do Vale do Rio Pardo.

Mateadores do Vale

O Piquete Mateadores do Vale aparece como uma das principais organizações envolvidas nas cavalgadas do município. Em 2025, o grupo ficou responsável por buscar a Chama Crioula em São Jerônimo, sede da distribuição da 2ª RT naquele ano.

A cavalgada começou no dia 11 de setembro e passou por Santo Amaro e Monte Alegre, onde foram realizados os pernoites. O retorno ocorreu na manhã do dia 14, depois de quatro dias de percurso.

A mobilização envolveu aproximadamente 60 pessoas, entre cavaleiros e integrantes da equipe de apoio. Na ocasião, o piquete tinha como patrão Carlos Holzschuh e como vice José Adriano Kroth.

Depois da chegada, a centelha foi recepcionada diante da Prefeitura e levada até o Galpão Pedro Dettenborn. Durante a Semana Farroupilha, o fogo simbólico permaneceu sob a responsabilidade das entidades locais. No dia 20 de setembro, os Mateadores do Vale participaram do desfile até o Ginásio Municipal Olívia Kappel.

CTG Rancho Velho

O CTG Rancho Velho também possui participação importante nas cavalgadas e na guarda da Chama Crioula em Vale Verde.

Em 2024, quando o município foi escolhido como sede da distribuição da centelha para a 2ª Região Tradicionalista, o fogo simbólico foi buscado em Alegrete pelo CTG Rancho Velho. A viagem foi coordenada por Luis Carlos Toillier, então patrão da entidade e responsável pela cavalgada.

A recepção ocorreu no dia 30 de agosto, no Ginásio Olívia Kappel. Depois da solenidade, a Chama Crioula foi conduzida até o Galpão Pedro Dettenborn, onde permaneceu sob ronda.

A partir de Vale Verde, representantes dos demais municípios da 2ª RT retiraram suas centelhas para os respectivos festejos. Durante aquele período, o município tornou-se o ponto de referência das cavalgadas da Chama Crioula em toda a região tradicionalista.

Vale Verde integra rotas de outras comitivas

A localização do município também faz com que localidades como Monte Alegre sejam utilizadas como pontos de passagem, descanso e pouso de cavalgadas organizadas em outras cidades.

Em 2016, os Cavaleiros da Integração, de Santa Cruz do Sul, passaram por Monte Alegre durante a viagem até Triunfo para buscar a Chama Crioula. O grupo saiu do Parque de Eventos de Santa Cruz do Sul, passou por Marques Brum, em Rio Pardo, e realizou uma parada em Vale Verde antes de continuar o percurso.

Também existem registros de comitivas de Mato Leitão que percorreram Estância São José, General Câmara, Vale Verde, Passo do Sobrado e Venâncio Aires.

Esses trajetos demonstram que Vale Verde funciona como ligação entre o Vale do Rio Pardo, a Região Carbonífera e os municípios próximos ao Vale do Taquari.

Cavalgadas religiosas no Cerro Chileno

Além dos percursos farroupilhas, Vale Verde possui registros de cavalgadas em procissão até a Gruta de Nossa Senhora, no Cerro Chileno.

A manifestação reúne tradição campeira, religiosidade e convivência comunitária. Os participantes percorrem o caminho até a gruta a cavalo para acompanhar momentos de oração e homenagens à padroeira.

As fontes públicas localizadas não apresentam uma denominação oficial, o número de edições ou uma data fixa para essa cavalgada. Mesmo assim, os registros confirmam a participação de grupos de cavaleiros nas celebrações religiosas realizadas no Cerro Chileno.

Cavalgada da Chama Crioula do CTG Erva Mate

Uma das iniciativas mais antigas em atividade no Vale do Rio Pardo é promovida pelo CTG Erva Mate, de Venâncio Aires. Em 2026, a entidade realiza a 44ª Cavalgada em Busca da Chama Crioula.

A comitiva deixou Venâncio Aires no dia 12 de agosto com destino a Rio Pardo. O retorno está previsto para o dia 20, após aproximadamente 140 quilômetros de percurso.

Conforme a cidade escolhida para a geração estadual, a distância pode ser ainda maior. Em 2022, por exemplo, os integrantes do Erva Mate percorreram aproximadamente 310 quilômetros desde Canguçu até Venâncio Aires.

A chegada da centelha ao Parque do Chimarrão representa um dos principais momentos de preparação para a Semana Farroupilha no município.

Cavalgada conjunta reúne três CTGs

Outra mobilização de 2026 reúne o CTG Querência da Mata, de Mato Leitão, e os CTGs Chaleira Preta e Lenço Branco, de Venâncio Aires.

Apesar de também ser chamada de Cavalgada da Integração, esta mobilização não possui relação direta com o grupo de mesmo nome sediado em Passo do Sobrado.

A comitiva reúne 21 cavalarianos do Querência da Mata, 12 do Chaleira Preta e nove do Lenço Branco, além de uma equipe de apoio formada por 12 pessoas. O percurso completo de ida e volta deverá alcançar aproximadamente 130 quilômetros.

O grupo segue pela ERS-244, passa por Passo da Mangueira e realiza o primeiro pernoite no CTG Gaudérios da Querência, em Passo do Sobrado. Depois, continua até Rio Pardo para acompanhar a distribuição da Chama Crioula. No retorno, os participantes percorrem o mesmo caminho até Venâncio Aires e Mato Leitão.

Cavalgada das Anitas

Em Santa Cruz do Sul, a Cavalgada das Anitas consolidou-se como uma atividade voltada à participação feminina. O nome homenageia Anita Garibaldi, personagem ligada à Revolução Farroupilha e reconhecida pela participação nos conflitos do período.

Em uma das edições divulgadas pelo município, o percurso começou na Cabanha Cerro Velho e seguiu por aproximadamente 25 quilômetros pelo interior de Santa Cruz do Sul. A programação incluiu parada para almoço, retorno ao ponto de partida, jantar e baile.

A iniciativa reúne mulheres de diferentes idades e valoriza a presença feminina na preservação da cultura campeira.

Cavalgadas mantêm tradição em movimento no Vale do Rio Pardo
Legenda — Divulgação

Cavaleiros da Integração de Santa Cruz do Sul

Santa Cruz do Sul também conta com os Cavaleiros da Integração, grupo com atuação histórica na busca e na condução da Chama Crioula.

Em 2025, nove integrantes viajaram até Caxias do Sul e retornaram a cavalo com a centelha. Naquele ano, o grupo participou pela 30ª vez de um acendimento da Chama Crioula, demonstrando a continuidade da iniciativa.

O grupo também é lembrado pela trajetória do cavalariano Paulo Dorneles Pinto, que morreu em 2012 ao atravessar um rio enquanto conduzia uma centelha para Santa Cruz do Sul. Em 2024, uma placa em sua homenagem foi inaugurada em Alto Sinimbu.

Outras cavalgadas são realizadas por CTGs, piquetes e grupos independentes de Santa Cruz do Sul, nem sempre com periodicidade fixa ou calendário público permanente.

Cavalgada da Paz

A Cavalgada da Paz é realizada pelo MTG nas diferentes Regiões Tradicionalistas. A iniciativa recorda o Tratado de Ponche Verde, firmado em 1º de março de 1845 e considerado o marco final da Revolução Farroupilha.

Na área da 5ª RT, o percurso muda a cada edição. Em 2023, a cavalgada saiu de Cachoeira do Sul e terminou em Rio Pardo, totalizando aproximadamente 72 quilômetros.

Em 2024, partiu de Rio Pardo, passou por Pinheiral, Capela dos Cunha, em Passo do Sobrado, Linha Nova e Monte Alverne. A comitiva pernoitou na sede da Cavalgada Farroupilha, em Passo do Sobrado, e terminou o percurso em Sinimbu.

Enquanto a Semana Farroupilha recorda principalmente o início da Revolução, a Cavalgada da Paz procura destacar o encerramento do conflito, a reconciliação e a necessidade de convivência respeitosa.

Cavalgadas da Integração de Vera Cruz

Vera Cruz possui uma trajetória de cavalgadas destinadas à busca da Chama Crioula. Entre as iniciativas documentadas estão a Cavalgada da Integração e a comitiva organizada pelo PTG Orelhanos do Rio Grande.

Em 2017, a 28ª Cavalgada da Integração percorreu aproximadamente 160 quilômetros desde Dom Feliciano. Participaram tradicionalistas dos CTGs Candeeiro da Amizade e Herança Farroupilha.

Outra centelha foi conduzida pelos integrantes dos PTGs Orelhanos do Rio Grande e Capão do Cedro. A união dos dois fogos marcou a abertura dos Festejos Farroupilhas de Vera Cruz naquele ano.

Os registros mostram que a tradição local possui continuidade de várias décadas, embora o destino e a extensão dos percursos mudem conforme a sede escolhida para a geração da Chama Crioula.

Candelária integra rotas regionais

Candelária também participa das mobilizações de condução da Chama Crioula. Em diferentes anos, cavalarianos locais buscaram a centelha no município escolhido para a distribuição regional ou receberam comitivas que seguiam para outras cidades.

Em 2026, o município integra o percurso da Cavalgada da Centelha da 14ª Região Tradicionalista. A comitiva parte de Rio Pardo, passa por Albardão e segue até Candelária, antes de continuar em direção a Cerro Branco, Lagoa Bonita do Sul e Ibarama.

O trajeto entre Albardão e Candelária possui aproximadamente 30 quilômetros. A passagem demonstra como o Vale do Rio Pardo funciona como ligação entre diferentes Regiões Tradicionalistas.

Vale do Rio Pardo está dividido entre diferentes RTs

Os municípios do Vale do Rio Pardo não pertencem a uma única Região Tradicionalista.

A 5ª RT inclui Candelária, Herveiras, Passo do Sobrado, Rio Pardo, Santa Cruz do Sul, Sinimbu, Vale do Sol e Vera Cruz, além de municípios de áreas vizinhas.

Vale Verde pertence à 2ª RT. Venâncio Aires e Mato Leitão estão vinculados à 24ª RT. Sobradinho e outros municípios do Centro-Serra integram a 14ª RT.

Essa divisão ajuda a explicar por que muitas cavalgadas atravessam diferentes municípios, conectam regiões tradicionalistas e reúnem participantes de entidades distintas.

Tradição que ultrapassa a Semana Farroupilha

Embora ganhem maior visibilidade entre agosto e setembro, as cavalgadas não estão limitadas à Semana Farroupilha. A região possui encontros femininos, ações solidárias, percursos históricos, procissões religiosas e iniciativas de integração realizadas em diferentes épocas do ano.

Em todas essas manifestações, o cavalo representa a ligação com a formação do Rio Grande do Sul e com a vida no campo. O percurso coletivo estimula a convivência, recupera histórias das comunidades e permite que crianças e jovens acompanhem práticas transmitidas pelos antepassados.

No Vale do Rio Pardo, cada cavalgada possui uma origem, um roteiro e uma identidade. Todas, entretanto, compartilham uma missão comum: manter a tradição gaúcha em movimento.

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Tipo de conteúdo Notícia
Fonte/Origem Apuração/Redação
Autor Gazeta Popular
Atualização 14/08/2026 às 16:52
Categoria Cultura
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O que aconteceu?Cavalgadas mantêm tradição em movimento no Vale do Rio Pardo
Onde?Passo do Sobrado
Fonte da informaçãoRedação Gazeta Popular

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Última atualização14/08/2026 às 16:52

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