A COP-11 é o principal fórum internacional onde governos discutem diretrizes globais sobre produção, comércio e controle do tabaco. O Brasil, signatário desde 2005, participa das decisões que podem influenciar diretamente políticas nacionais e impactar toda a cadeia produtiva — especialmente nos estados do Sul, onde está concentrada a maior parte da industrialização do tabaco.
Entidades pedem cautela e responsabilidade
Para o presidente da Fentitabaco, Rangel Marcon, o momento exige equilíbrio e diálogo. Ele ressalta que o tabaco é uma das cadeias mais organizadas do agronegócio e sustenta milhares de famílias:
“O Brasil não pode assumir compromissos internacionais que desconsiderem o impacto sobre o emprego e sobre a renda das famílias que vivem da cadeia produtiva do tabaco. A atividade é fundamental para a economia rural e para a estabilidade de centenas de comunidades.”
A delegação que segue para Genebra será formada por Marcon e pelo presidente do Stifa, Éder Rodrigues, que reforça que qualquer decisão tomada na COP-11 deve observar a realidade social das regiões produtoras:
“As famílias que trabalham com o tabaco construíram sua história com dedicação e dentro da legalidade. A indústria do tabaco é inclusiva, gera oportunidades, distribui renda e sustenta milhares de trabalhadores que dependem dela para manter suas casas e projetos de vida.”
Preocupações sobre o cenário internacional
Entre os pontos que causam maior apreensão às lideranças estão:
possíveis resoluções que desestimulem a produção sem considerar alternativas concretas para agricultores e trabalhadores;
impactos sobre indústrias, prestadores de serviços, transporte e cooperativas integradas à cadeia;
ausência de consulta às regiões produtoras antes da definição das posições brasileiras na COP-11;
necessidade de garantir segurança jurídica e previsibilidade para produtores, indústrias e trabalhadores.
As entidades destacam que decisões tomadas em Genebra frequentemente orientam políticas públicas brasileiras, motivo pelo qual pedem que o governo federal conduza o debate com transparência e diálogo com todos os segmentos envolvidos.
Relevância para o Sul e para Santa Cruz do Sul
A cadeia do tabaco ocupa papel histórico na economia do Sul do Brasil e, especialmente, em Santa Cruz do Sul e municípios vizinhos, que concentram grande parte das indústrias processadoras, centros logísticos e empregos diretos e indiretos.
Nesse contexto, trabalhadores, sindicatos e lideranças locais reforçam que o debate internacional deve reconhecer a complexidade da cadeia, a legalidade da produção no Brasil e o papel estratégico do setor para o desenvolvimento regional.
Comitiva embarca neste sábado
A delegação representando os trabalhadores embarca no sábado, 15, rumo à Suíça. Durante toda a semana, acompanhará as sessões da COP-11, reuniões paralelas e debates envolvendo países signatários, organizações internacionais e entidades da sociedade civil.
A Fentitabaco afirma que permanecerá mobilizada para garantir que o Brasil adote posições equilibradas e comprometidas com a proteção do emprego, da renda e da sustentabilidade econômica das regiões que dependem do tabaco.
O que é a COP-11 e por que ela importa para o Brasil
O que é a COP-11?
A COP-11 é a 11ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (FCTC), tratado internacional coordenado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O evento reúne representantes de mais de 180 países para discutir regras globais relacionadas à produção, comércio e controle do tabaco.
Quando e onde ocorre?
De 17 a 22 de novembro de 2025, em Genebra, Suíça.
O que pode ser decidido?
A COP discute e aprova diretrizes que podem influenciar políticas públicas dos países signatários, incluindo:
Regulamentações sobre produção agrícola do tabaco
Normas para indústria e comercialização
Restrição de novos produtos
Questões ambientais e trabalhistas ligadas à cadeia produtiva
Medidas de redução de demanda e consumo
Combate ao comércio ilícito
Por que o Brasil está envolvido?
O Brasil é signatário da Convenção desde 2005. Isso significa que participa das decisões e deve implementar as diretrizes aprovadas — o que pode afetar diretamente agricultores, indústrias, trabalhadores e municípios que dependem da cadeia do tabaco.
Por que há preocupação no setor produtivo?
Possíveis medidas podem reduzir a produção sem considerar alternativas sustentáveis.
O tabaco gera milhares de empregos diretos e indiretos no Sul do país.
Municípios produtores dependem fortemente da receita ligada à cadeia produtiva.
Trabalhadores e agricultores temem decisões tomadas sem diálogo com quem vive da atividade.
Quem representa os trabalhadores brasileiros na COP-11?
A Fentitabaco e o Stifa enviam delegados para acompanhar as discussões e dialogar com autoridades. A comitiva representa mais de 44 mil trabalhadores da indústria do tabaco no Brasil.
A importância econômica do tabaco no Rio Grande do Sul
Setor estratégico da economia gaúcha
O Rio Grande do Sul é o maior produtor e industrializador de tabaco do Brasil e concentra uma das cadeias produtivas mais estruturadas do agronegócio. O setor envolve desde agricultura familiar até polos industriais de exportação.
Números que mostram a força da atividade
+ 100 mil famílias produtoras no Sul do Brasil, grande parte no RS;
+ 20 mil empregos diretos na indústria gaúcha;
Cerca de 40% da produção nacional é originada do RS;
Região do Vale do Rio Pardo é o principal polo de processamento da América Latina;
Exportações de tabaco representam uma das maiores receitas do agronegócio gaúcho, com bilhões em divisas anuais.
Impacto social e territorial
Sustenta economias locais em dezenas de municípios rurais;
Garante renda estável para pequenas propriedades familiares;
Movimenta setores como transporte, comércio, serviços, logística e portos;
Contribui para a manutenção de escolas, postos de saúde e infraestrutura municipal através de impostos.
Por que o RS é tão sensível às decisões da COP-11?
Porque qualquer mudança brusca na produção ou industrialização:
Afeta diretamente a renda agrícola;
Reduz postos de trabalho industriais;
Impacta a arrecadação municipal e regional;
Enfraquece economias locais altamente dependentes da cadeia.
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