Impactos econômicos e sociais
Segundo as entidades, o aumento da carga tributária pode gerar efeitos negativos em cadeia, como a retração do mercado formal, avanço do contrabando — que já representa cerca de 35% do consumo nacional — e impactos diretos sobre produtores, indústria e empregos.
O presidente da Amprotabaco, Gilson Becker, reforça a necessidade de cautela:
“O tabaco é uma base econômica estruturante para centenas de municípios. Decisões dessa natureza precisam considerar toda a cadeia produtiva e seus impactos.”
Já o presidente da Fentitabaco, Rangel Marcon, alerta para distorções no mercado:
“A elevação de tributos em um setor já altamente taxado tende a fragilizar a indústria formal e comprometer empregos.”
SindiTabaco também se posiciona
O SindiTabaco também se manifestou sobre o tema, destacando preocupação com o aumento da tributação e a elevação do preço mínimo do cigarro.
De acordo com a entidade, dados históricos indicam que o encarecimento do produto legal impulsiona o mercado ilegal, que já representa uma parcela significativa do consumo no Brasil e está associado ao financiamento do crime organizado.
O sindicato alerta que o aumento excessivo de tributos tende a favorecer operadores ilegais, que não recolhem impostos, não seguem normas sanitárias e atuam fora da fiscalização do Estado.
“O resultado é o fortalecimento de organizações criminosas, perda de arrecadação e redução do controle público sobre o setor”, aponta a entidade.
Ainda conforme o SindiTabaco, o impacto também atinge diretamente a indústria, elo fundamental da cadeia produtiva, comprometendo o equilíbrio do sistema integrado de produção.
Setor estratégico no Sul
A cadeia produtiva do tabaco tem forte presença no Sul do Brasil, especialmente no Vale do Rio Pardo, sendo responsável pela geração de renda para milhares de famílias e pela sustentação econômica de diversos municípios.
As entidades destacam que o aumento da diferença de preço entre o produto legal e o ilegal amplia a competitividade do mercado irregular, agravando perdas econômicas e sociais.
Defesa do diálogo e revisão
Amprotabaco, Fentitabaco e SindiTabaco defendem a construção de soluções equilibradas e colocam-se à disposição do Governo Federal para contribuir tecnicamente na análise dos impactos da medida.
As instituições ressaltam que o combate ao crime organizado exige políticas públicas consistentes e integradas, e que medidas tributárias que ampliem a ilegalidade devem ser reavaliadas com responsabilidade.
A posição conjunta reforça que decisões fiscais precisam considerar não apenas a arrecadação, mas também seus efeitos sobre o emprego, a produção e o desenvolvimento regional.
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