Origem da data
A escolha do dia 28 de outubro remete a um episódio histórico de 1492, quando navegadores europeus observaram, pela primeira vez, o uso cerimonial das folhas de tabaco por povos nativos em Cuba. Séculos depois, essa planta se transformaria em uma das culturas agrícolas mais importantes do mundo. No Brasil, especialmente no Vale do Rio Pardo, o cultivo do tabaco moldou paisagens, comunidades e tradições.
Setor estratégico para o país
O Brasil é atualmente o segundo maior produtor mundial e líder em exportação de tabaco, com cerca de 125 mil famílias envolvidas diretamente na atividade. Apenas na safra 2022/2023, foram cultivados mais de 260 mil hectares, com produção superior a 600 mil toneladas da folha. No Rio Grande do Sul — maior produtor do país — foram 64.761 famílias responsáveis por 256.947 toneladas, gerando receita bruta superior a R$ 4,6 bilhões.
Além da geração de renda no campo, a cadeia produtiva movimenta setores de transporte, beneficiamento, comércio e exportação. A região do Vale do Rio Pardo, onde está concentrada a maior parte da produção gaúcha, é um exemplo vivo da força da fumicultura.
Voz do campo
Produtores locais destacam que a data representa muito mais do que um simples feriado no calendário agrícola:
“É um dia de valorização do nosso trabalho. Plantar tabaco exige dedicação, cuidado e conhecimento. Cada folha colhida carrega o esforço de uma família inteira”, relata um agricultor da região.
A Afubra (Associação dos Fumicultores do Brasil) reforça que o setor mantém práticas integradas de produção, priorizando qualidade e sustentabilidade, com acompanhamento técnico e programas de boas práticas agrícolas.
Desafios e futuro
Mesmo com toda sua importância, a fumicultura enfrenta desafios:
•Pressões internacionais oriundas da Organização Mundial da Saúde por meio da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco;
•A necessidade de manter a atividade economicamente atrativa para as novas gerações;
•Custos crescentes de produção e vulnerabilidade climática;
•E a busca por diversificação produtiva para garantir sustentabilidade às propriedades familiares.
Para lideranças do setor, o futuro passa pela inovação, qualificação técnica e fortalecimento da organização dos produtores. “É fundamental que as políticas públicas e as discussões internacionais sobre o tabaco considerem a realidade de quem vive no campo. Por trás de cada hectare cultivado há uma família, uma comunidade e uma economia local”, destacou um representante da Afubra.
Reconhecimento
Neste Dia do Produtor de Tabaco, a homenagem vai para os milhares de agricultores que garantem, com seu trabalho, o sustento de suas famílias e ajudam a movimentar a economia de municípios como Santa Cruz do Sul, Passo do Sobrado, Venâncio Aires, Vale Verde e tantas outras localidades produtoras.
Mais do que um setor agrícola, a fumicultura é parte da identidade econômica e cultural do Sul do Brasil. Reconhecer o produtor é valorizar a base de uma cadeia produtiva que emprega, gera renda e mantém viva a tradição no campo.
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