Manuseio e armazenamento de armas de fogo é seguro em ambientes domésticos?
SEGURANÇA Comandante do CRPO Vale do Rio Pardo, Coronel PM Giovani Paim Moresco fala sobre Acompanhe a Gazeta PopularNotícias de Passo do Sobrado, Vale Verde e região em tempo real. os cuidados e deveres daqueles que possuem armas em casa Rosibel Fagundes Na noite de sábado, 30...

SEGURANÇA
Comandante do CRPO Vale do Rio Pardo, Coronel PM Giovani Paim Moresco fala sobre
os cuidados e deveres daqueles que possuem armas em casa
Rosibel Fagundes
Na noite de sábado, 30, uma mulher de 29 anos, morreu após ser atingida por um disparo de espingarda. O caso ocorreu em uma residência na localidade de Palma, no interior de Encruzilhada do Sul. A vítima e o marido, moradores de Santa Cruz do Sul, haviam sido convidados pelo morador da casa para passar a noite no local, e na manhã seguinte, os dois homens sairiam para caçar javalis. Porém, durante a noite, a arma que estava municiada e apoiada em uma parede da casa, teria caído e disparado acidentalmente. O projétil atingiu o abdômen da mulher, que já chegou sem vida ao Hospital da cidade, após ser levada pelo marido.
A espingarda Boito calibre 20, que estava registrada em nome do caseiro da residência foi apreendida e passará por análise detalhada da Polícia Civil, que segue investigando o caso. O caso chamou atenção pela gravidade e levanta questões sobre o manuseio e armazenamento seguro de armas em ambientes domésticos.
Em entrevista ao Jornal Gazeta Popular, o Comandante do CRPO Vale do Rio Pardo, Coronel PM Giovani Paim Moresco, esclarece que a maioria das ocorrências de natureza semelhante a essa, a fatalidade ocorre por um descuido. A orientação segundo ele, é sempre deixar a arma desmuniciada e descarregada, guardada em local seguro.
“Esse é um dos maiores perigos que nós temos que envolve armas de fogo, é a questão de como o operador trata o armamento e a quem ele deixa ao alcance. Nós sempre orientamos que armas de fogo de qualquer natureza não fiquem ao alcance fácil de crianças e adolescentes. Há pessoas que tenham algum tipo de deficiência física, que não tenham a compreensão exata do que é uma arma de fogo e do que ela pode ocasionar, bem como o manuseio dessa arma de fogo”, destaca.
O comandante também esclareceu dúvidas sobre o porte de armas e questões relacionadas ao Estatuto do Desarmamento de 2013, que permite o porte de armas apenas para integrantes das forças armadas, policiais, agentes de inteligência e agentes de segurança privada. “A exceção é a questão de porte de arma para outras categorias profissionais. Tanto é que existe essa diferenciação de arma de porte. A arma de caça, por exemplo, ela não é considerada arma de porte, ela pode ser transportada. Arma de porte são as armas de natureza semelhante a pistolas, garruchas, revólveres que podem ser conduzidos em alforges ou codres. Isso é considerado arma de porte”, esclarece.
Conforme ele, as armas regulares devidamente registradas, cadastradas, e as pessoas com o devido porte, não são um problema. O problema são as armas irregulares, aquelas que por ventura até hoje estejam em situação não oficial, não devidamente cadastradas. “E aí, obviamente, nós temos que considerar o acesso a armas de fogo que venham provenientes de fora do país, através de meios escusos, e que acabam em determinadas situações caindo em mãos erradas. Então a arma que é devidamente registrada, isso, ao nosso ver, é um direito de todo cidadão, desde que atendido e satisfeito às exigências que a Lei determina”, destaca.
Atualmente, é necessário ter mais que 25 anos para adquirir armas de fogo e atender aos requisitos estabelecidos para a posse. “A pessoa não pode ter antecedentes criminais, principalmente antecedentes que tragam crimes considerados dolosos, isso nos últimos cinco anos, antes dele encaminhar o processo de solicitação de porte. E tem que ainda demonstrar capacidade técnica, capacidade motora e capacidade psíquica de portar a arma de fogo. Então ele tem que fazer uma série de exames e apresentar. Esses exames com o negativo de qualquer problema”, afirma.
O portador deve preencher toda uma documentação e fazer a remessa para a avaliação. Após, deve ser feito o pagamento de uma guia de recolhimento da União, uma GRU. “Essa questão da documentação, ele tem que apresentar a certidão negativa de antecedentes criminais fornecidos pela justiça federal, a justiça estadual, a justiça militar e a justiça eleitoral. Então, é bastante complexo isso que envolve essa remessa, essa comprovação de toda essa qualificação que o candidato a um porte de arma tem que ter e tem que encaminhar para a Polícia Federal da sua unidade da federação”, pontua.
O porte de armas tem validade de no máximo cinco anos. Antes de encerrar prazo, o proprietário da arma de fogo tem que solicitar a emissão de um novo porte, tendo em vista que não tem revalidação. Posterior, é dado um novo porte de armas para ele.
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