A paisagem da Serra Gaúcha ganha tons roxos e aromas intensos com o auge da colheita do figo. Apesar de um leve atraso no ciclo produtivo, a safra 2025/2026 consolida a região como um polo de excelência na cultura, unindo alta qualidade fitossanitária a preços atrativos para o produtor. Com uma estimativa de 1,6 milhão de quilos colhidos em 150 hectares, a fruta reafirma seu papel como protagonista na economia de centenas de famílias rurais.
A cultura do figo na região é, por essência, um modelo de agricultura familiar. Segundo dados da Emater/RS-Ascar, entre 200 a 250 famílias dependem diretamente da cultura apenas na região administrativa de Caxias do Sul, que abrange 49 municípios. “Os números mostram claramente que a produção de figo na Serra é basicamente familiar, com forte impacto econômico e social para as pequenas propriedades”, ressalta o extensionista rural Thompson Didoné.
Liderança e Distribuição Geográfica
Nova Petrópolis mantém o título de principal produtor de figo no Rio Grande do Sul. O município dedica 42 hectares à cultura, com uma expectativa de colheita de 600 toneladas e o envolvimento direto de 55 famílias.
Logo atrás, outros municípios fortalecem a cadeia produtiva regional. Gramado aparece com 26 hectares cultivados por 60 famílias, seguido de perto por Caxias do Sul, que possui 25 hectares e 38 famílias dedicadas à fruta. Antônio Prado também se destaca com 12 hectares e 22 famílias. O restante da área produtiva da Serra é composto por pequenas propriedades em diversos municípios, com áreas que variam entre três e sete hectares cada.
Clima e Qualidade da Safra
O início da colheita foi marcado pela paciência. O frio tardio registrado em meses anteriores deslocou o calendário em cerca de 15 dias. Enquanto em zonas mais baixas e quentes de Nova Petrópolis os trabalhos começaram no fim de dezembro, as áreas de maior altitude iniciam a colheita agora, em meados de janeiro.
Entretanto, a espera valeu a pena. A avaliação técnica da Emater indica que a qualidade do figo é considerada muito boa, sem problemas de sanidade (pragas ou doenças), o que garante uma aceitação imediata no mercado.
Destino da Produção e Mercado
A versatilidade do figo é o que garante a sustentabilidade do setor. Cerca de 30% a 35% da produção é destinada ao consumo in natura, o chamado figo de mesa. O restante — a grande maioria — é absorvido pela agroindústria para a fabricação de doces, compotas, figada e o tradicional figo verde, produtos que agregam valor e diversificam a renda nas propriedades.
No aspecto financeiro, o produtor encontra um cenário favorável. No início da safra, o figo de melhor classificação chegou a ser comercializado por até R$ 16,00 o quilo. Atualmente, em Nova Petrópolis, os valores giram entre R$ 10,00 e R$ 12,00 o quilo, especialmente para a variedade Roxo de Valinhos, a mais cultivada para o mercado de mesa.
Celebração: 51ª Festa do Figo
Para celebrar os resultados e valorizar o trabalho do campo, Nova Petrópolis realiza a 51ª Festa do Figo nos dias 31 de janeiro e 1º de fevereiro. O evento acontece na Sociedade Cultural e Esportiva de Linha Brasil e promete ser um marco para a fruticultura local, destacando a gastronomia e a importância do setor para o desenvolvimento rural da região.
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