O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na última quinta-feira,31, uma nova ordem executiva que altera e amplia as tarifas comerciais aplicadas a diversos países. As alíquotas agora variam de 10% a 41%, com exceção do Brasil, que permanece com a taxa mais alta, de 50%.
A medida, segundo a Casa Branca, tem como objetivo combater práticas comerciais consideradas injustas e proteger a economia norte-americana. As novas tarifas entram em vigor a partir de 6 de agosto.
No caso do Canadá, por exemplo, a tarifa subiu de 25% para 35%, em resposta à “retaliação contínua” de Ottawa, segundo comunicado oficial. Outros países como Síria, Israel, África do Sul e Índia também estão na nova rodada de sanções comerciais.
Brasil lidera a lista, mas com exceções
Apesar da tarifa de 50%, o Brasil teve quase 700 produtos isentos da sobretaxa, incluindo itens dos setores aeronáutico, energético e agrícola. Por outro lado, produtos como café, carne bovina e frutas devem sofrer impacto direto nas exportações.
A medida representa uma escalada da ofensiva tarifária iniciada por Trump em julho, quando seu governo enviou cartas a 25 países ameaçando elevar tarifas caso não fossem firmados acordos comerciais até 1º de agosto. Segundo a Casa Branca, o Brasil foi o único a receber a tarifa máxima.
Veja a tarifa aplicada a alguns países:
Brasil: 50%
Síria: 41%
Suíça: 39%
Laos e Mianmar: 40%
Canadá: 35%
Sérvia: 35%
África do Sul e Líbia: 30%
Israel: 15%
Índia: 25%
Reino Unido: 10%
Vice-presidente Geraldo Alckmin critica tarifa dos EUA em café com Ana Maria Braga: “Soberania brasileira é inegociável”
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, participou do programa Mais Você na manhã da última quinta-feira,31, onde tomou café da manhã com a apresentadora Ana Maria Braga e comentou sobre o chamado “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos ao Brasil.
Alckmin, que lidera as negociações do governo federal em resposta à medida anunciada pelo presidente norte-americano Donald Trump, explicou que a sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros afeta diretamente setores estratégicos da economia.
“É sobre o valor do produto que você importa, o que nós exportamos para os Estados Unidos. Os Estados Unidos não é o primeiro parceiro do Brasil. Quem mais compra do Brasil é a China, mas é um parceiro importante”, afirmou.
Segundo o vice-presidente, os EUA são o maior investidor estrangeiro no Brasil e o principal destino de produtos industrializados brasileiros, como aviões, máquinas e motores.
“Por isso que ele é importante. Quando dizem que a tarifa vai ser 50% para entrar nos Estados Unidos, você tem que pagar para o governo americano 50% de tarifa. Isso é injustificado”, criticou.
Alckmin também abordou o argumento usado por Trump para justificar a tarifa imposta ao Brasil, uma suposta interferência do Judiciário brasileiro nos resultados eleitorais, com base em decisões do Supremo Tribunal Federal sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Para o governo brasileiro, é inegociável a soberania nacional. O Brasil tem independência dos Poderes, como toda democracia. Isso não pode ser usado como pretexto para uma medida econômica tão dura”, declarou.
A tarifa de 50% imposta aos produtos brasileiros é a mais alta entre as direcionadas a parceiros comerciais dos EUA e entra em vigor no dia 6 de agosto. Apesar da sobretaxa, quase 700 itens foram excluídos da medida, incluindo produtos do setor aeronáutico, energético e agrícola.
Entenda o caso
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