O anúncio causou forte reação do governo brasileiro, que acusa Washington de fechar as portas para o diálogo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou a medida como unilateral e defendeu uma solução negociada. “Se há divergência, a gente senta à mesa para conversar, não toma uma decisão abrupta que prejudica todos”, disse Lula durante evento no Rio de Janeiro.
Apesar das críticas, Trump segue articulando acordos com outros países. O republicano anunciou entendimentos com Indonésia, Japão, Filipinas, Vietnã, Reino Unido e, mais recentemente, com a União Europeia. Em todos os casos, as tarifas negociadas ficaram em torno de 15%, com contrapartidas bilionárias em investimentos. A China também está na mesa de negociações, e há expectativa de prorrogação da trégua tarifária por mais 90 dias.
No caso do Brasil, as tratativas não avançaram. Uma comitiva de senadores brasileiros viajou aos EUA no fim de semana, acompanhada de representantes do Itamaraty e do ex-diretor da OMC, Roberto Azevêdo, na tentativa de reverter ou adiar a medida. Os parlamentares têm reuniões com congressistas e representantes da indústria americana até quarta-feira (30).
“A intenção é preservar uma relação diplomática histórica de mais de 200 anos”, disse o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores. A Câmara de Comércio dos EUA deve emitir um comunicado contrário à tarifa, destacando os prejuízos econômicos para ambos os lados.
RS fora das negociações
Embora o Rio Grande do Sul seja o quinto estado brasileiro que mais exporta para os EUA — com US$ 950 milhões no primeiro semestre —, nenhuma liderança política gaúcha participa da missão em solo americano. O Estado vende principalmente tabaco, soja e carnes ao mercado norte-americano, mas sua presença nas articulações tem sido tímida.
O governador Eduardo Leite (PSD) anunciou um pacote de R$ 100 milhões em crédito subsidiado para mitigar impactos do tarifaço, enquanto o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), lançou um plano mais robusto, com R$ 1,2 bilhão em incentivos e restituições tributárias.
Exportações em risco
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mostram que, em 2024, os EUA representaram 8,4% das exportações totais do RS, e 10,2% no primeiro semestre de 2025. Apesar de a China continuar como principal destino dos produtos gaúchos (26,2% em 2024), a imposição americana ameaça cadeias produtivas relevantes no Estado.
O setor empresarial gaúcho tenta agora sensibilizar autoridades em Brasília com dados e projeções. O tabaco, por exemplo, lidera as exportações do RS no primeiro semestre de 2025, respondendo por 11,6% das vendas externas.
A expectativa é de que, até a sexta-feira (1º), novas tentativas de negociação possam frear ou, ao menos, adiar a entrada em vigor das tarifas de Trump — que, se mantidas, representarão um forte abalo para a balança comercial brasileira.
Entenda o caso
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