Embora a tarifa atinja a maioria dos produtos exportados do Brasil aos EUA, algumas exceções foram confirmadas: estão isentos do tarifaço itens estratégicos como aeronaves da Embraer, suco de laranja, produtos energéticos (como petróleo e minério de ferro), além de bens culturais e humanitários, como medicamentos, livros e obras de arte.
📉 Setor do tabaco: perda imediata de competitividade
O tabaco brasileiro, que não está entre os produtos isentos, sofrerá diretamente com a medida. Os EUA são o terceiro maior comprador do produto nacional, representando cerca de 9% das exportações totais. Somente entre janeiro e junho de 2025, o Brasil enviou 19 mil toneladas de tabaco aos EUA, o que gerou uma receita de US$ 129 milhões, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC/ComexStat). No ano anterior, foram 39,8 mil toneladas e US$ 255 milhões em faturamento.
Para Valmor Thesing, presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), a notícia foi recebida com frustração. “A manutenção da tarifa cria uma situação bastante complexa. A competitividade do produto brasileiro no mercado norte-americano fica ameaçada. Podemos esperar, como consequência, uma redução drástica nos volumes exportados aos clientes americanos”, avaliou.
No entanto, o executivo garantiu que não há previsão de demissões no setor, e que os contratos firmados via Sistema Integrado de Produção de Tabaco (SIPT) serão integralmente cumpridos pelas empresas associadas ao SindiTabaco. Cerca de 40 mil toneladas da safra 2025/2026 estavam previstas para embarque aos EUA — volume que, diante da nova tarifa, poderá ser estocado temporariamente ou redirecionado para outros países. “Temos a expectativa de alocar esse montante em mercados alternativos, já que exportamos para mais de 100 nações”, afirmou.
🏛️ Reação do governo e medidas compensatórias
O governo brasileiro reagiu com indignação e prometeu agir em diversas frentes. O Congresso Nacional aprovou a Lei de Reciprocidade Econômica, que autoriza o Brasil a adotar medidas tarifárias equivalentes contra produtos norte-americanos. Ao mesmo tempo, o Itamaraty tenta abrir diálogo diplomático para conter a crise.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou que o governo prepara linhas de crédito emergenciais e incentivos à diversificação de mercados para os setores mais afetados. Ele descartou, porém, qualquer tipo de renúncia fiscal. “Vamos agir com responsabilidade, mas com firmeza, para preservar empregos e a competitividade da indústria nacional”, declarou.
🔍 Investigação comercial amplia tensão
Paralelamente, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) abriu uma investigação contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana, acusando o país de práticas desleais no comércio digital, nas regras ambientais e tarifárias, além de barreiras à propriedade intelectual. A primeira audiência pública está marcada para o dia 3 de setembro, em Washington.
📊 Impactos e perspectivas
A entrada em vigor da tarifa no dia 6 de agosto marca um novo capítulo nas relações comerciais entre os dois países. Analistas projetam queda nas exportações brasileiras para os EUA em setores estratégicos, e temem o acirramento da guerra tarifária.
Para o setor do tabaco, o desafio será encontrar novos mercados de escoamento em curto prazo. Enquanto isso, o estoque do produto poderá crescer internamente, pressionando os preços e os custos logísticos.
📌 Resumo dos principais pontos
Item Detalhe
Data de vigência 6 de agosto de 2025
Tarifa aplicada 50% sobre a maioria dos produtos brasileiros
Produtos isentos Aeronaves da Embraer, suco de laranja, energia, medicamentos, livros
Impacto no tabaco Produto mantido sob tarifa; risco de queda nas exportações
Resposta brasileira Lei de Reciprocidade e pacote de apoio econômico
Destino do tabaco afetado Pode ser redirecionado ou estocado
Investigação em curso EUA apuram práticas comerciais do Brasil sob a Seção 301
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