Seguindo o Ordo Exsequiarum Romani Pontificius, as cerimônias fúnebres começaram com o Rito de Constatação — ato solene que confirma oficialmente o falecimento do pontífice. Nesta quarta-feira, 23 de abril, o corpo será trasladado da Casa Santa Marta até a Basílica de São Pedro, onde os fiéis poderão prestar suas últimas homenagens durante a visitação pública.
A Missa de Exéquias será celebrada no sábado, 26 de abril, às 10h (horário de Roma), na Praça de São Pedro. A celebração será presidida pelo cardeal Giovanni Battista Re, decano do Colégio Cardinalício, e deverá reunir milhares de fiéis, líderes religiosos e autoridades civis de diversos países. O rito incluirá leituras em diferentes idiomas, cantos litúrgicos e a ladainha dos santos. Após a missa, o corpo será sepultado na Basílica de Santa Maria Maior, em cumprimento ao desejo de Francisco.
Missas de sufrágio e homenagens ao Papa
A comoção pela morte do Papa Francisco também mobilizou a Igreja no Brasil. Na Catedral São João Batista, em Santa Cruz do Sul, Dom Aloísio Alberto Dilli, bispo Emérito, celebrou uma missa de sufrágio no fim da tarde da segunda-feira, 21 de abril, em memória da alma do Santo Padre. Já na quinta-feira, 25, às 18h15, será a vez de Dom Itacir Brassiani, bispo Diocesano, presidir uma celebração especial pela vida e missão de Francisco.
Atendendo à orientação da Diocese, todas as paróquias foram convidadas a tocar os sinos ao meio-dia e novamente às 18h de segunda-feira,21, como sinal de luto e reverência. As comunidades têm organizado celebrações conforme suas programações locais, oferecendo missas em ação de graças pela vida, ministério e testemunho do Papa Francisco, reconhecido como um pontífice profundamente conectado ao povo, especialmente aos pobres e marginalizados.
A última mensagem do Papa
Mesmo debilitado, o Papa dirigiu-se ao mundo uma última vez no Domingo de Páscoa. A mensagem, lida pelo monsenhor Diego Ravelli, destacou o apelo à paz e à dignidade humana:
“Não é possível haver paz sem um verdadeiro desarmamento! A necessidade que cada povo sente de garantir a sua própria defesa não pode transformar-se numa corrida generalizada ao armamento.”
E completou:
“Que o princípio da humanidade nunca deixe de ser o eixo do nosso agir quotidiano. Perante a crueldade dos conflitos que atingem civis indefesos, atacam escolas e hospitais e agentes humanitários, não podemos esquecer que não são atingidos alvos, mas pessoas com alma e dignidade.”
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) manifestou-se em nota oficial:
“Com imensa gratidão por seu exemplo como verdadeiro discípulo do Senhor Jesus, recomendamos a alma do Papa Francisco ao infinito amor misericordioso do Deus Trino”
Dom Itacir Brassiani, bispo de Santa Cruz do Sul, declarou:
“A notícia não nos entristece, porque uma vida tão honrada, tão bela, tão corajosa, tão sinodalmente cristã não deve deixar tristeza, mas gratidão. Seus pronunciamentos corajosos e atitudes diante da opressão e das injustiças causaram calafrios em alguns cristãos e cidadãos, mas esperança em muitos outros.”
Já Dom Aloísio Alberto Dilli, bispo emérito que se encontrou com Francisco em 2022, afirmou:
“Foi um homem que teve um coração aberto para todos, uma pessoa simples e humilde. Estamos em um mundo polarizado e de muitas guerras, e o Papa sempre queria algo diferente. Seu legado será eterno.”
O Conclave se aproxima
Com a morte de Francisco, tem início o Interregno Papal — período de vacância entre pontificados. Durante esse tempo, a administração da Igreja fica sob responsabilidade do camerlengo. Ao todo, 135 cardeais com menos de 80 anos estão aptos a participar do Conclave, que deverá ocorrer nas próximas semanas, na Capela Sistina.
Entre os eleitores, sete são brasileiros: Dom Leonardo Ulrich Steiner (Manaus), Dom João Braz de Aviz e Dom Paulo Cezar Costa (Brasília), Dom Orani Tempesta (Rio de Janeiro), Dom Odilo Scherer (São Paulo), Dom Jaime Spengler (Porto Alegre) e Dom Sérgio da Rocha (Salvador).
Durante o Conclave, os cardeais permanecem isolados do mundo exterior. A cada votação, as cédulas são queimadas em um forno especial. A fumaça preta (*fumata nera*) indica que ainda não há consenso. Quando um dos cardeais recebe dois terços dos votos e aceita o cargo, a fumaça branca (*fumata bianca*) sobe aos céus de Roma, anunciando ao mundo que um novo Papa foi eleito.
Enquanto a Igreja se prepara para esse momento decisivo, os olhos e os corações dos fiéis se voltam para a Praça de São Pedro — em memória de um pontífice que marcou sua época com compaixão, coragem e humildade.
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