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OPINIÃOPor Dom Itacir Brassiani msf Bispo Diocesano de Santa Cruz do Sul

Eucaristia: memória, expectativa e compromisso

Desde muito cedo na sua história, o cristianismo recordou, ritualizou e celebrou a vida, a morte e ressurreição de Jesus.

Publicado em 05/06/2026 às 17:29

Negar os interesses mesquinhos ou o Evangelho?

Desde muito cedo na sua história, o cristianismo recordou, ritualizou e celebrou a vida, a morte e ressurreição de Jesus. A identidade, a organização e a missão da Igreja foi se constituindo em torno de celebrações simples, populares e permeadas de memória agradecida e de expectativas de algo novo e grandioso que ainda vai acontecer.

Assim “nasce” a Eucaristia, sacramento do corpo e do sangue de Jesus Cristo. Ou melhor: ação simbólica e memorial da aliança definitiva de Deus com a humanidade peregrina, selada no pão partilhado, no vinho abençoado e no gesto de um Mestre e Senhor que lava os pés, inclusive de quem o nega e trai. A Eucaristia é uma lição profunda e atual!

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Aquela ceia de despedida, celebrada no clima cálido e tenso que antecedeu a prisão de Jesus e sua condenação à pena de morte, está ligada às inúmeras ceias que Jesus compartilhou, seja para saciar um povo faminto no deserto, seja sentado à mesa onde acolheu pecadores e proscritos. Não podemos excluir da mesa aqueles que Jesus acolheu!

É verdade que, nesta ceia, Jesus diz com amargura que um dos Doze, daqueles que come o pão com ele, irá traí-lo. E acrescenta: “Melhor seria que tal homem nunca tivesse nascido” (Marcos 14,17-21). Mas não se trata de alguém que se sente culpado e pecador, mas de alguém que participa da sua intimidade. E Jesus não o expulsa da mesa!

Na ceia de despedida, Jesus abençoa o pão e o distribui dizendo: “Isto é meu corpo, que é dado por vós”. E tomando nas mãos o cálice com vinho, dá graças e o serve aos discípulos declarando: “Tomai este cálice e partilhai entre vós”. E acrescenta, em forma de mandamento e de testamento: “Fazei isto em memória de mim” (Lucas 22,14-23).

Este mandamento não se refere apenas à repetição de um ritual, mas ao prosseguimento do modo de vida que ele expressa: fazer da vida um dom generoso e incondicional aos irmãos e irmãs, especialmente aos mais pobres. E sempre na expectativa de que o Reino de Deus, a vida plena e abundante para todos, se realize na história (cf. Lucas 22,18).

São Paulo entendeu isso muito bem e o expressou na Carta aos Romanos: “Eu vos exorto, pela misericórdia de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo (hóstias vivas), santo e agradável a Deus: este é o vosso verdadeiro culto. Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da mente” (12,1-2). Nosso culto não se resume a um rito, mas se realiza no engajamento para que venha o Reino de Deus.

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— Leia a matéria originalhttps://gazetapopular.com/eucaristia-memoria-expectativa-e-compromisso/

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05/06/2026 | gazetapopular.com