Eleição 2026 – análises finais

A Democracia vive!

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Eleição 2026 – análises finais

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* O resultado do pleito

O resultado de um pleito eleitoral em uma Democracia, assim, com letra maiúscula, é sempre a vitória de um em contraposição à derrota de outro (ou de outros). Sempre! E por óbvio, aquele que ganha comemora e aquele ou aqueles que perdem se lamentam. E felizmente não tem como ser diferente.

Daí que acontece um fenômeno interessante: quanto menor a expectativa de uma vitória, maior é a comemoração quando ela ocorre; da mesma forma, quando menor a expectativa de derrota, maior a decepção, a insatisfação e a tristeza quando ela (a derrota) ocorre.

E foi exatamente isso que vimos nesta eleição:  os ganhadores, que até tinham uma relativa (mas parcimoniosa) expectativa de virar o resultado, pois que foram derrotados no primeiro turno, comemoraram muito intensamente a vitória; e fiquei com uma sólida impressão de que os perdedores, que haviam ganhado o primeiro turno, não esperavam a virada e a consequente vitória do adversário, daí que acusaram o golpe (da derrota) e, por não estarem preparados para tal, sofreram e se decepcionaram muito. Até aí tudo normal e muito comum.

O problema dessa derrota nesta eleição é que o sofrimento transfigurou-se em uma reação que, ao menos me parece, ultrapassou todos os limites do bom senso, do respeito às pessoas e às instituições, e suprimiu os mais elementares princípios das disputas políticas democráticas…

* Reação desmedida?

Ficar insatisfeito com o resultado de uma eleição, reclamar, xingar, esbravejar, se entristecer, etc., é algo muito natural, afinal, ninguém gosta de perder.

Mas o que se viu após confirmada a vitória do Lula foi algo que eu ainda não tinha presenciado nesta jovem Democracia brasileira, algo que ainda estou tentando entender.

Finalizada a apuração dos votos e as redes sociais, as grandes plataformas de comunicação social e de massa do momento, foram inundadas por manifestações de rancor, de preconceito, de ira, de ameaça, de intimidação e coação, e de ofensas de todas as espécies, por parte dos eleitores do candidato perdedor contra os eleitores do candidato vencedor. Veja-se bem: não eram agressões dirigidas aos políticos vencedores, ou aos partidos políticos vencedores, mas aos eleitores deles… Propagou-se um discurso de ódio que eu só tinha visto nos livros de história, lá no primeiro terço do século passado.

* Difícil manter a equanimidade

Nunca escondi o meu voto nem as justificativas de fazê-lo, pelo contrário. Também nunca me omiti do debate político e sempre respeitei, sempre, aqueles que discordavam da minha opção, mesmo não entendendo as suas oposições (inclusive as que me pareciam infundadas), pois que isso é da gênese da Democracia. Pois bem, nas horas e dias logo após o fim do pleito eu fui ofendido e agredido de uma forma que ainda não consigo entender.

Fui chamado de burro, vagabundo, ladrão, corrupto, sem-vergonha, ignorante, analfabeto, rato, não-rato, eleitor de manada, idiotia, ralé e escória; me mandaram estudar, kkk, crescer; e me dirigiram mais uma boa quantidade de palavras de calão, tudo isso pelo simples fato de que votei num candidato diferente do dos agressores (e que ele venceu…). Mas depois de analisar bem a questão, tenho a nítida impressão de que se o candidato em que votei tivesse perdido eu teria sofrido as mesmas agressões e ofensas, pois como eu disse acima, a ideia era propagar o ódio e o preconceito (os adjetivos eram apenas os instrumentos que serviam a tal objetivo infame) e não se irresignar contra um resultado de eleição.

Tirando a decepção de ter ouvido algumas dessas agressões de pessoas muito próximas, até de alguns que me eram queridos, nada mais me atingiu, pelo contrário, dei muita risada. Até por que as mesmas ofensas que me eram dirigidas também o eram à grande maioria da elite intelectual, científica, cultural e educacional do Brasil, e isso por si só me servia de esteio (e até de positivo discernimento).

Muito nitidamente me pareceu que a reação dos derrotados não era demostrar sua insatisfação diante da sua visão de incompetência do vencedor ou da ineficiência e ineficácia de suas propostas governamentais, mas simplesmente ofender e agredir os eleitores do adversário pelo simples prazer e necessidade de, por terem votado diferente, cultivar e propagar o ódio e o preconceito. A insatisfação se transfigurou em ressentimento; e o ressentimento deu voz, espaço e ação ao ódio…

* A Democracia vive!

Pois é amigo leitor. A cada vez que uma eleição ocorre e o seu resultado é respeitado, a Democracia se fortalece.

Não se nega que em nossa Democracia exista corrupção, negociata política, jogo de interesses os quais nem sempre claros, honestos e éticos. Mas a vantagem da Democracia é que isso pode e deve ser investigado e as responsabilidades apuradas. E os envolvidos, punidos!

Quando a preocupação dos eleitores que optaram pelo candidato derrotado é ofender e agredir os eleitores do candidato vencedor, não estamos mais falando de política, mas de caráter, de ética e de respeito.

Acho até que nossa sociedade, em se tratando de política, adoeceu. Sim, doença é o que me parece, mas isso é conversa para outro momento…

  Bom fim de semana e até à próxima, se Deus quiser.

PS – terminando com assuntos mais amenos: atenção tu que está se preparando pera o ENEM. Estuda o Grêmio, pois já caiu três vezes e parece que vai cair de novo…. ahahahahah (e o Colorado, não? Ahahahahah)

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