Logo após sua morte, ocorrida na residência da Casa Santa Marta, o corpo de Francisco foi preparado com paramentos litúrgicos vermelhos e exposto em uma capela privada. O Camerlengo, cardeal Kevin Farrell, realizou o rito de constatação da morte, como previsto pelas normas da Igreja, e providenciou a destruição do anel do pescador, símbolo da autoridade papal.
Desde terça-feira (22), o corpo do pontífice esteve exposto na Basílica de São Pedro, onde permaneceu por três dias para visitação pública. Fiéis enfrentam longas filas para prestar suas homenagens ao papa argentino, cuja simplicidade e atenção aos pobres marcaram profundamente o seu pontificado. Durante esse período, foram celebradas missas diárias, no rito tradicional conhecido como Novemdiales, nove dias de orações em sufrágio pela alma do falecido.
O funeral do Papa Francisco será hoje, sábado (26), às 10h (horário de Roma), na Praça de São Pedro. A cerimônia será presidida pelo cardeal Giovanni Battista Re, decano do Colégio de Cardeais, e deverá reunir chefes de Estado, líderes religiosos e milhares de fiéis.
Ao final da celebração, o corpo de Francisco será sepultado na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, conforme seu desejo pessoal. A escolha rompe com a tradição de sepultamento na cripta da Basílica de São Pedro e reflete a devoção mariana e a humildade que marcaram sua vida. A tumba será uma laje de mármore branco, com a inscrição “FRANCISCUS” e uma réplica de sua cruz peitoral.
A pedido do próprio pontífice, seu corpo foi depositado em um caixão duplo, composto por madeira e zinco, em vez da tradicional sequência de três caixões com chumbo e madeira nobre. A decisão reflete seu estilo de vida austero e sua aversão a excessos cerimoniais. Junto ao corpo foi colocado o Rogito, documento que resume sua vida e pontificado.
Com sua morte, teve início o período de sede vacante, quando o trono de São Pedro permanece vazio até a eleição de um novo pontífice. O conclave, que reunirá os cardeais eleitores com menos de 80 anos, deve ser convocado nos próximos dias.
Francisco, o primeiro papa latino-americano e jesuíta, deixa um legado de compaixão, justiça social e compromisso com os marginalizados. Sua morte encerra um capítulo marcante na história da Igreja, mas suas palavras, seus gestos e suas reformas seguirão ecoando por gerações.
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