3º lugar ficou
Eduardo Dornelles Carvalho,
da EMEF Nero Pereira de Freitas, orientado pela professora
Alexandra Rosa, com o texto
“Lembranças de uma professora”.
Lembranças de uma professora
Eu cresci em Vila Melos, hoje, Vale Verde, na localidade de Monte Alegre. Ali, entre brincadeiras de criança e os primeiros cadernos escolares, nasceu o meu sonho de ser professora. Desejo que foi se firmando com o tempo, mas teve raízes fortes no exemplo de duas mulheres, professoras muito especiais, minhas tias, Lorena e Vilma. Minha tia Lorena, inclusive, foi minha professora em Vila Melos, hoje, Escola Curupaiti.
Quando decidi seguir esse caminho, fui à General Câmara realizar as provas. Minha nomeação veio logo em seguida e fui lecionar na Escola Adélia Figueiredo de Menezes, no Buraco Fundo. Era o começo de uma jornada que eu sempre soube que queria viver.
O meu trajeto até a escola era feito a cavalo. A cada passo da égua baia, crescia a vontade de ensinar. As turmas eram multisseriadas. As professoras faziam merenda e a limpeza da escola com a ajuda dos alunos. Tudo era difícil naquela época para ensinar as crianças, não havia livros, o que tínhamos era pouco, mas o sorriso delas era recompensador.
Eu ia à casa da professora Lucy Menezes, ela me orientava e dividia sua experiência. Olhava seus diários de planejamento que muito me inspiravam. Folhava cada página como quem descobre um tesouro escondido, ali encontrava ideias, exemplos, inspiração.
Naquela época, tudo era feito com esforço, era preciso enviar os comprovantes dos alunos e o diário da professora para General Câmara. Também enviávamos as chamadas sabatinas, que eram provas simples, escritas à mão, mas de um peso quase cerimonial. Como não havia outros meios, tudo ia pelo ônibus, o mesmo que levava passageiros, levava também os sonhos e os papéis da escola.
Lembro do dia em que a professora Zaida Oliveira comprou um mimeógrafo. Foi uma pequena revolução, aquela máquina com cheiro de álcool e tinta azulada. Ia à casa dela para fazer as sabatinas. Não foi um tempo fácil, às vezes, passava meses sem receber o salário e, com o pouco que ganhava, ainda ajudava a vestir meus sete irmãos. Mas, as recompensas vêm em forma de reconhecimento, ao receber, anos depois, a visita de meus alunos, agora adultos.
Quatro décadas depois, minha filha passou a lecionar na Escola Adélia. Sinto um imenso orgulho, é a continuidade de gerações, já que tive alunos que hoje são avós dos alunos dela. São outros tempos, mas, ainda sim, ser professor não é fácil. As dificuldades são outras, mas existem. Vejo na minha filha o mesmo amor que eu tinha pela profissão. Ser professor é uma profissão difícil, mas recompensadora, por cada aluno que vemos ter sucesso na vida.
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