A 1ª colocada foi
Suzane de Abreu Severo,
da Escola Curupaiti, orientada por
Leila Rosa de Abreu Severo, com o texto
“Aqui eu sou alguém”.
Aqui eu sou alguém
Ouço alguns da minha geração dizerem que Vale Verde é pequeno demais, que não querem permanecer aqui quando chegarem à vida adulta.
A minha opinião, porém, é diferente. Viver em Vale Verde, no coração do Rio Grande do Sul, é experimentar a vida em um compasso mais calmo. É trocar a pressa e o barulho das cidades grandes pela tranquilidade que nos aproxima de nós mesmos. É respirar o ar puro, sentir a força das nossas raízes, ouvir ao amanhecer o ronco dos bugios nos cerros de mata nativa e o chamado das saracuras correndo pelos campos.
Viver em Vale Verde é bom porque aqui sentimos a brisa vinda das águas do Rio Jacuí, vemos os pescadores voltando em suas canoas carregadas de peixes, celebramos nossas origens alemãs em cada Festa de Maio, participamos das festas das Comunidades Católicas, ouvimos o badalar do sino luterano, sinal de fé e de história. É beber da água pura que desce das pedras das matas, provar as cucas e galinhadas, sabores herdados da cultura germânica que permanece viva entre nós.
Aqui não somos desconhecidos. Cada um é chamado pelo nome, e até no comércio ainda existe a confiança do “caderninho”, privilégio dos bons pagadores.
Muitos deixam Vale Verde em busca das grandes cidades, mas lá encontram violência, falta de paz e, muitas vezes, acabam perdendo as raízes.
Em Vale Verde, o prefeito caminha entre nós, cumprimenta, pergunta como estamos, é parte da comunidade. Nas cidades grandes isso não existe. Quanto ao trabalho, para quem quer, sempre há oportunidade, seja aqui ou em empresas de fora que buscam nossa gente. O que falta não é emprego, mas vontade de estudar, de lutar e de crescer.
Eu gosto de Vale Verde porque aqui não sou apenas mais um. Aqui tenho nome, tenho lugar, aqui eu sou alguém.
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