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sábado, 04 de julho de 2026   Vale do Rio Pardo Indicadores atualizados Edição Digital
Dom Itacir

A violência como ideologia e estratégia política

Sei que falar ou escrever com as vísceras é perigoso. A comoção pode distorcer o olhar e levar à perda da objetividade. Também podemos levar a agredir a dignidade dos outros. Mas eu assumo esse risco, e confesso: Não consigo abordar os conceitos comedidos e esterilizados a mal...

Escrevo com a força das vísceras porque ainda me resta um pouco da humanidade que herdei dos meus ancestrais e a levo em minhas células peregrinas; porque recuso-me a embebedar-me de indiferença; e porque me inspirei em Jesus de Nazaré, cujas entranhas se remoíam diante do sofrimento dos pobres e da violência ou descaso dos opressores.

Por mais que me quisessem convencer do contrário, o que ocorreu nos complexos da Penha e do Alemão não foi uma operação em vista da segurança da população, mas um massacre deliberado, inclusive como estratégia política. As vítimas não constam no mandato de prisão e os itens de mortos não tinham passagem pelo crime. Isso não é prova suficiente?

Até quando beberemos, com o café da manhã ou com a cerveja do fim da tarde, uma ideologia que atribui à violência e à morte o poder de promover a paz e a segurança? A morte é estéril, não gera vida, apenas reproduz a morte. Por isso, tenho pena da morte, tão desejada, idolatrada e praticada, mesmo à revelação da lei e até como estratégia política.

A desolação torna-se insuportável quando, para coroar com nosso podre o vírus da indiferença e a banalidade da violência, deputados dedicam um minuto de aplauso às mortes contabilizadas, e o governador canta hinos que dão a entender que ele agiu inspirado e sustentado por Deus. Pobre Jesus Cristo, ele mesmo vítima da pena de morte…

Que ninguém recorre às Escrituras para afirmar que os criminosos devem pagar com a própria vida a morte que provocaram. Caim matou Abel, e, mesmo numa cultura que legalizava a vingança, Deus o protege para que não seja morto (cf. Gn 4,15). E Jesus, olhando para os agentes da violência que o assassinavam para “defender a segurança de Israel”, pede ao Pai que os perdoe, porque não sabem o que fazem (cf. Lc 23,34).

Dom Itacir Brassiani msf

Bispo de Santa Cruz do Sul

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Tipo de conteúdo Notícia
Fonte/Origem Apuração/Redação
Autor Gazeta Popular
Atualização 10/11/2025 às 06:37
Categoria Dom Itacir
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Extensão 418 palavras
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O que aconteceu?A violência como ideologia e estratégia política
Onde?Santa Cruz do Sul
Fonte da informaçãoRedação Gazeta Popular

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Fonte/OrigemApuração/Redação
Última atualização10/11/2025 às 06:37

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