O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa básica de juros em 13,75% ao ano na quarta-feira (4). A decisão interrompeu uma sequência de cinco cortes e foi tomada na primeira reunião do colegiado após o segundo turno das eleições presidenciais. Em setembro, a Selic havia recuado de 14% para o patamar atual.
A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) avaliou que a pausa foi prudente diante da piora das expectativas de inflação e das dúvidas sobre a política fiscal após as eleições. Na avaliação da entidade, esperar pela definição da equipe econômica e por medidas para as contas públicas reduz o risco de retomar os cortes em meio à instabilidade do câmbio e dos juros de longo prazo.
Inflação desacelera no mês, mas sobe em 12 meses
O IPCA-15, prévia da inflação oficial, subiu 0,32% em outubro, após alta de 0,70% em setembro. Apesar da desaceleração mensal, o acumulado em 12 meses avançou de 4,47% para 4,62%. O resultado ficou acima de 4,5%, limite superior da faixa de tolerância usada para o IPCA oficial, índice que serve de referência para a meta de inflação de 3%.
Alimentação e bebidas foi o grupo que mais pressionou o índice, com alta de 0,88%. Os alimentos consumidos em casa ficaram 1,01% mais caros, enquanto a gasolina subiu 0,92% e o etanol, 2,73%. As quedas nas passagens aéreas (9,24%) e na energia elétrica residencial (0,89%) ajudaram a conter a alta do mês.
Mercado prevê inflação maior e crescimento menor
O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na terça-feira (3), antes da decisão do Copom, mostrou aumento nas projeções de inflação e juros. A estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 caiu pela terceira semana consecutiva. Os números refletem as expectativas dos analistas consultados pelo Banco Central.
| Indicador | Projeção anterior | Projeção divulgada em 3 de novembro |
|---|---|---|
| Inflação oficial em 2026 | 5,19% | 5,22% |
| Inflação oficial em 2027 | 4,34% | 4,76% |
| Selic no fim de 2026 | 13,25% | 13,50% |
| Selic no fim de 2027 | 11,75% | 12,50% |
| Crescimento do PIB em 2026 | 1,80% | 1,76% |
O câmbio também entrou no radar. Na quinta-feira (5), a taxa de referência do Banco Central, a PTAX, ficou em R$ 5,4621 para venda. No Focus, os analistas projetaram dólar a R$ 5,34 no fim de 2026 e a R$ 5,40 no fim de 2027. A FecomercioSP também aponta as eleições legislativas dos Estados Unidos como fonte de incerteza para a política comercial americana e para o câmbio.
Juros elevados pesam sobre o crédito
Para as famílias, a Selic elevada ajuda a manter caro o financiamento de compras. Para as empresas, pesa sobre o custo do capital de giro e dos investimentos. A FecomercioSP avalia que um corte adicional de 0,25 ponto percentual teria efeito limitado sobre a atividade neste momento, enquanto a percepção de maior risco inflacionário poderia pressionar os juros de prazos mais longos.
A entidade defende que o governo esclareça a estratégia para as contas públicas, com medidas para conter o avanço das despesas obrigatórias e estabilizar a dívida. O Copom volta a se reunir em 8 e 9 de dezembro, na última reunião de 2026. Antes disso, o IPCA oficial de outubro está previsto para 12 de novembro.




