Raiva em herbívoros reforça alerta para vacinação e cuidados nas propriedades rurais

Rio Grande do Sul registrou 66 amostras positivas entre janeiro e setembro de 2026; suspeitas devem ser comunicadas imediatamente à Defesa Agropecuária

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Raiva em herbívoros reforça alerta para vacinação e cuidados nas propriedades rurais

A circulação do vírus da raiva no Rio Grande do Sul reforça a importância da vacinação dos rebanhos e da vigilância nas propriedades rurais. Entre janeiro e setembro de 2026, 66 amostras de herbívoros tiveram resultado positivo no Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa em Saúde Animal Desidério Finamor (IPVDF), vinculado à Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi). O levantamento foi divulgado pela pasta nesta quinta-feira, 29 de outubro.

A doença afeta mamíferos, incluindo bovinos, equinos e seres humanos, e compromete o sistema nervoso. A transmissão ocorre pela saliva de animais infectados, principalmente por mordidas, mas também por arranhões e contato da saliva com mucosas ou pele lesionada. Depois do aparecimento dos sintomas, a raiva apresenta letalidade próxima de 100%, o que torna a prevenção e o atendimento após uma possível exposição fundamentais.

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No meio rural, os morcegos hematófagos, que se alimentam de sangue, são os principais transmissores aos rebanhos. Segundo a fiscal agropecuária Carla Rosane Rodenbusch, os registros em herbívoros no Estado costumam se concentrar entre maio e outubro. Como os sinais podem surgir meses depois da infecção, o adoecimento nem sempre coincide com a época em que o produtor percebeu ataques de morcegos.

Vacinação precisa de continuidade

A imunização é uma das principais medidas para reduzir o risco de perdas. Conforme o Ministério da Agricultura e Pecuária, animais vacinados pela primeira vez devem receber uma segunda dose após 30 dias. A revacinação deve considerar que a imunidade conferida pela vacina dura, no máximo, 12 meses. A orientação é procurar assistência veterinária para organizar o calendário do rebanho.

A conservação também interfere na proteção. A vacina deve permanecer refrigerada entre 2°C e 8°C, protegida do sol, e nunca pode ser congelada. O prazo de validade precisa ser respeitado. O Ministério recomenda a vacinação preferencialmente a partir dos três meses de idade; em animais mais jovens, a indicação depende de avaliação veterinária.

Mudanças de comportamento exigem atenção

Andar cambaleante, salivação excessiva, tremores, paralisia e dificuldade para permanecer em pé estão entre os sinais que exigem investigação. Essas manifestações também podem ocorrer em outras enfermidades, por isso a confirmação depende da avaliação dos profissionais e dos exames laboratoriais.

Ao perceber um animal com comportamento diferente, apatia ou dificuldade para caminhar e se alimentar, o produtor deve evitar manipulá-lo e acionar imediatamente a Inspetoria de Defesa Agropecuária. A extensionista rural da Emater/RS-Ascar Thais Michel recomenda manter o animal separado dos demais, sem contato direto.

A suspeita de raiva é de notificação obrigatória. A comunicação ao Serviço Veterinário Oficial pode ser feita presencialmente, por telefone, por e-mail ou pelo sistema e-Sisbravet. Não é necessário aguardar a confirmação para avisar as autoridades.

Contato com animal suspeito requer atendimento de saúde

Pessoas mordidas, arranhadas ou que tenham recebido saliva de animal suspeito em feridas ou mucosas devem lavar imediatamente a área atingida com bastante água corrente e sabão e procurar um serviço de saúde. A equipe avaliará a necessidade de vacina e soro antirrábico. O atendimento deve ser procurado prontamente, sem esperar o resultado do exame do animal.

Morcegos não devem ser manuseados

Morcegos encontrados caídos, mortos ou com comportamento incomum devem ser comunicados à Vigilância Ambiental ou à Secretaria Municipal de Saúde. A população deve evitar tocá-los e buscar orientação para o recolhimento. A presença desses animais também exige cuidado para impedir o contato com cães e gatos.

Embora participem do ciclo da raiva, diferentes espécies de morcegos desempenham funções importantes no controle de insetos, na polinização e na dispersão de sementes. A prevenção envolve manter os animais domésticos e de produção vacinados, comunicar situações suspeitas e permitir que as equipes responsáveis conduzam as medidas de vigilância.

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