De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (5) pela Emater/RS-Ascar, há uma expressiva variabilidade no desempenho das lavouras. A irregularidade das chuvas e o déficit hídrico em períodos críticos — especialmente durante a floração e o enchimento de grãos — impactaram a produtividade. Em áreas irrigadas, os rendimentos seguem elevados, enquanto lavouras de sequeiro já registram reduções consolidadas.
Os plantios tardios ou de segundo cultivo enfrentam maior restrição hídrica, sobretudo no estabelecimento e nas fases reprodutivas. Ainda assim, a colheita evolui rapidamente e parte das áreas já foi liberada para novas semeaduras. As lavouras que permanecem em desenvolvimento vegetativo, cerca de 9%, ainda dependem da manutenção da umidade do solo para confirmar o potencial produtivo.
A estimativa aponta o cultivo de 785.030 hectares, com produtividade média de 7.370 quilos por hectare.
Soja apresenta lavouras desiguais
A soja demonstra heterogeneidade no desenvolvimento em todo o Estado, reflexo da distribuição irregular das precipitações e das temperaturas elevadas. Há lavouras com bom crescimento vegetativo e alto potencial produtivo, mas também áreas sob estresse hídrico — situação que pode ocorrer até dentro de um mesmo município.
Atualmente, a maior parte das plantações está em fases de elevada exigência de água, como floração (46%) e formação de vagens e enchimento de grãos (27%), o que amplia a sensibilidade à redução da umidade do solo.
Para a safra 2025/2026, a projeção é de 6.742.236 hectares cultivados, com produtividade média de 3.180 kg/ha.
Milho para silagem sofre com calor intenso
O período recente foi marcado por calor forte, baixa umidade e chuvas extremamente desiguais, com temperaturas acima de 30 °C em praticamente todo o Estado e picos superiores a 35 °C em vários municípios. O cenário agravou o estresse hídrico nas regiões sem precipitações adequadas.
As áreas implantadas mais tardiamente não sofreram impactos significativos e apresentam bom desenvolvimento. Já em lavouras precoces, produtores têm antecipado a colheita para evitar perdas na qualidade da massa destinada à silagem.
A área prevista para o cultivo chega a 366.067 hectares, com produtividade estimada em 38.338 kg/ha.
Feijão tem avanço na semeadura e na colheita
As condições climáticas favoreceram a semeadura do feijão de primeira safra nos Campos de Cima da Serra — única região com áreas relevantes ainda em implantação — e também contribuíram para o avanço da colheita nas demais localidades.
Apesar disso, a má distribuição das chuvas gera diferenças visíveis nas lavouras. Cerca de 20% das áreas estão em desenvolvimento vegetativo sem problemas relevantes até o momento, embora alguns cultivos já sintam os efeitos da deficiência hídrica.
A projeção é de 26.096 hectares e produtividade média de 1.779 kg/ha.
Já a semeadura do feijão de segunda safra atinge aproximadamente 20%, com lavouras em fase vegetativa. A área estimada é de 11.690 hectares, com produtividade prevista de 1.401 kg/ha.
Arroz mantém bom desenvolvimento, mas calor preocupa
A cultura do arroz apresenta desenvolvimento compatível com as fases fenológicas, beneficiada pelos dias ensolarados e pela elevada radiação solar. As temperaturas mínimas permaneceram próximas do ideal, mas as máximas acima de 35 °C elevaram o risco de falhas na fecundação das espiguetas em áreas reprodutivas.
Predominam lavouras entre os estádios vegetativo e reprodutivo, com bom crescimento e sanidade, favorecidos por condições menos propícias à ocorrência de doenças fúngicas. O manejo da irrigação tem sido decisivo diante do aumento da demanda hídrica e da redução gradual dos reservatórios em algumas regiões.
Também se observa moderação nos investimentos em insumos, especialmente fertilizantes nitrogenados, estratégia adotada por produtores para conter custos sem comprometer, até o momento, o potencial produtivo.
A área cultivada está estimada em 920.081 hectares, com produtividade prevista de 8.752 kg/ha.
Foto: José Schäfer
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