Salve amigos leitores
Eleição 2026 – análises finais (eu espero), parte I, pois que dividi essas “impressões” em duas colunas.
* O resultado do pleito
A quem o resultado da eleição presidencial deste ano surpreendeu?
Os eleitores do Lula acreditavam na virada? Eu acho que um pouco, muito parcimoniosamente, pois, apesar das expectativas, os sinais de “surpresa” eram bastantes claros.
Os eleitores do Bolsonaro acreditavam na virada do adversário? Pelo que vi, acho que não, pois os sinais de “surpresa” eram bastante claros.
No fim deu o óbvio: um candidato ganhou e o outro perdeu. E viva a Democracia, assim, com letra maiúscula. As urnas são soberanas.
* Em que momento o Lula começou a ganhar?
Eis aí questão muito interessante, que eu deixo para os estudiosos as conclusões mais objetivas. Mas não me privo de dar meus “palpites” e dividi-los com o amigo leitor.
Para mim, o resultado da eleição começou a se definir muito antes das bobagens cometidas pelo Flávio no debate da Globo, pois ali muitos “indecisos” puderam ver algumas das características do candidato que até então pareciam apenas “argumentos infundados” destacados por seu oponente. Lula foi mais esperto que o Flávio: deu corda para ele e ele acabou se enrolando. A do “nove dedos” então, foi de uma grosseria, ignorância, preconceito e falta de habilidade tremenda, que o Lula soube explorar muito bem.
Começou a se definir também quando as redes sociais começaram a fazer parte, de forma mais intensa, da campanha do Lula, pois até então, quem as dominava eram as manifestações pró Bolsonaro, tanto em quantidade quanto em agressividade (em qualidade, não, e foi o que faltou). Também contribuiu o fato de o candidato Flávio mudar seu discurso e passar a “defender” ideias e medidas que até então ele sempre condenara, e quando interpelado por tão significativa mudança, ele não conseguia se explicar e justificar de forma satisfatória, pois que muitos não acreditavam, e muitos outros passaram a desacreditar.
Do lado do Lula, o destaque para desmascarar as manifestações e notícias comprovadamente falsas do adversário, se tornaram, também, importante instrumento de propaganda. Focou nas suas realizações, o que era fácil, afinal fora eleito para isso e tinha a máquina pública a seu favor.
Esses elementos no conjunto e inter-relacionados fizeram com que o eleitor não alinhado aderisse à campanha (do Lula) de forma mais efetiva, e levasse consigo um bom número de “novos” eleitores. E fez-se a diferença.
No segundo turno, ambos candidatos aumentaram os seus votos, porém o Lula aumentou muito mais. E ganhou.
* Lambança
A prorrogação do horário de votação em duas horas foi uma das maiores lambanças do poder judiciário brasileiro nos últimos tempos (estou falando de lambanças, não de escândalos, comportamentos suspeitos, obscuridades, etc., pois essas parecem competir entre si para ver qual a maior e a mais desavergonhada).
Mesmo tendo sida a prorrogação requerida pelas duas chapas contendoras, o judiciário poderia ter alegado “falta de prazo razoável para a materialização/implantação efetiva da medida pleiteada” e ter rejeitado-a, pois assim, não abriria espaço para tantos mal-entendidos, interpretações dúbias e diz-que-disse. Mas não, precisavam meter o bedelho, se meter de pato-a-ganso, atrair para si as atenções do processo eleitoral, e fizeram uma grande “cavada”… Mais uma.
* Democracia (assim, com letra maiúscula)
Pois é amigo leitor, não canso de dizer: tudo isso que está acontecendo só é possível por que estamos em uma Democracia. Uns ganham e comemoram, outros perdem e choram, e isso faz parte do processo democrático.
Ninguém disse que em uma Democracia não existe corrupção, politicagem, favorecimentos e um grande jogo de interesses, muitas vezes escusos e criminosos. Mas o bom da Democracia é que tudo isso pode (e deve) ser investigado e as responsabilidades apuradas. Já estivemos em uma ditadura, e nela, a regra máxima é: “aos amigos do rei, as benesses da lei; aos inimigos do rei, os rigores da lei”.
Pior é ver tanta gente dizendo que o Brasil não é uma Democracia e defendendo, muito clara e objetivamente, a implantação de uma ditadura, sendo que isso só é possível por que estamos em uma Democracia… Vai entender…
O assunto não se esgota. Voltaremos!!!
Bom fim de semana e até à próxima, se Deus quiser.
PS – É comum ver-se fugir de ditaduras, de guerras, de catástrofes humanitárias e naturais, mas ver fugir de uma Democracia, não é todo dia que se vê. A vergonha alheia foi atualizada com sucesso! Que barbarbaridade.
Gostei de ler: “se eu vencer, as regras do jogo estão corretas; se eu perder, não valeu, faço birra e abandono o jogo. Para Piaget, esta fase do desenvolvimento moral ocorre em crianças entre cinco e oito anos de idade”. Se non è vero, è benne trovato!!! Aahahahahah

