As perspectivas econômicas para a cadeia produtiva do tabaco foram debatidas nesta quinta-feira, 29 de outubro, em Venâncio Aires. O encontro reuniu representantes da indústria e dos produtores para discutir o comportamento do mercado, o planejamento das safras e os possíveis impactos da reforma tributária sobre uma das principais atividades econômicas do Vale do Rio Pardo.
Participaram do painel o vice-presidente de Assuntos Fiscais do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) e diretor administrativo e financeiro da China Brasil Tabacos, Roberto Naue, e o presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) e da Associação Internacional dos Produtores de Tabaco (ITGA), Marcílio Drescher.
Durante o debate, Naue apresentou números que demonstram a dimensão econômica da atividade. Segundo ele, a indústria do tabaco gera 44 mil vagas de trabalho, recolhe aproximadamente R$ 24 bilhões em impostos diretos e movimenta mais de US$ 3 bilhões em exportações.
Na avaliação do executivo, esses resultados reforçam a importância do setor para a economia regional e nacional, além de evidenciarem a necessidade de acompanhar mudanças que possam afetar sua competitividade.
Planejamento da safra e qualidade do produto
Ao analisar o mercado, Naue explicou que as empresas organizam suas atividades com base na produção contratada pelo Sistema Integrado de Produção de Tabaco (SIPT). Entretanto, oscilações na oferta e na demanda podem alterar esse planejamento e influenciar os negócios.
Entre os fatores que interferem nesse equilíbrio, o representante da indústria citou a produção fora do sistema integrado, os eventos climáticos e o volume colhido nos países concorrentes.
Drescher afirmou que a safra atual apresenta características semelhantes às da anterior e reforçou a orientação da Afubra para que os agricultores mantenham o equilíbrio da produção, sem ampliar a área plantada.
O dirigente também destacou a qualidade do tabaco brasileiro como um diferencial no comércio internacional. Conforme sua avaliação, preservar essa referência é fundamental diante da concorrência de países que contam com incentivos governamentais e custos de produção menores.
Reforma tributária gera preocupação com custos
Os possíveis efeitos da reforma tributária estiveram entre os principais assuntos do encontro. Naue avaliou que a simplificação do sistema é positiva, mas afirmou que o cenário considerado pelo setor aponta para o risco de aumento dos custos de produção e de perda de competitividade no mercado internacional.
Segundo o executivo, ainda existem dúvidas sobre a aplicação das regras durante a transição, especialmente em relação à tributação dos insumos e aos mecanismos de compensação ao longo da cadeia.
Na estimativa apresentada por Naue, a tributação dos insumos adquiridos pelos produtores poderá ficar em torno de 6%, enquanto a carga média atual desses produtos estaria entre 2% e 2,5%. Na avaliação dele, essa diferença poderá pressionar os custos da atividade.
Outro ponto levantado foi o tratamento dos pequenos produtores no novo sistema de Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Naue afirmou que o enquadramento desses agricultores e as regras de aproveitamento de créditos pela indústria serão determinantes para o impacto final sobre a cadeia.
O representante do SindiTabaco mencionou a previsão de crédito presumido na aquisição do tabaco pela indústria, mas ressaltou que ainda há indefinições sobre o percentual e a aplicação desse mecanismo. Também apontou dúvidas sobre a possibilidade de diferimento, que permite adiar o recolhimento do tributo para outra etapa da operação.
Imposto Seletivo e mercado ilegal
A futura cobrança do Imposto Seletivo sobre os cigarros também foi abordada. Conforme Naue, as incertezas sobre o formato e o peso da tributação dificultam a avaliação dos efeitos sobre o mercado.
O executivo manifestou preocupação com a possibilidade de ampliação da diferença de preços entre o cigarro legal e o contrabandeado. Na avaliação dele, um aumento dessa distância pode favorecer o comércio ilegal e prejudicar as empresas que atuam regularmente.
Drescher também criticou a elevação da carga tributária sobre o produto. Para o presidente da Afubra, o aumento dos impostos pode estimular a ilegalidade e comprometer a expectativa de maior arrecadação.
As manifestações reforçaram a preocupação dos representantes do setor com o equilíbrio entre produção, custos e demanda, em um cenário de mudanças tributárias e concorrência internacional.

