Chuvas limitam plantio da soja e dificultam colheita de inverno no RS

Excesso de umidade restringe entrada de máquinas nas lavouras; milho alcança 76% da área prevista para a safra

• 5 min de leitura
Chuvas limitam plantio da soja e dificultam colheita de inverno no RS

 

As chuvas frequentes têm dificultado o início da safra de soja 2026/2027 no Rio Grande do Sul. A elevada umidade do solo impede o acesso de máquinas em parte das propriedades e mantém produtores à espera de condições mais favoráveis para a semeadura. Ao mesmo tempo, o excesso de precipitações prejudica a colheita das culturas de inverno e aumenta a preocupação com a qualidade dos grãos.

📢 Acompanhe a Gazeta PopularNotícias de Passo do Sobrado, Vale Verde e região em tempo real.

O cenário consta no Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira, 15 de outubro. Para a soja, a entidade estima o cultivo de aproximadamente 6,65 milhões de hectares no Estado, com produtividade média inicial de 3.183 quilos por hectare. Os números representam uma projeção para a temporada e dependerão das condições ao longo do desenvolvimento das lavouras.

Na maior parte do território gaúcho, os trabalhos se concentram na dessecação das plantas de cobertura e na preparação das áreas. A cautela dos agricultores também está relacionada ao risco de precisar refazer o plantio após chuvas intensas, ampliando os gastos com a implantação da cultura.

Na região de Santa Rosa, cerca de 6% dos 786,2 mil hectares previstos já foram semeados. As primeiras áreas estão concentradas em propriedades que utilizam recursos próprios e em locais com autorização para antecipação do plantio. Na região de Pelotas, há registros de implantação em Herval, Canguçu e Piratini. Em Soledade, o avanço também ocorre lentamente.

 

Plantio antecipado soma mais de 20 mil hectares

Além do levantamento da Emater, a Secretaria Estadual da Agricultura informou que 127 propriedades, distribuídas por 35 municípios, solicitaram antecipação da semeadura da soja. Os pedidos abrangem 20.462,8 hectares.

A medida permitiu o plantio a partir de 15 de setembro, mediante autorização e apresentação de um plano de manejo da ferrugem asiática. A demanda partiu principalmente de produtores da região de Santa Rosa, que buscam ajustar o desenvolvimento da cultura às condições de disponibilidade de água.

A Secretaria ressalta que as áreas semeadas antecipadamente não estão amparadas pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) e, por isso, eventuais perdas nessas lavouras não terão cobertura do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro). O acompanhamento envolve o monitoramento da ferrugem asiática e a avaliação da produtividade.

 

Milho avança, mas enfrenta dificuldades

A semeadura do milho chegou a 76% dos 896,4 mil hectares projetados para o Rio Grande do Sul. Apesar do avanço, a combinação de solo encharcado, pouca luminosidade e temperaturas amenas tem retardado o crescimento das plantas.

Segundo a Emater, os volumes elevados de chuva também podem favorecer a perda de nutrientes do solo. No Noroeste, temporais com granizo e ventos fortes danificaram lavouras e reduziram a população de plantas em algumas áreas. Parte das plantações, entretanto, apresenta recuperação satisfatória.

No milho destinado à silagem, o plantio alcançou 53% dos 369,4 mil hectares previstos. A maior parte das lavouras implantadas permanece em desenvolvimento vegetativo.

 

Arroz tem problemas em áreas de várzea

A implantação do arroz irrigado apresenta diferenças entre as regiões. Enquanto os trabalhos avançam com maior intensidade na Fronteira Oeste e no Sul, as chuvas restringem o preparo do solo e a semeadura na Região Central e no Litoral.

O levantamento aponta que aproximadamente um terço da área estadual havia sido semeado. Em determinados locais, o excesso de água provocou alagamentos, danos em taipas e dificuldades no estabelecimento das plantas. Nas várzeas próximas a cursos d’água, as inundações aumentam a preocupação com a continuidade dos trabalhos.

A área prevista pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) para a temporada é de 861,8 mil hectares.

 

Qualidade do trigo preocupa produtores

Nas culturas de inverno, a colheita do trigo chegou a 9% da área plantada, com interrupções provocadas pelo tempo chuvoso. O excesso de umidade e a baixa incidência de sol prejudicam o enchimento dos grãos e podem comprometer o rendimento e a qualidade comercial.

Em lavouras próximas da colheita, foram observados grãos enrugados e alterações que elevam o risco de redução do peso hectolitro, indicador utilizado na avaliação do produto. A retirada de grãos com maior umidade também aumenta os custos de secagem.

A aveia-branca apresenta 22% da área colhida. Em algumas regiões, a qualidade abaixo da exigida pela indústria tem levado à destinação dos grãos para alimentação animal. Na canola, a chuva dificulta a colheita e aumenta o risco de germinação ainda nas estruturas que abrigam as sementes.

 

Pecuária também sente os efeitos

O período chuvoso interfere ainda na rotina das propriedades leiteiras. A formação de barro nas áreas de circulação e alimentação exige cuidados adicionais com a higiene e a saúde dos animais.

Em algumas propriedades, interrupções no fornecimento de energia prejudicaram a ordenha e a conservação do leite. Na criação de ovinos, a umidade aumenta a necessidade de atenção aos cascos e às instalações, além de provocar atrasos pontuais na esquila.

 

Com informações da Emater/RS-Ascar e da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul.

Assuntos: · · · ·