Na próxima segunda-feira, 12 de outubro, o Brasil celebra o Dia das Crianças. Entre presentes, brincadeiras e encontros em família, a data também convida a olhar para as condições em que meninos e meninas crescem. Sua história começou há mais de um século, ligada à preocupação com a infância, antes de se tornar uma tradição marcada pelas campanhas de lojas e fabricantes de brinquedos.
A comemoração foi instituída pelo Decreto nº 4.867, de 5 de novembro de 1924, sancionado pelo presidente Artur Bernardes. O documento estabeleceu o dia 12 de outubro para a realização da “festa da criança” em todo o território nacional. Em 2026, a oficialização completa 102 anos.
A proposta é atribuída ao então deputado federal Galdino do Valle Filho. Entretanto, a mobilização pela criação da data tinha raízes mais amplas. Uma pesquisa do Arquivo do Senado identifica sua origem nos congressos de proteção à infância realizados no Rio de Janeiro em 1922, durante as comemorações do centenário da Independência. A escolha de 12 de outubro buscava associar as novas gerações à chegada dos europeus à América e estimular outros países americanos a adotar a mesma celebração.
Como os presentes ganharam espaço
Nos primeiros anos, as atividades incluíam passeios, sessões gratuitas de cinema, jogos e distribuição de roupas e brinquedos. A celebração também refletia uma época em que a assistência à infância convivia com práticas de controle social e com a exploração do trabalho de crianças pobres.
Segundo a pesquisa histórica publicada pela Agência Senado, empresas já utilizavam a comemoração para promover produtos na década de 1930. Foi nos anos 1960 que a associação entre o Dia das Crianças e a compra de presentes passou a predominar. Portanto, a data não nasceu de uma campanha comercial: o comércio ajudou a popularizá-la e a transformar sua forma de celebração.
Preços exigem atenção das famílias
O peso dos presentes no orçamento varia conforme o produto escolhido. Um levantamento da plataforma Rico, divulgado pelo UOL em 7 de outubro, aponta que uma cesta de artigos relacionados à comemoração acumulou alta de 32% entre setembro de 2021 e agosto de 2026, acima dos 29,9% do IPCA no mesmo intervalo.
Nesse período de cinco anos, chocolates e bombons subiram 76,1%, calçados infantis avançaram 50,6% e brinquedos tiveram aumento de 29,8%. Já os números de videogames e roupas infantis correspondem a outro intervalo: no acumulado de 2026 até agosto, os primeiros aumentaram 11,68%, enquanto o vestuário infantil recuou 0,38%.
A diferença entre os períodos é importante para compreender os dados. Os percentuais também não representam o reajuste de todos os produtos encontrados nas lojas nem uma pesquisa específica sobre os preços no Vale do Rio Pardo.
Para quem deseja celebrar com pouco gasto, há alternativas como organizar brincadeiras em casa, compartilhar histórias, preparar uma receita ou aproveitar espaços públicos adequados ao lazer. O encontro pode ser planejado conforme a realidade de cada família e os interesses da criança.
Brincar é um direito
A proteção da infância ganhou outro marco com a Constituição de 1988. O artigo 227 estabelece que família, sociedade e Estado devem assegurar, com absoluta prioridade, direitos como saúde, alimentação, educação, lazer, dignidade e convivência familiar e comunitária, além de proteger crianças e adolescentes da violência, da negligência e da exploração.
Em 1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente consolidou essa perspectiva. O ECA reconhece crianças e adolescentes como sujeitos de direitos e inclui expressamente a liberdade de brincar, praticar esportes e divertir-se. Assim, o lazer integra as condições necessárias para uma infância protegida.
Os desafios, porém, permanecem. Dados do IBGE referentes a 2024 apontam que 1,65 milhão de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos estavam em situação de trabalho infantil no Brasil. O indicador evidencia a distância entre os direitos previstos e a realidade de parte da população.
No calendário internacional, o Dia Mundial das Crianças é celebrado em 20 de novembro. A data também marca a aprovação da Declaração dos Direitos da Criança, em 1959, e da Convenção sobre os Direitos da Criança, em 1989, pela Assembleia Geral das Nações Unidas.
Para as comunidades do Vale do Rio Pardo, a comemoração oferece uma oportunidade de discutir o acesso a creches e escolas, a inclusão, os espaços seguros para brincar e a proteção contra a violência. São compromissos que acompanham a infância durante todo o ano.

