Dia Nacional da Agroecologia valoriza agricultura familiar e práticas sustentáveis

Nesta sexta-feira (3), o Brasil celebrou o Dia Nacional da Agroecologia, uma data que há mais de uma década convida a sociedade a refletir sobre práticas sustentáveis, preservação ambiental e o papel estratégico da agricultura familiar. No Rio Grande do Sul, a Emater/RS-Ascar se destaca pela promoção de ações voltadas à sustentabilidade social e ambiental […]

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Atualizado em 06/10/2025 às 10:22

Nesta sexta-feira (3), o Brasil celebrou o Dia Nacional da Agroecologia, uma data que há mais de uma década convida a sociedade a refletir sobre práticas sustentáveis, preservação ambiental e o papel estratégico da agricultura familiar. No Rio Grande do Sul, a Emater/RS-Ascar se destaca pela promoção de ações voltadas à sustentabilidade social e ambiental por meio da assistência técnica e extensão rural e social (Aters).

A instituição tem incentivado, historicamente, o controle biológico, a produção de alimentos saudáveis – tanto para o autoconsumo quanto para a comercialização – e a redução do uso de agrotóxicos. Além disso, orienta agricultores na adoção de práticas conservacionistas de manejo do solo e da água, como o sistema de plantio direto em grãos e hortaliças.

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Para o extensionista rural e social da Emater/RS-Ascar, Gervásio Paulus, a agroecologia possui um caráter sistêmico que abrange dimensões produtivas, sociais e ambientais. “A adoção de metodologias e diagnósticos participativos é inerente ao desenvolvimento rural, integrando o conhecimento técnico com a sabedoria popular dos agricultores”, destaca.

A Emater/RS-Ascar também atua em projetos de preservação da biodiversidade do bioma Pampa, restauração de áreas de preservação permanente e ações que respeitam os modos de vida de agricultores familiares, povos indígenas, comunidades tradicionais, quilombolas, pescadores artesanais e pecuaristas familiares. Esses grupos, além de produzir alimentos saudáveis, contribuem para a geração de renda, o fortalecimento das economias locais e a promoção da soberania alimentar.

Alimento saudável a preço justo

Entre os beneficiados pelo avanço da agroecologia está Shiva Braga, produtor orgânico e feirante em Porto Alegre. Ele participa de uma das principais feiras ecológicas do Estado, no bairro Menino Deus, e ressalta que a prática garante alimentos limpos, orgânicos e acessíveis. “O que eu colhi ontem já está na feira na manhã seguinte. Isso ajuda a manter um preço justo ao consumidor”, afirma.

Braga também desmistifica a ideia de que alimentos orgânicos são sempre mais caros. “São pequenas trocas que a gente faz na rotina e vê que o produto orgânico, muitas vezes, é até mais em conta que o convencional. Por isso é tão importante fortalecer a agricultura familiar de base ecológica”, completa.

Homenagem à precursora Ana Primavesi

A escolha da data de 3 de outubro remete ao nascimento da professora Ana Maria Primavesi, engenheira agrônoma e pesquisadora austríaca radicada no Brasil, que neste ano completaria 105 anos. Docente da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Primavesi é reconhecida como uma das precursoras da agroecologia no país e referência mundial na área, tendo publicado obras fundamentais sobre agricultura orgânica e manejo sustentável dos solos.

Mais do que um conjunto de técnicas agrícolas, a agroecologia se apresenta como um campo de conhecimento que fornece bases científicas para a construção de sistemas produtivos mais sustentáveis. Ela valoriza a diversificação da produção, o uso racional dos recursos naturais e a integração entre saberes tradicionais e conhecimento científico, promovendo resiliência dos agroecossistemas, autonomia dos agricultores e a saúde do solo, das plantas, dos animais e das comunidades.