As primeiras lavouras de mandioca da safra 2026/27 começam a brotar no Vale do Rio Pardo, onde os produtores intensificam o controle de plantas daninhas para reduzir a disputa por água, luz e nutrientes. Em Mato Leitão, a Emater/RS-Ascar registrou falhas na população de plantas e focos de bacteriose em pontos mais úmidos das lavouras. Os dados fazem parte do Informativo Conjuntural divulgado na quinta-feira, 5 de novembro.
No Rio Grande do Sul, o plantio segue em andamento e, de modo geral, a brotação é considerada adequada. A umidade do solo tem favorecido o estabelecimento da cultura, e a expectativa da Emater é de que a elevação das temperaturas acelere o crescimento das plantas. No Alto da Serra do Botucaraí, o plantio continua. Em São Sebastião do Caí, as lavouras acompanhadas pela entidade estão na fase de brotação.
Bacteriose aparece em pontos mais úmidos
Em Mato Leitão, a doença foi observada em reboleiras, como são chamadas as manchas de plantas afetadas em pontos da lavoura. Dados de 2024 compilados pela Embrapa a partir do IBGE indicam que o município colheu 2.550 toneladas de mandioca em 150 hectares, com rendimento médio de 17 toneladas por hectare.
Segundo a Embrapa, uma das principais formas de disseminação da bacteriose a longas distâncias é o plantio de manivas infectadas. As manivas são pedaços do caule usados para formar novas plantas. Entre as medidas preventivas estão o uso de material de plantio sadio e de origem conhecida e a inspeção das lavouras para identificar focos da doença. Já o controle de plantas daninhas ganha importância nos primeiros meses, quando a mandioca é mais sensível à competição.
Sol favorece hortaliças, mas umidade ainda preocupa
A maior disponibilidade de luz ajudou a retomar o crescimento das hortaliças após semanas de oscilação de temperatura e chuvas. Nas estufas, porém, a umidade ainda favorece doenças causadas por fungos e bactérias. O boletim destaca a importância de acompanhar a sanidade das plantas, ventilar as estruturas e manter a drenagem dos canteiros.
Na região de Erechim, a Emater registrou podridão em alfaces cultivadas em estufas e aumento da presença de mosca-branca no tomate. Na região de Santa Rosa, o tempo mais seco favoreceu os trabalhos de campo, com oferta satisfatória de folhosas, temperos e cenoura, além de abobrinha em plena colheita. Em Bom Princípio, a melhora na luminosidade e nas temperaturas favoreceu a floração e a formação de novos frutos de pimentão.
Na Serra, o plantio de batata foi concluído em São Francisco de Paula e municípios vizinhos. O boletim atribui os preços elevados à redução da oferta após o excesso de chuva em São Paulo. Já em São José do Norte, 90% das lavouras de cebola estão na fase de formação dos bulbos, com atraso em parte das áreas.
Soja chega a 23% da área prevista e arroz supera 75%
A semeadura da soja passou de 10% para 23% da área projetada no Estado, de cerca de 6,65 milhões de hectares. A sequência de dias com menos chuva permitiu a entrada de máquinas em áreas que estavam encharcadas. O milho para grão chegou a 82% dos 896,4 mil hectares previstos, e nove em cada dez lavouras implantadas ainda estão em desenvolvimento vegetativo. A semeadura do feijão de primeira safra atingiu metade da área estimada, de 24,6 mil hectares. Para o milho destinado à silagem, a Emater projeta 369,4 mil hectares, com plantio escalonado e parte da área reservada à safrinha.
No arroz irrigado, o levantamento do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), atualizado em 5 de novembro, apontou 75,70% da área prevista já semeada, ante os 70% informados no boletim da Emater. São 652,2 mil hectares plantados de um total projetado de 861,8 mil. O ritmo varia entre as regiões. Enquanto a Zona Sul chegou a 98,7%, a Região Central estava em 45,58%.

