Elisa Severo e Germano Seibert: memórias de trabalho, comunidade e participação política em Vale Verde
Da primeira representação feminina na Câmara à atuação nas entidades de Vila Mellos, as trajetórias integram o projeto “Heranças do Tempo — Memórias do Legislativo de Vale Verde”

O trabalho no comércio, a agricultura, as festas comunitárias e as conversas com os moradores fazem parte da história de quem ajudou a construir a vida pública de Vale Verde. Nas trajetórias de Elisa Weber Severo e Germano Seibert, essas experiências se encontram com a participação no Legislativo durante os primeiros anos do município.
Suas histórias integram o projeto “Heranças do Tempo — Memórias do Legislativo de Vale Verde”, desenvolvido pelo Jornal Gazeta Popular em parceria com a Câmara de Vereadores. A iniciativa reúne entrevistas, fotografias e documentos para preservar a memória dos representantes e sua relação com a comunidade.
Elisa Severo: do contato com os moradores à primeira Câmara
Nascida em 24 de julho de 1961, em Vila Mellos, Elisa Weber Severo cresceu na localidade quando o território ainda pertencia a General Câmara. Filha de Ercolino e Rainilda Weber, estudou na escola Curupaiti e começou a trabalhar na agricultura.
Mais tarde, atuou em serviços de limpeza e como caixa de mercado. O trabalho no comércio proporcionou uma convivência próxima com os moradores, que também contribuiu para sua entrada na política.
A candidatura surgiu em 1996, com o incentivo do marido, Jocelito Antônio Severo, de amigos e de lideranças como Carlos Toillier e Hugo Froemming. Elisa recorda a surpresa ao conquistar uma cadeira na primeira Câmara de Vale Verde.
Eleita pelo Partido Progressista Brasileiro, exerceu mandato entre 1997 e 2000. Ao lado de Jucimar Dutra, integrou a primeira representação feminina do Legislativo municipal.
Era um período de organização das instituições e dos serviços de um município que começava a exercer sua autonomia. Em seu depoimento, Elisa destaca o encaminhamento das reivindicações recebidas dos moradores e a boa convivência com os colegas vereadores.
Entre suas lembranças estão reuniões com o prefeito, a recepção ao então governador Antônio Britto e a participação na inauguração e instalação da Emater no município.
Ao avaliar sua passagem pela Câmara, valoriza a união e a disposição para trabalhar em conjunto. A maneira como deseja ser lembrada resume esse entendimento: “Como pessoa simples que lutou pela melhoria do município”.

Germano Seibert: raízes na agricultura e na vida comunitária
Germano Seibert nasceu em 28 de outubro de 1944, também em Vila Mellos. Filho de Arnaldo Roberto e Olidia Seibert, construiu sua trajetória ligada ao trabalho rural, à família e às atividades comunitárias.
A agricultura foi sua primeira ocupação. Ao longo da vida, também trabalhou com serraria e marcenaria e desenvolveu atividade na agroindústria de cachaça.
Antes da passagem pelo Legislativo, já participava da comunidade evangélica e do Esporte Clube Vila Mellos, entidades nas quais exerceu funções de liderança. Suas lembranças recuperam festas, bailes e torneios que reuniam moradores e visitantes.
No depoimento ao projeto, recorda especialmente as festas comunitárias de maio e os encontros promovidos pelo futebol. São registros que ajudam a conhecer os espaços de convivência de Vila Mellos e a importância das entidades na organização da comunidade.
Germano disputou uma cadeira na primeira eleição municipal, em 1996, ficando na suplência. Em 2000, foi eleito pelo PMDB e exerceu mandato entre 2001 e 2004.
Agricultura, saúde, educação e obras aparecem entre os assuntos que destaca de sua atuação. Segundo seu relato, as reivindicações chegavam diretamente à sua residência, levadas por moradores que buscavam encaminhamento para as necessidades do cotidiano.
Ao recordar a experiência parlamentar, também fala sobre divergências partidárias e decisões difíceis. Defende que o trabalho político deve considerar os interesses da população e aponta a honestidade como uma responsabilidade de quem administra recursos públicos.
Sua mensagem às novas gerações inclui ainda uma preocupação com o meio ambiente, especialmente com o lixo e o uso de produtos químicos.

Duas trajetórias que ampliam a memória do município
Elisa e Germano participaram de legislaturas diferentes, mas suas histórias têm um ponto de encontro: a proximidade com os moradores construída antes de assumirem uma cadeira na Câmara.
O comércio, a agricultura, as entidades religiosas e o esporte fazem parte desse caminho. Conhecer essas experiências permite compreender de onde vieram os representantes e como suas vivências se relacionaram com o exercício do mandato.
Ao reunir essas memórias, o projeto preserva também aspectos da vida comunitária que acompanharam a formação de Vale Verde. A conclusão do “Heranças do Tempo — Memórias do Legislativo de Vale Verde”, com a publicação do e-book, está prevista para novembro de 2026.
