A Mitra Diocesana de Santa Cruz do Sul emitiu nesta sexta-feira, 16 de outubro, um alerta sobre golpes envolvendo o uso indevido de dados e CNPJs de paróquias para realizar compras e gerar cobranças sem autorização. O comunicado é dirigido a párocos, secretarias paroquiais e conselhos de administração.
Segundo a nota, a Paróquia São João Batista, de Boqueirão do Leão, já registrou boletim de ocorrência. Em outra paróquia, cujo nome não foi divulgado, foi identificada uma cobrança de aproximadamente R$ 11 mil referente a uma compra que não havia sido realizada pela instituição.
A Mitra orienta que, antes de pagar qualquer boleto, os responsáveis confirmem a origem da cobrança e verifiquem se a compra foi efetivamente realizada e autorizada pela paróquia. A presença do nome e do CNPJ da instituição no documento, ressalta o comunicado, não garante sua legitimidade.
Falsos representantes procuram empresas
O caso de Boqueirão do Leão também foi noticiado pela imprensa regional. Conforme informações divulgadas pelo Jornal Força do Vale, atribuídas ao vigário paroquial, frei Franklin Freitas, pelo menos seis empresas haviam procurado a paróquia até a manhã desta sexta-feira após negociações feitas por pessoas que se apresentavam como representantes da instituição.
Os relatos envolvem estabelecimentos de Arvorezinha, São Leopoldo, Novo Hamburgo e Vacaria. Segundo a publicação, os contatos ocorrem principalmente pelo WhatsApp e incluem pedidos para entrega de mercadorias em endereço diferente do da paróquia.
Alerta semelhante já ocorreu no Estado
Em julho de 2025, a Diocese de Novo Hamburgo publicou um comunicado sobre pessoas que se passavam por representantes de paróquias para realizar compras em lojas pelo WhatsApp. Na ocasião, a orientação aos comerciantes foi confirmar os pedidos diretamente pelos canais oficiais das igrejas antes de concluir qualquer transação. Não há, nas informações consultadas, indicação de ligação entre aqueles episódios e os casos agora relatados em Santa Cruz do Sul.
Orientação é suspender pagamentos suspeitos
No alerta desta sexta-feira, a Mitra Diocesana de Santa Cruz do Sul recomenda suspender o pagamento diante de qualquer suspeita, preservar documentos e mensagens e comunicar o caso às autoridades policiais.
A conferência deve envolver tanto quem recebe a cobrança quanto o estabelecimento que recebe um pedido em nome de uma comunidade religiosa. Confirmar a negociação diretamente com a secretaria paroquial, por um contato oficial já conhecido, ajuda a verificar se houve autorização.
O comunicado da Diocese não informa o total de paróquias atingidas, eventuais valores pagos nem a identificação de suspeitos. A cobrança de aproximadamente R$ 11 mil mencionada na nota não é apresentada como prejuízo efetivamente consumado.


