Comércio regional deve recrutar trabalhadores temporárias até novembro

Sindilojas-VRP projeta reforço nas equipes para Black Friday e Natal, com possibilidade de efetivação de profissionais; mudanças na jornada de trabalho também entram no planejamento do varejo

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Comércio regional deve recrutar trabalhadores temporárias até novembro

Santa Cruz do Sul – A reta final de outubro e o mês de novembro devem abrir novas oportunidades de emprego no comércio do Vale do Rio Pardo. Com a aproximação da Black Friday e do Natal, o Sindicato do Comércio Varejista de Santa Cruz do Sul e Região (Sindilojas-VRP) projeta uma movimentação gradual nas contratações temporárias, especialmente nos segmentos de vendas, atendimento e apoio operacional. A expectativa acompanha a tendência apontada pela Pesquisa de Temporários 2026, da Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Estado do Rio Grande do Sul (Fecomércio-RS), segundo a qual 54,8% dos estabelecimentos consultados pretendem reforçar suas equipes para o fim do ano. No levantamento estadual, 84,3% da demanda prevista ainda não havia sido preenchida até setembro.

O presidente do Sindilojas-VRP, Mauro Spode, avalia que o cenário regional recomenda otimismo, embora as admissões devam ocorrer conforme a realidade e a capacidade financeira de cada empresa. A Black Friday, marcada para 27 de novembro, ganha importância nesse planejamento. Consolidada no comércio eletrônico, a campanha conquistou espaço nas lojas físicas e, em determinados segmentos, passou a funcionar como antecipação das compras natalinas. “O comércio vem incorporando a Black Friday ao seu calendário de vendas, inclusive com ações que começam antes da data oficial. Isso movimenta as lojas, amplia as oportunidades de negócios e pode justificar o reforço das equipes. Nossa expectativa é positiva, mas cada estabelecimento vai dimensionar suas necessidades conforme a demanda”, afirma.

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A pesquisa da Fecomércio-RS mostra que novembro concentra 36,4% das previsões de início dos contratos, seguido por outubro, com 27,3%. As funções de vendas e atendimento lideram as intenções de contratação, mencionadas por 75,1% das empresas, enquanto caixa e crediário aparecem em 31,9% e estoque ou depósito, em 19%. Para a entidade, além dos jovens em busca do primeiro emprego, o período representa uma oportunidade de recolocação para profissionais mais experientes. Entre eles, trabalhadores com mais de 50 anos, a chamada geração prateada, que gradualmente recupera espaço no varejo. “O comércio precisa de pessoas com disposição para aprender, capacidade de relacionamento e comprometimento. A experiência profissional e a maturidade também são diferenciais importantes, especialmente nas atividades que exigem atendimento próximo e confiança do consumidor”, observa Spode.

Outro fator que começa a integrar o planejamento das empresas é a implantação da escala 5×2, em substituição à 6×1, e a redução gradual da jornada semanal. Para o dirigente, a mudança exigirá reorganização de turnos e atenção especial à necessidade de manter os horários de funcionamento, sobretudo em estabelecimentos com equipes reduzidas. O presidente pondera que o processo poderá criar demanda adicional por profissionais, mas dependerá da capacidade de adaptação de cada negócio. “Precisamos conciliar a nova realidade das jornadas com a continuidade do atendimento e a sustentabilidade das empresas. O planejamento será fundamental, assim como o diálogo para encontrar soluções adequadas a cada atividade”, ressalta.

Oportunidade de emprego permanente

Mais do que atender ao movimento sazonal, as contratações de fim de ano podem abrir caminho para vínculos duradouros. A Pesquisa de Temporários 2026 aponta uma expectativa de efetivação de 54,8% dos profissionais contratados nessa modalidade no comércio gaúcho. Na região, o Sindilojas-VRP trabalha com uma referência próxima de 50% de possibilidade de permanência, considerando o desempenho individual, a demanda dos estabelecimentos e a disponibilidade de vagas após o período festivo e o histórico local.

Para o presidente do Sindilojas-VRP, a experiência temporária permite que empresas e trabalhadores avaliem, na prática, as possibilidades de continuidade. “É uma oportunidade para demonstrar capacidade, conhecer a rotina do comércio e construir uma relação profissional. Muitas empresas aproveitam esse período para identificar talentos que poderão permanecer em seus quadros. Não significa que todas as vagas serão efetivadas, mas existe uma perspectiva concreta para quem busca uma colocação mais duradoura”, explica Mauro Spode.

A transição para a jornada 5×2 acrescenta uma variável a essa avaliação. Com a necessidade de redistribuir horários e preservar o atendimento ao consumidor, parte dos estabelecimentos poderá encontrar na manutenção de profissionais temporários uma alternativa para reorganizar suas equipes. Spode destaca, entretanto, que o resultado dependerá do desempenho das vendas, dos custos operacionais e das condições de cada empresa. “O comércio precisa continuar competitivo e preparado para atender bem. Se conseguirmos transformar parte desse movimento de fim de ano em empregos permanentes, será um resultado positivo para os trabalhadores, para as empresas e para a economia regional”, complementa.

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