Durante a reunião, que ocorreu no Palacinho e durou mais de duas horas, Moraes relatou para a secretária Arita, o flagelo de quem precisa e não sabe mais a quem recorrer para conseguir realizar uma cirurgia. Como exemplo mencionou o caso de R.L.L., que entrou na fila do SUS em janeiro de 2022, ocupando o lugar de número 406. Com artrose severa, ele precisa ser submetido a uma artroplastia total primária de quadril, porém passados dois anos, seu lugar na fila agora é o de número 686. Com a piora do quadro, o paciente caminha com extrema dificuldade. “Isso é muito cruel, a saúde oferece pouco, tem muita gente nas filas e em alguns casos a média é de oito anos aguardando. Temos que tirar as pessoas desse sofrimento, achar uma saída”, disse o prefeito.
Um panorama da saúde no município, com números referentes a situação financeira dos hospitais e volume de recursos aportados por cada esfera de governo, foi apresentado pelo secretário da pasta, Rodrigo Rabuske. Ele ressaltou que 33 por cento do orçamento é aplicado em saúde pública, o que vai muito além da obrigação legal de 15 por cento. “É muito importante que a comunidade saiba que as filas são gerenciadas pelo Estado, então o município contribui com esse valor e muitas vezes o recurso é aplicado para o cidadão de forma regional. Já passou do momento de mostrarmos que não adianta Santa Cruz pagar a conta e não conseguir atender a comunidade santa-cruzense”, disse.
A regulação das cirurgias hoje é feita pelo governo do Estado, que organiza os atendimentos conforme urgência, demanda e estrutura. O que Santa Cruz do Sul busca é que o atendimento faça juz ao montante investido. “A porta de entrada do Hospital Santa Cruz, que é o nosso PA, recebe recursos federais, estaduais, mas recebe ainda mais recursos municipais e atendeu em 2024, 444 municípios do Estado do Rio Grande do Sul, o que demonstra que o município de Santa Cruz, apesar de atender toda a região contribui mais que o Estado para esta finalidade”.
Um grupo de trabalho com representantes do governo do Estado, prefeitura, MP, hospitais e vereadores foi criado para dimensionar o quantitativo de consultas e cirurgias em fila de espera, levantar os custos e a capacidade de atendimento dos prestadores para fazer frente às necessidades. Com base nesses relatórios será criado um plano para reduzir o tempo de espera por cirurgias. A reunião do grupo está agendada para a próxima quarta-feira, dia 22.
Segundo Rabuske, dentro da secretaria técnicos já estão incumbidos de avaliar todas as filas de espera por procedimentos de média e alta complexidade e fazer levantamento dos custos para uma possível ação de mutirão ou algo nesse sentido.
Para a secretária Arita Bergmann, prevaleceu o diálogo e a disposição de buscar alternativas em conjunto. “Encaminhamos atividades concretas para que o município de Santa Cruz e região, em conjunto com prestadores de serviços e a participação direta do governo do Estado, possa construir possibilidades de ampliar serviços naquelas áreas que serão elegíveis dentro da capacidade instalada local e regional para ofertar serviços e, com isso, diminuir tempo de espera do cidadão que aguarda uma consulta de especialidade ou que aguarda uma cirurgia”, disse.
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