São Nicolau é um dos santos mais populares da Igreja Católica e também reverenciado na tradição ortodoxa. Bispo de Mira, na atual Turquia, viveu no século IV e tornou-se símbolo de caridade, proteção às crianças e cuidado com os mais pobres. Sua memória deu origem a diversas tradições pelo mundo — inclusive à figura do Papai Noel.
Quem foi São Nicolau?
Nasceu por volta de 270 d.C. em Patara, na Lícia.
Tornou-se bispo jovem, conhecido por atos silenciosos de generosidade.
Muitas lendas relatam que deixava moedas e presentes anonimamente às famílias pobres — origem das tradições de deixar botas e meias para receber donativos.
Participou do Concílio de Niceia (325).
Faleceu em 6 de dezembro de 343, data que se tornou sua festa litúrgica.
A figura do Papai Noel nasceu da fusão de tradições europeias ligadas ao santo, especialmente em regiões como Holanda, Bélgica, Alemanha e Áustria, onde São Nicolau visita as crianças na noite de 5 para 6 de dezembro.
A história do Santuário São Nicolau de Rio Pardo
Segundo Marta, responsável pelo santuário, a origem da devoção na comunidade remonta às reduções jesuíticas instaladas na região:
“A história da nossa comunidade surgiu com a presença dos jesuítas nas missões. Eles vieram catequizar os povos indígenas, trazendo consigo imagens cristãs esculpidas em madeira. As esculturas de São Nicolau, Nosso Senhor dos Passos e o Cristo Crucificado foram confeccionadas por missionários, mas com traços indígenas, destinados à catequese.”
A capela original era pequena, com paredes de barro feitas por indígenas e cobertura de capim. Ao longo dos anos, foi reconstruída diversas vezes — inclusive após dois incêndios — e recebeu contribuições de diferentes etnias:
“Somos uma mistura de índios, negros e, mais tarde, alemães e italianos. A capela cresceu conforme a comunidade cresceu.”
Hoje, o santuário mantém parte de sua estrutura de barro original integrada a áreas modernizadas de tijolo e cimento, preservando a memória da formação multicultural do local.
Devoção antiga e transformações da festa
Nas primeiras décadas, a festa de São Nicolau movimentava romarias de todo o Rio Grande do Sul. A economia local, marcada pela rizicultura, também tinha forte presença:
“Quando eu era criança, São Nicolau era visto como protetor dos arrozeiros, dos bombeiros e de todos que trabalhavam com água. Os arrozeiros patrocinavam grande parte da festa”, lembra Marta.
As antigas barracas feitas pelas famílias — com taquaras, madeira e lona — eram parte marcante da tradição:
“As famílias montavam suas tendas para três ou quatro dias de festa. Tudo era produzido na hora: churrasco, lanches, comidas caseiras. Com o tempo, as pessoas envelheceram e a nova geração não manteve esse costume.”
Hoje, a festa conta com gazebos, artesanato, roupas, lanches e a presença de novos grupos que passaram a compor a comunidade. A Romaria, embora menor que há 40 ou 50 anos, segue viva:
“A pandemia diminuiu muito a participação. Muitas pessoas faleceram e outras não retomaram o hábito da Romaria. Mas seguimos firmes, preservando o que ainda temos.”
O significado de São Nicolau para a comunidade
Marta destaca que a figura do santo permanece atual e essencial:
“Para nós, São Nicolau é o primeiro Papai Noel da história. Ele protegia as crianças, ajudava os pobres e fazia presentes a quem nada tinha. Nas nossas pastorais, ensinamos que ele representa o cuidado com quem é menos afortunado.”
O trabalho com as crianças da comunidade também passa por esse resgate:
“Elas precisam conhecer a história. Fazemos retrospectivas, mostramos como era a festa antigamente e como evoluiu. Para cuidar da comunidade, é preciso reconhecer as tradições trazidas pelos ancestrais.”
Programação da Romaria e Festa de São Nicolau – 2025
05/12 – Sexta-feira
20h – Missa
21h – Carreteiro, bingo beneficente e DJ Max
06/12 – Sábado – Dia do Padroeiro
13h – Recepção dos grupos de convivência da região dos vales
13h30 – Baile com Banda Tropical
Lanches, bebidas e pinga fogo
20h – Missa
21h – Jantar-baile com Marcos e grupo
07/12 – Domingo
7h – Recepção aos romeiros, com café
8h – Batizados (encaminhados pelas paróquias)
Feira livre durante todo o dia
9h30 – Missa seguida de procissão
11h30 – Almoço
14h – Baile com Luciano Silva
Sorteio da rifa e divulgação da rainha e princesas da festa
16h – Banda Nova Geração
18h – Luciano Silva
A festa como identidade e resistência cultural
Para Marta, a celebração vai muito além da religiosidade:
“A festa ajuda a preservar nossa memória. Aqui convivem descendentes de indígenas, africanos e imigrantes europeus. Cada geração deixa sua marca. Celebrar São Nicolau é celebrar quem somos.”
Ela também reforça que a comunidade busca retomar o espírito das antigas romarias, acolhendo novos públicos e mantendo viva a devoção:
“Mesmo com tantas mudanças, seguimos cultivando essa tradição centenária. Isso emociona muito.”
Convite à comunidade
Marta deixa uma mensagem especial aos fiéis e visitantes:
“Queremos que as pessoas venham, celebrem e conheçam nossa história. São Nicolau nos ensina a cuidar uns dos outros, especialmente das crianças e de quem mais precisa. Que esse espírito esteja presente em todos que participarem da festa.”
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