Rio Pardo transforma-se, nesta sexta-feira, 14 de agosto, no centro do tradicionalismo gaúcho. O município recebe a 77ª Geração e Distribuição da Chama Crioula do Rio Grande do Sul, cerimônia que marca oficialmente o início dos Festejos Farroupilhas de 2026 e deverá reunir milhares de tradicionalistas, entre cavaleiros, dirigentes, artistas e representantes das 30 Regiões Tradicionalistas do Estado.
A geração do fogo simbólico ocorrerá no Parque de Exposições do Sindicato Rural de Rio Pardo. A concentração das delegações está prevista para as 18 horas. Às 18h15, começa o desfile de apresentação das Regiões Tradicionalistas, seguido da solenidade oficial, de uma encenação histórica e do momento de acendimento da Chama Crioula.
Como anfitriã do evento, a 5ª Região Tradicionalista terá a missão simbólica de acender a Chama da Tradição. A partir desse fogo principal serão retiradas, no sábado, as centelhas que seguirão com os cavaleiros para todos os recantos do Rio Grande do Sul.
A organização não divulgou previamente todos os detalhes técnicos do momento em que o primeiro fogo será produzido. O que está confirmado é que a geração da chama fará parte de uma cerimônia artística e histórica, representando a continuidade da memória, dos costumes e da identidade do povo gaúcho.
Espetáculo contará a formação histórica de Rio Pardo
Antes do acendimento, o público acompanhará o espetáculo “Rio Pardo: indígenas, portugueses, negros, imperiais e farrapos”. A apresentação reunirá aproximadamente 60 atores e dançarinos de Rio Pardo, Pantano Grande, Santa Cruz do Sul, Porto Alegre e de outros municípios.
A montagem percorrerá diferentes períodos da formação social e histórica do município, destacando a presença indígena, a colonização portuguesa, a contribuição da população negra e os acontecimentos relacionados ao período imperial e à Revolução Farroupilha.
A Banda Marcial Rio Pardo também participará da encenação. Depois da geração do fogo simbólico, será apresentada a música-tema “Rio Pardo acende a chama”, interpretada por Nilton Ferreira. A programação no Parque de Exposições terá ainda apresentações de André Teixeira, Ênio Medeiros e do grupo Bandoneon y Pajada.
Ao final das atividades desta sexta-feira, a Chama Crioula permanecerá acesa e sob a guarda dos tradicionalistas durante a noite.
Centelhas serão distribuídas no sábado
A segunda parte da cerimônia será realizada na manhã de sábado, 15 de agosto. As delegações voltarão a se concentrar às 8 horas no Parque de Exposições. A programação seguirá, a partir das 8h30, em frente à Igreja Matriz Nossa Senhora do Rosário, na área histórica de Rio Pardo.
No local será realizado o acendimento de um candeeiro com a Chama Crioula. Também haverá nova solenidade e a apresentação do espetáculo “Sons da Revolução: do campo de batalha ao Hino Rio-Grandense”.
A encenação recuperará a ligação de Rio Pardo com um dos principais símbolos oficiais do Estado. Foi depois da Batalha do Barro Vermelho, travada no município em 30 de abril de 1838, que o maestro Joaquim José de Mendanha, então integrante da banda do Exército Imperial, foi incumbido de compor a música que se tornaria o Hino Rio-Grandense.
O espetáculo será encerrado com a execução do hino pela Banda Marcial Fortaleza, acompanhada pelo público.
Na sequência ocorrerá a distribuição da Chama Crioula. Cada Região Tradicionalista receberá uma centelha retirada do fogo principal e a colocará em seu archote ou recipiente próprio para transporte. As comitivas iniciarão, então, as cavalgadas responsáveis por conduzir a chama aos diferentes pontos do Estado.
Fogo seguirá pelas estradas gaúchas
Após receberem as centelhas, os cavaleiros participarão de um desfile pela Rua Andrade Neves, seguindo em direção ao trevo de acesso à cidade. Depois, as delegações retornarão ao acampamento ou iniciarão os percursos programados por suas respectivas regiões.
Algumas comitivas enfrentarão centenas de quilômetros até chegar ao destino. Durante o trajeto, a chama permanecerá sob os cuidados dos cavaleiros e dos guardiões responsáveis por impedir que o fogo se apague.
Ao chegar às regiões, a centelha estadual será novamente repartida. Cada coordenadoria organizará a distribuição para os municípios de sua abrangência. Posteriormente, o fogo chegará aos CTGs, piquetes, grupos de cavalgadas, escolas e demais entidades participantes das comemorações do mês de setembro.
Desse modo, uma única chama, acesa no histórico solo de Rio Pardo, será multiplicada e levada a diferentes comunidades gaúchas.
Mais de 2 mil cavaleiros são esperados
A expectativa da organização é receber mais de 2 mil cavaleiros durante os dois dias de atividades. Além das 30 Regiões Tradicionalistas do Rio Grande do Sul, delegações de Santa Catarina confirmaram participação.
O Parque de Exposições do Sindicato Rural foi preparado para acolher os acampamentos, os animais e as estruturas das comitivas. A organização também instalou uma inspetoria veterinária para verificar a documentação sanitária e acompanhar as condições dos equinos.
Os participantes das cavalgadas receberam orientações relacionadas à condução da chama, à segurança durante os deslocamentos, à emissão da Guia de Trânsito Animal, aos exames sanitários e ao bem-estar dos cavalos.
Rio Pardo reforça sua ligação com a história gaúcha
A escolha de Rio Pardo para sediar a 77ª edição está relacionada à importância histórica do município na formação territorial, militar, política e cultural do Rio Grande do Sul.
Conhecida como Cidade Histórica e Guardiã do Rio Grande, Rio Pardo foi uma das primeiras povoações estabelecidas no território gaúcho. Durante séculos, ocupou posição estratégica na defesa das fronteiras e testemunhou episódios decisivos da história regional.
O município também foi cenário da Batalha do Barro Vermelho, considerada uma das principais vitórias das forças farroupilhas durante a Revolução Farroupilha. A ligação com a origem do Hino Rio-Grandense fortalece o simbolismo da cerimônia realizada neste ano.
A programação pretende unir esses diferentes elementos históricos à tradição das cavalgadas. Em Rio Pardo, o fogo será aceso como representação da memória gaúcha; depois, seguirá pelas estradas para alcançar comunidades de todas as regiões.
Tradição iniciada em 1947
A origem da Chama Crioula remonta a 1947, quando um grupo de jovens liderado por João Carlos Paixão Côrtes retirou uma centelha da Pira da Pátria, em Porto Alegre. O fogo foi levado a cavalo até o Colégio Júlio de Castilhos e permaneceu aceso durante a primeira Ronda Gaúcha.
A iniciativa contribuiu para a organização do movimento de preservação das tradições e para a criação das comemorações que mais tarde dariam origem à Semana Farroupilha.
Com o passar dos anos, a geração da Chama Crioula transformou-se em uma cerimônia estadual itinerante. A cada edição, uma Região Tradicionalista recebe o evento e fica responsável por gerar o fogo que posteriormente será compartilhado com todo o Estado.
Em 2026, caberá à 5ª Região Tradicionalista cumprir essa missão. No solo histórico de Rio Pardo, será acesa a Chama da Tradição. Dela sairão as centelhas que, conduzidas pelos cavaleiros, iluminarão todos os recantos deste rincão.
Programação principal
Sexta-feira, 14 de agosto — Parque de Exposições do Sindicato Rural
- 9 horas: reunião dos diretores regionais de Cavalgadas;
- 14 horas: seminário de turismo;
- 18 horas: concentração das delegações;
- 18h15: desfile de apresentação das Regiões Tradicionalistas;
- solenidade oficial de abertura;
- espetáculo “Rio Pardo: indígenas, portugueses, negros, imperiais e farrapos”;
- geração da Chama Crioula;
- apresentação da música-tema “Rio Pardo acende a chama”;
- apresentações culturais e musicais.
Sábado, 15 de agosto — Igreja Matriz Nossa Senhora do Rosário
- 8 horas: concentração das delegações no Parque de Exposições;
- 8h30: chegada da Chama Crioula à Igreja Matriz;
- acendimento do candeeiro e solenidade oficial;
- espetáculo “Sons da Revolução: do campo de batalha ao Hino Rio-Grandense”;
- distribuição das centelhas às Regiões Tradicionalistas;
- desfile dos cavaleiros pelas ruas de Rio Pardo.
A programação oficial foi divulgada pela Secretaria da Cultura do Rio Grande do Sul, pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho e pela organização municipal do evento.
Transparência editorial
Informações sobre a produção, autoria e atualização desta publicação.
- Autoria identificada
- Data de atualização visível
- Política editorial pública
- Canal de correção disponível
Entenda o caso
Transparência editorial
O Gazeta Popular mantém páginas públicas de referência editorial para facilitar a identificação da equipe, critérios de publicação e canais de contato.

