Elário cobra valorização dos fumicultores e melhorias nos acessos às propriedades
Vereador de Vale Verde relatou dificuldades na comercialização do tabaco e também alertou sobre o pagamento da contribuição ao Fundesa

O vereador Elário Rosa da Silva defendeu, na Câmara de Vereadores de Vale Verde, maior valorização dos produtores de tabaco e atenção da administração municipal aos acessos às propriedades rurais. Em manifestação alusiva ao Dia do Fumicultor, celebrado em 28 de outubro, destacou o esforço das famílias e criticou a remuneração recebida pela produção.
Filho de agricultor e fumicultor, Elário afirmou conhecer as dificuldades da atividade. Segundo ele, o trabalho pesado na lavoura, associado aos custos dos insumos, exige uma remuneração que reconheça o investimento e a dedicação dos produtores.
“Eu sei o que é ser plantador de fumo”, declarou, ao homenagear as famílias que trabalham na cultura.
Na avaliação do vereador, uma das formas de apoio do município é garantir condições adequadas de entrada e saída das propriedades. Elário pediu que máquinas e equipamentos municipais sejam utilizados para atender essas necessidades, facilitando o transporte da produção.
“Ele precisa uma entrada da sua casa digna, para escoar os seus produtos, é o mínimo”, afirmou.
O parlamentar também relatou experiências pessoais no acompanhamento da venda de tabaco às empresas. Conforme sua avaliação, os critérios de classificação aplicados na comercialização frequentemente frustram as expectativas dos agricultores e reduzem o valor recebido. Elário não mencionou empresas específicas durante o pronunciamento.
Queda no preço médio marcou a última safra
Os questionamentos do vereador ocorrem em um cenário de redução da receita da fumicultura. Segundo a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), o preço médio do tabaco no Sul do país passou de R$ 20,25 por quilo na safra 2024/2025 para R$ 18,07 na safra 2025/2026, queda de 10,8%. A receita bruta dos produtores recuou 11,9%, totalizando R$ 12,835 bilhões.
No balanço da entidade, também foram registrados relatos de insatisfação com os preços e com a classificação do produto, além de devoluções de cargas e retenção de tabaco nas propriedades à espera de melhores condições de venda. No Rio Grande do Sul, a atividade envolveu 67.815 famílias na safra 2025/2026.
Alerta sobre contribuição do rebanho
Durante a manifestação, Elário também chamou a atenção dos produtores que possuem bovinos para a emissão das guias da contribuição ao Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do Rio Grande do Sul (Fundesa-RS).
Segundo o vereador, as servidoras Eliane e Gabriela, da Secretaria Municipal da Agricultura, auxiliavam os agricultores na emissão dos documentos. Ele relatou baixa procura pelo serviço e informou que o atendimento local para essa finalidade se encerraria na quinta-feira, 29 de outubro, em razão de ponto facultativo na sexta-feira.
O vencimento estadual da contribuição, entretanto, é nesta sexta-feira, 30 de outubro. Conforme o Fundesa, o valor em 2026 é de R$ 1,33 por bovino ou bubalino, cobrado anualmente com base no saldo de animais existente ao término do prazo da Declaração Anual de Rebanho.
Embora tenha chamado a cobrança de “imposto do gado” em seu pronunciamento, o recolhimento corresponde à contribuição ao Fundesa-RS. O vereador criticou o custo e destacou que a obrigação também alcança agricultores que têm poucos animais e cuja principal atividade é a fumicultura.
A guia pode ser emitida pelo site do Fundesa, na opção destinada à contribuição de bovinos e búfalos, mediante informação de CPF ou CNPJ. Segundo a entidade, a mudança no modelo de arrecadação busca fortalecer a proteção sanitária do rebanho e a cobertura aos produtores em situações previstas pelo fundo.
