Entrevista com o comandante Rodrigo Bellegante
Balanço de 2025: desafios e conquistas
1. Comandante, 2025 foi um ano de eventos climáticos. Como a corporação se desdobrou para atender a essas demandas tão distintas?
Nossa filosofia também é a prevenção. Partindo desse pressuposto, entendemos que o bombeiro voluntário deve estar sempre preparado e qualificado para todo tipo de ocorrência. Esse preparo vem de anos de treinamento e da experiência prática, visto que os eventos climáticos, infelizmente, hoje são a regra, com maior ou menor intensidade, mas sempre ocorrendo. Quando falamos de clima, falamos de enchentes, secas, vendavais, granizo, entre outros. Já criamos métodos e parcerias com a Defesa Civil para o enfrentamento dessas adversidades.
2. Em julho de 2025, a corporação completou 18 anos e passou por uma renovação no comando. Como foi para o senhor assumir essa responsabilidade em um momento tão simbólico?
Essa renovação é sempre bem-vinda, pois ideias e práticas novas ajudam a elevar o moral dos bombeiros. Além disso, a renovação também é necessária, já que a carga de comandar, às vezes, pesa demais e precisamos da ajuda de outros colegas para a condução dos trabalhos. Quando o meu nome foi colocado à disposição, eu sabia da responsabilidade que estava assumindo.
3. Quais foram as ocorrências mais marcantes de 2025 em Passo do Sobrado e Vale Verde, e o que elas ensinaram à equipe técnica?
Todas as ocorrências são marcantes. Seja uma estufa de tabaco que foi totalmente queimada, onde o produtor teve um grande trabalho na lavoura, com dias e dias de sol, ou uma residência em que a família perdeu todos os seus bens, conquistados ao longo de uma vida. Cada ocorrência deixa um aprendizado para a equipe.
4. Recentemente, vimos o combate a incêndios em estufas de fumo, algo crítico para a economia local. Como está o tempo de resposta e a eficácia da equipe nessas situações específicas?
Temos nos esforçado para atender no menor tempo possível e, até hoje, nunca deixamos de atender uma ocorrência. Nos preocupamos em manter as viaturas e os equipamentos sempre em condições adequadas. Investimos, inclusive, na compra de um segundo caminhão, justamente para termos uma reserva para eventualidades.
A eficácia no combate aos incêndios depende muito da distância do sinistro e do estágio do fogo. Se for um princípio de incêndio, temos praticamente 100% de chance de combater com êxito. Se for um incêndio em estágio avançado, sempre conseguimos minimizar os prejuízos, evitando o alastramento. Acredito que estamos fazendo o melhor com os meios que temos à nossa disposição.
Estrutura e comunidade
5. O apoio da Prefeitura e da Câmara, como o repasse de recursos e a criação do “Dia Municipal do Bombeiro Voluntário”, fortaleceu a instituição? Como esses recursos foram aplicados em 2025?
O repasse de recursos, por meio dos convênios com as prefeituras de Passo do Sobrado e Vale Verde, é essencial. Temos mantido uma ótima relação com ambas, e o apoio e o reconhecimento por meio dessas parcerias fortalecem muito a corporação.
6. Como está hoje o quadro de voluntários? Existe uma renovação acontecendo ou a corporação ainda precisa de novos braços para o próximo ciclo?
Hoje, nosso quadro conta com 15 bombeiros voluntários. Estamos estudando uma forma de promover uma renovação e uma reciclagem nos cursos. Sim, a corporação precisa de novos braços para continuar andando e ajudando a comunidade.
7. O projeto dos Bombeiros Mirins continua sendo uma prioridade? Como tem sido a recepção das famílias?
Sim, com certeza. O projeto Bombeiros Mirins é uma prioridade. Hoje contamos com 14 bombeiros mirins inscritos, e as famílias sempre nos apoiam em tudo o que os instrutores Celso, Patrícia e Pedro necessitam. Muitos jovens que já passaram pelo projeto, com certeza, poderão futuramente integrar o grupo dos bombeiros adultos.
Projeções e metas para 2026
8. Com a chegada de 2026, quais são as principais metas em termos de equipamentos e viaturas? Existe algum item que ainda é prioridade na lista de aquisições?
Com a chegada de 2026, como comandante, eu gostaria muito de conseguir outro veículo, uma nova viatura, um caminhão de combate a incêndio. Nos próximos dias, quero marcar uma reunião com os nove vereadores para buscar algum recurso para isso. Também pretendemos adquirir equipamentos de proteção individual (EPIs) para todos os voluntários.
9. Quais são os principais riscos que o senhor mapeia para o município em 2026 e como a comunidade pode ajudar na prevenção?
Os principais riscos continuam sendo os incêndios em residências e em estufas de tabaco, onde muitas vezes se perde tudo ou quase tudo. A comunidade pode ajudar evitando queimadas para limpeza de lavouras e, assim que notar qualquer incêndio ou sinistro, comunicando imediatamente a corporação.
10. Como o senhor visualiza a corporação daqui a um ano? Qual legado pretende consolidar neste mandato à frente do comando?
Gostaria muito que, daqui a um ano, estivéssemos com a associação totalmente pronta, pois hoje ainda estamos em fase de construção. Também espero que tenhamos um número maior de voluntários, já que atualmente o trabalho está bastante puxado para atender todas as ocorrências.
Houve um grande aumento de chamados: em 2015, tivemos 11 ocorrências, e em 2025 chegamos a 253. Foram entregues mais de 520 mil litros de água e realizadas mais de 50 retiradas de fontes de perigo, como enxames de abelhas. Nosso objetivo é fortalecer a corporação para continuar atendendo essa demanda crescente da comunidade.
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