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Para não dizer que não falei de santidade

A santidade se revela no amor cotidiano, na firmeza da fé e na compaixão que rompe a indiferença

Por Dom Itacir Brassiani msf Bispo Diocesano de Santa Cruz do Sul • Publicado em 30/10/2026 às 09:50

Negar os interesses mesquinhos ou o Evangelho?

No próximo domingo, as comunidades católicas celebram a solenidade de Todos os Santos e Santas. As palavras “santo”, “santidade” e “beato” não gozam de muita simpatia hoje; cheiram a passado, a um tempo que não existe mais. São muito usadas expressões do tipo “diferenciado”, “especial”, “espetacular”, “animal”. Elas ecoam cheias de significado. Mas a realidade por trás destas palavras é praticamente a mesma: estilo de vida distinto; ascensão espetacular; vida cheia de sentido e vigor; realização plena e felicidade profunda; etc.

No belo hino do início da carta aos Efésios, o Apóstolo Paulo nos diz que, antes do início do mundo, nosso Deus e Pai “nos escolheu em Cristo para sermos santos e irrepreensíveis diante dele no amor” (Ef 1,4). E isso se baseia no fato de termos sido adotados por Ele como filhos e filhas. Todos os homens e mulheres são vocacionados à santidade, e a solenidade de Todos os Santos faz memória das pessoas nas quais essa vocação chegou à plenitude.

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O Papa Francisco nos convida a deslocar nosso  olhar dos grandes personagens da história à santidade das pessoas que vivem perto de nós e “são um reflexo da presença de Deus”, os “santos ao pé da porta”: pais que criam os seus filhos com tanto amor; homens e mulheres que trabalham a fim de trazer o pão para casa; doentes que não perdem a alegria; etc. A santidade está na constância de caminhar dia após dia, mesmo entre enormes dificuldades. 

Mas cada período da história pede à santidade características específicas. E, nos tempos atuais, uma destas características é a firmeza interior que brota da comunhão profunda com Deus e com a sua vontade. É daí que vem a força para suportar as contrariedades, as agressões dos outros e as próprios vulnerabilidades. É daí que brota a paz, a serenidade e a bondade que tanto apreciamos nos santos e santas, reconhecidos oficialmente ou não.

Outra característica de uma santidade para o nosso tempo é o impulso evangelizador e a lucidez profética que brotam da Compaixão e nos levam a romper os muros da indiferença e do comodismo. É a compaixão que impele Jesus e seus discípulos a saírem de si mesmos para anunciar o amor de Deus e a demonstrá-lo acolhendo, defendendo, curando, perdoando, emancipando. É um traço que brilha, por exemplo, em Dietrich Bonhoeffer e Oscar Romero.

“O santo não gasta as suas energias a lamentar-se dos erros alheios, é capaz de guardar silêncio sobre os defeitos dos seus irmãos e evita a violência verbal que destrói e maltrata, porque não se julga digno de ser duro com os outros, mas considera-os superiores a si mesmo. Não nos faz bem olhar com altivez, assumir o papel de juízes, considerar os outros como indignos e pretender dar lições sem parar”, diz o Papa Francisco.

Dom Itacir Brassiani msf 

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30/10/2026 | gazetapopular.com