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Não vote pela servidão voluntária!

Mensagem Semanal do Bispo Diocesano

Por Dom Itacir Brassiani msf Bispo Diocesano de Santa Cruz do Sul • Publicado em 16/10/2026 às 09:35

Negar os interesses mesquinhos ou o Evangelho?

No evangelho do próximo domingo temos mais uma cena da tensão entre Jesus e os fariseus, sacerdotes e demais autoridades do templo. Eles preparam uma armadilha a Jesus: “É lícito ou não pagar imposto a César?” (Mateus 22,15-22). O que eles não esperavam é que Jesus, respondendo de modo politicamente correto e cauteloso, acrescentasse Deus na história: “Devolvam a Deus o que é de Deus”. A vida e a liberdade do povo não pertencem a César!

Como defensora de uma ordem social injusta, a elite de Jerusalém estava interessada em manter os próprios privilégios, concedidos pelo poder invasor. Ela age em oposição a Jesus e aos seus, dissimulando seu caráter malicioso e violento. Cinicamente, usam moedas nas quais está escrito que o imperador romano é o filho ou escolhido de Deus. Na sua resposta, Jesus pede que não prestem lealdade incondicional aos impérios e a seus comandantes.

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Num contexto eleitoral marcado pela violência verbal e física, pela intolerância e pela mentira usadas sistematicamente, a prática do discernimento recomendado por Jesus é fundamental. Atenção com o uso político da religião e com o uso religioso da política! Atenção com a pressão dos chefes, patrões, comunicadores e líderes religiosos para cabrestear o seu voto! Atenção com a mentira interesseira de quem diz que “fé e política não se discutem”!

No segundo turno das eleições não vamos simplesmente escolher o candidato “da nossa preferência”, nem apenas optar entre “direita ou esquerda”. Vamos decidir o presente e o futuro da nossa nação: escolheremos um governo democrático ou um governo autoritário; aqueles que celebram a imposição de taxas e prometem entregar aos EUA as riquezas e a autonomia, conquistada em 1822 e defendida com enormes dificuldades, suor e sangue?

Mas o que está em jogo não é apenas a soberania política. Há também o risco de abrirmos as portas ao fascismo, que não vem de rosto descoberto, mas fantasiado de liberdade. Podemos tolerar que crianças celebrem uma vitória com uma arma (real ou falsa, pouco importa) na mão? Pode um fiel cristão esclarecido e um cidadão lúcido dar seu apoio a um candidato que mente sobre tudo, que homenageia torturadores, e que pretende limitar os direitos sociais, dar anistia aos golpistas legitimamente condenados e enrijecer a lei penal para adolescentes?

Não pretendo tolher a liberdade de ninguém, mas o ministério que exerço pede de mim um posicionamento lúcido e responsável em questões tão relevantes como estas. Você é quem decide o seu voto, mas, se você é cristão, precisa compreender o que está em jogo, considerar o bem dos mais vulneráveis e levar em conta o jeito de Jesus e seu Evangelho, sem se deixar levar pelo impulso ou pela simpatia. Não escolha servir e defender os próprios algozes!

Dom Itacir Brassiani msf

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16/10/2026 | gazetapopular.com