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Dia dos Professores – algumas observações…

Coluna Semanal de Breno Pires

Por Breno Pires • Publicado em 16/10/2026 às 09:49

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Dia dos Professores – algumas observações…

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* Um histórico

Se tem uma profissão que é subvalorizada é a de professor da educação básica, em especial, mas não só, os professores da escola pública.

Esse “fenômeno” ou processo de desvalorização não é recente. Ele se acentuou a partir do processo de universalização da educação lá no final dos anos sessenta, início dos setenta do século passado, quando a escola pública deixou de ser para os membros da elite e passou a atender à diversidade de público da sociedade brasileira. Aumentou a demanda escolar e com isso a necessidade de aumentar o quadro profissional/professoral. A consequência foi que com a universalização e esse grande aumento de demanda por instituições e profissionais, o oferecimento de uma educação de qualidade deixou de ser prioridade, passando a se tornar, para as mantenedoras públicas, uma obrigação e, infelizmente e quase ridículo, um fardo para muitas.

Então, a subvalorização é reflexo de um conjunto de fatores econômicos, estruturais e sociais.

* Alguns fatores dessa subvalorização

Dentre os muitos pontos desse fenômeno de desvalorização da profissão de professor encontra-se o óbvio: os vencimentos dos profissionais costumam ser inferiores aos de outros profissionais com o mesmo nível de formação, habilitação e qualificação, além de a perspectiva de seguir uma carreira com crescimento funcional ser praticamente “insignificante”. Mas não é só!

A sobrecarga e o acúmulo de funções, com jornadas profissionais duplas e triplas, excesso de burocracia com planilhas, relatórios, planejamentos, etc., e acúmulo de papeis que vão além do ensino, representam uma sobrecarga absurda de trabalho.

Junte-se a isso os sérios problemas estruturais das escolas, a gestão das instituições escolares exercidas por profissionais não habilitados ou qualificados e até incompetentes e/ou com pouco comprometimento com os trabalhadores da educação, mais o preconceito e o desprestígio social, e podemos entender por que os profissionais da educação estão entre os que mais sofrem com ansiedade, depressão e burnout, entre outras doenças (não sou eu que digo isso, mas as estatísticas, sempre elas).

* O desprestígio e a desvalorização na prática

Todos os elementos citados acima podem ser facilmente comprovados observando-se o desenvolvimento regular das atividades educacionais escolares cotidianas. Cito alguns exemplos.

É muito comum que as mantenedoras costumem olhar para os planos de carreira dos professores, conquistados a duras penas, e quererem economizar suprimindo ou reinterpretando direitos. Incompetentes para gerirem seus orçamentos acabam por querer “fazer caixa” tirando os direitos da mais importante categoria profissional que possuem. E o pior, subestimando a inteligência dos professores, justificam suas necessidades com critérios relativos, subjetivos e altamente questionáveis. A quem pensam que enganam? Além disso, não é raro o administrador público querer que os professores cumpram suas obrigações no sentido inversamente proporcional ao que exijam seus direitos…

Quando os gestores não estão identificados com os anseios funcionais e profissionais dos professores, expressões indecentes, vergonhosas e mesquinhas como “quem não estiver satisfeito que troque de emprego…”, ou “não estamos culpando os professores, mas a responsabilidade é deles”, ou também “o professor reclama, mas sabia que era assim”, ou ainda “professor, reclamar não adianta! …” e “o professor acha que só tem direitos…” fazem parte do cotidiano escolar… E pode piorar: tem chefia inclusive que se sente ofendida quando um professor adoece e se obriga a faltar, criando uma série de “senões” e apresentando uma quantidade de “observações” e “caras-e-bocas” ao profissional, mesmo ele tendo atestado médico para justificar sua ausência… E por aí vai… Ninguém adoece por que quer!

* Justas homenagens

Professor não quer ser homenageado com showzinhos, musiquinhas, dancinhas, chazinhos e festinhas, não que isso não seja importante. Mas Professor quer ser homenageado com reconhecimento profissional e respeito a seus direitos.

Então, é como eu sempre digo: as homenagens e os apupos aos professores são muito mais do que justos e merecidos, pois não é fácil continuar sendo um bom profissional apesar de tudo e de todos. Concorda comigo amigo leitor?

Parabéns colegas Professores por tua luta, dedicação e perseverança em um mundo onde a prioridade da educação está quase que exclusivamente em discursos e campanhas políticas. Força no músculo, que a pegada é forte!!!

 

Bom fim de semana e até à próxima, se Deus quiser.

PS: muitos políticos parabenizando os professores nas redes sociais…. Vamos ver como se posicionam nas votações de leis que suprimem os direitos funcionais destes…

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— Leia a matéria originalhttps://gazetapopular.com/opiniao/dia-dos-professores-algumas-observacoes/

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16/10/2026 | gazetapopular.com