Dia dos Professores – algumas observações…
Coluna Semanal de Breno Pires

Salve amigos leitores
Dia dos Professores – algumas observações…
* Um histórico
Se tem uma profissão que é subvalorizada é a de professor da educação básica, em especial, mas não só, os professores da escola pública.
Esse “fenômeno” ou processo de desvalorização não é recente. Ele se acentuou a partir do processo de universalização da educação lá no final dos anos sessenta, início dos setenta do século passado, quando a escola pública deixou de ser para os membros da elite e passou a atender à diversidade de público da sociedade brasileira. Aumentou a demanda escolar e com isso a necessidade de aumentar o quadro profissional/professoral. A consequência foi que com a universalização e esse grande aumento de demanda por instituições e profissionais, o oferecimento de uma educação de qualidade deixou de ser prioridade, passando a se tornar, para as mantenedoras públicas, uma obrigação e, infelizmente e quase ridículo, um fardo para muitas.
Então, a subvalorização é reflexo de um conjunto de fatores econômicos, estruturais e sociais.
* Alguns fatores dessa subvalorização
Dentre os muitos pontos desse fenômeno de desvalorização da profissão de professor encontra-se o óbvio: os vencimentos dos profissionais costumam ser inferiores aos de outros profissionais com o mesmo nível de formação, habilitação e qualificação, além de a perspectiva de seguir uma carreira com crescimento funcional ser praticamente “insignificante”. Mas não é só!
A sobrecarga e o acúmulo de funções, com jornadas profissionais duplas e triplas, excesso de burocracia com planilhas, relatórios, planejamentos, etc., e acúmulo de papeis que vão além do ensino, representam uma sobrecarga absurda de trabalho.
Junte-se a isso os sérios problemas estruturais das escolas, a gestão das instituições escolares exercidas por profissionais não habilitados ou qualificados e até incompetentes e/ou com pouco comprometimento com os trabalhadores da educação, mais o preconceito e o desprestígio social, e podemos entender por que os profissionais da educação estão entre os que mais sofrem com ansiedade, depressão e burnout, entre outras doenças (não sou eu que digo isso, mas as estatísticas, sempre elas).
* O desprestígio e a desvalorização na prática
Todos os elementos citados acima podem ser facilmente comprovados observando-se o desenvolvimento regular das atividades educacionais escolares cotidianas. Cito alguns exemplos.
É muito comum que as mantenedoras costumem olhar para os planos de carreira dos professores, conquistados a duras penas, e quererem economizar suprimindo ou reinterpretando direitos. Incompetentes para gerirem seus orçamentos acabam por querer “fazer caixa” tirando os direitos da mais importante categoria profissional que possuem. E o pior, subestimando a inteligência dos professores, justificam suas necessidades com critérios relativos, subjetivos e altamente questionáveis. A quem pensam que enganam? Além disso, não é raro o administrador público querer que os professores cumpram suas obrigações no sentido inversamente proporcional ao que exijam seus direitos…
Quando os gestores não estão identificados com os anseios funcionais e profissionais dos professores, expressões indecentes, vergonhosas e mesquinhas como “quem não estiver satisfeito que troque de emprego…”, ou “não estamos culpando os professores, mas a responsabilidade é deles”, ou também “o professor reclama, mas sabia que era assim”, ou ainda “professor, reclamar não adianta! …” e “o professor acha que só tem direitos…” fazem parte do cotidiano escolar… E pode piorar: tem chefia inclusive que se sente ofendida quando um professor adoece e se obriga a faltar, criando uma série de “senões” e apresentando uma quantidade de “observações” e “caras-e-bocas” ao profissional, mesmo ele tendo atestado médico para justificar sua ausência… E por aí vai… Ninguém adoece por que quer!
* Justas homenagens
Professor não quer ser homenageado com showzinhos, musiquinhas, dancinhas, chazinhos e festinhas, não que isso não seja importante. Mas Professor quer ser homenageado com reconhecimento profissional e respeito a seus direitos.
Então, é como eu sempre digo: as homenagens e os apupos aos professores são muito mais do que justos e merecidos, pois não é fácil continuar sendo um bom profissional apesar de tudo e de todos. Concorda comigo amigo leitor?
Parabéns colegas Professores por tua luta, dedicação e perseverança em um mundo onde a prioridade da educação está quase que exclusivamente em discursos e campanhas políticas. Força no músculo, que a pegada é forte!!!
Bom fim de semana e até à próxima, se Deus quiser.
PS: muitos políticos parabenizando os professores nas redes sociais…. Vamos ver como se posicionam nas votações de leis que suprimem os direitos funcionais destes…
