Falando por experiência própria – Parte IV
Equilibrando, aprendendo, agindo, preparando, amadurecendo…
Boa tarde amigos leitores.
* Equilibrando
Se o amigo leitor tem me acompanhado nas últimas colunas, deve ter notado que a palavra mais frequente que citei foi equilíbrio.
Pois é, se tem uma condição que estabeleci como meta para o início desse meu processo de envelhecimento foi equilíbrio, isso em todos os setores de minha vida: equilíbrio na alimentação, na prática de atividades físicas, no convívio social, nos riscos do cotidiano, no desempenho das atividades profissionais e muito mais… Até nos meus pensamentos, nas ações cotidianas e, muito importante, nas reações ao que as pessoas fazem ou dizem eu tenho procurado desenvolver um certo equilíbrio. E vou dizer amigo leitor: até agora, entre sucessos e percalços, o saldo tem sido relativamente positivo. E isso é bom, pois se sabe que hábitos saudáveis não se desenvolvem e se fixam de um dia para o outro; é preciso um lento processo.
Toda caminhada, por mais longa que seja, começa por um primeiro passo.
* Aprendendo!
O exercício regular do equilíbrio leva à aprendizagem.
A cada dia tenho a impressão que o tempo passa mais rápido… Hoje é sexta-feira, o fim de semana passa rápido, logo é segunda, a semana se inicia, trabalho, o quotidiano, e mais rapidamente já é sexta de novo. E essa é uma das grandes mudanças que noto na minha rotina: até pouco tempo atrás se vivia em torno da segunda-feira, em como ela chegava rápido; agora, parece que é a sexta-feira, sempre a próxima sexta-feira, que está chegando cada vez mais rápido. Obviamente que tudo relativo, mas nem por isso deixa de ser interessante…
Nessa passagem rápida do calendário vamos aprendendo a viver os novos tempos, pois que cada dia nos traz oportunidades de aprendizagem, autoconhecimento e tantas lições que num futuro não muito distante nos serão importantes. É por esse motivo que não podemos desperdiçá-las. Já diz o ditado que o hábito faz o monge.
* Agindo – ou na prática, como é essa “aprendizagem”?
Muito simples, pois que ocorre das pequenas à grandes coisas, e como sei o que é certo, ao menos penso que sei, kkk, o hábito é transformar esse conhecimento em ação. E aí volto a dizer: é processo ou uma longa caminhada…
No dia-a-dia pessoal, aprendo, por exemplo, que preciso ter mais cuidado ao segurar coisas, que preciso caminhar com passadas mais altas, que devo ser mais cuidadoso ao me movimentar em lugares estreitos ou apertados, que tenho que ter mais atenção às coisas que faço, por mais simples que sejam, para não ficar com a angustiante dúvida se as fiz ou não… Aprendo que os lapsos de memória estão se tornando mais frequentes e maiores, mostrando que preciso treinar mais meu foco e atenção, e manter meu cérebro em constante atividade; aprendo que não devo (apesar de ainda poder) me submeter a riscos do cotidiano como subir em telhados ou caixas d’água, que não devo fazer força excessiva, que não devo comer como um glutão ou beber como um adorador de Baco (essa foi boa, kkk). Aprendo que pouca atividade física é melhor que nenhuma…
Nas relações sociais, aprendo que as palavras têm muita força, mas que os pensamentos têm mais força ainda; aprendo que o silêncio às vezes é a melhor resposta para certas situações e tem mais poder que as palavras; aprendo que às vezes engolir sapos é melhor do que semear em terras áridas. Estou aprendendo a não discutir assuntos polêmicos ou delicados, como política, preconceitos, fundamentos filosóficos e sociológicos, com pessoas não-iniciadas, pois isso é perda de tempo e desgastante: quando as ouço, com seus argumentos baseados no senso comum, apenas as ouço ou, no máximo sorrio… O nome disso é respeito!
Nas relações familiares aprendi a pensar na seguinte questão: eu quero ser feliz ou eu quero ter razão? Sim, por que notei que, em se tratando de família, é praticamente impossível ter os dois resultados sem um enorme conflito. Ah, e como eu disse acima, aprendi a ser comedido nas minhas reações: tento ao máximo evitar de ter que dizer “eu avisei”, ou “eu sabia que isso ia acontecer”, ou “agora aguenta…”. Faço a minha parte: aponto a direção ou mostro pensar ou agir diferente e pronto, está tudo bem, sem discussões infindáveis ou desnecessárias… Bora economizar energia afetiva.
Olhando para o lado, e às vezes para trás, aprendi que as consultas periódicas aos médicos especialistas, com seus exames periódicos que nem sempre são os mais confortáveis (e isso é assunto para outro momento), não só são necessárias como tranquilizantes (ou não?), para evitar que certas surpresas futuras desagradáveis virem rotina ao invés de exceções…
Mas tem muito mais, porém é como diz o cozinheiro aquele: voltaremos!
Ah, e não pense amigo leitor que estou fazendo tudo isso de forma perfeitamente satisfatória, pelo contrário, tudo muito difícil; mas estou aprendendo, inclusive a agir…
* Preparando
Daí o amigo leitor me pergunta: mas Breno, tu só tem sessenta e dois anos e está preocupado com isso? Também já me fiz várias vezes essa pergunta e SIM!, estou preocupado.
Venho de uma família longeva e nos últimos tempos acompanhei muito de perto os envelhecimentos de meus entes queridos. É natural e é o que ocorre com quem não morre antes…
Ao desenvolver minhas preocupações e começar a agir a partir delas, estou dando início ao meu processo de envelhecimento que, se tudo ocorrer conforme a natureza ou as expectativas, me levará para os oitenta e noventa também, quando sei que tudo ficará muito, mas muito mais diferente (para não dizer difícil). Então eu penso que é agora que eu tenho que começar a me preparar: são pequenas mudanças cotidianas que poderão (ou não?) fazer muita diferença em breve, pois entendo que tudo o que eu faça agora estará na base da resignação e da resiliência de todo aquele que chegará a uma idade avançada. Certo? Ou não?
* Amadurecimento
É isso amigo leitor. Se eu estou certo acerca de tudo que escrevi na coluna de hoje ou nas anteriores, eu não sei.
Tudo que eu escrevi foi a partir de minhas experiências pessoais, tanto do que estou vivendo quanto do que tenho observado.
Sei que não existe receita pronta e que o hábito é processo.
O futuro às vezes me assusta, e o mínimo (ou seria o máximo?) que eu posso fazer é tentar estar preparado para ele. Se vai dar certo eu não sei, porém eu jamais poderei dizer que “eu não sabia que isso ou aquilo ia acontecer”, concorda comigo amigo leitor?
O caminhar se faz caminhando. E não corremos sem ver do que!
Bom fim de semana e até à próxima, se Deus quiser.
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