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quarta-feira, 03 de junho de 2026   Vale do Rio Pardo Indicadores atualizados Edição Digital
Breno Pires

Ainda e sempre sobre Educação

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Esta semana foi destaque nos meios do comunicação gaúchos o bom desempenho das escolas estaduais rio-grandenses no ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio, ano base 2024.

Segundo matéria veiculada nos noticiários, e também citada no site do governo do estado, o Rio Grande do Sul ficou em segundo lugar no ranking das melhores escolas públicas do país.

Dentre as escolas que contribuíram para esse bom desempenho estão, nos cinco primeiros lugares, as escolas Tiradentes do estado, aquelas que são administradas pela Brigada Militar e sobre as quais já escrevi em diversas oportunidades, visto que antes de vir para o Vale eu lecionava em uma. Dessas, a mais bem colocada foi o Colégio Tiradentes de Ijuí, que ficou também com a maior média de avaliação do Brasil. É pouca coisa não.

Em sexto lugar aparece a primeira escola estadual de aceso universal, ou seja, aquela que não têm prova de seleção de alunos, a escola Estadual Guilherme Exner, da cidade de Presidente Lucena.

* Tem mais

O Rio Grande do Sul também é o Estado com o maior número de escolas públicas entre as 50 com maiores pontuações do Enem 2024 e que dispensam a seleção de estudantes. São 12 escolas gaúchas, contra oito de São Paulo e sete do Paraná (os três melhores Estados).

Além disso, considerando todas as redes de ensino, públicas e privadas, o Rio Grande do Sul obteve a quinta maior média do país, posicionando o Estado em um lugar de destaque na educação nacional.

Sabe-se que o ENEM é, para muitos estudantes, um importante instrumento de acesso ao ensino universitário, daí o real significado desses dados, pois mostra, de uma forma geral, que está aumentando a qualidade do ensino nas escolas estaduais gaúchas.

Aqui mesmo no Vale Verde e em Passo do Sobrado sabemos de estudantes que estão buscando sua formação universitária e profissional a partir do seu sucesso nas provas do ENEM.

* Das escolas com prova de seleção

Essas escolas que tem provas ou exames de seleção para que os alunos possam estudar mostram seu diferencial na realização dessas avaliações de desempenho, e um dos fatores para isso, mas não o único, é justamente isso, a seleção, pois que nela estudarão aqueles que são os mais preparados, os que já trazem uma série de requisitos, habilidades, competências, informações e conhecimentos que foram os responsáveis por sua aprovação na seleção. Daí com esse material humano já previamente qualificado, o processo ensino-aprendizagem tente a se ampliar e desenvolver sobremaneira com o trabalho dos professores que os têm à disposição.

* Outro tipo de seleção

No entanto, existe outro tipo de seleção que não apenas provas ou exames de acesso: é a seleção financeira.

Por essa seleção, os pais procuram matricular seus filhos nas escolas particulares, consideradas muitas vezes as melhores escolas. Vale uma ressalva: não é por que uma escola é particular que ela será uma boa escola ou será melhor do que as outras; é uma regra que tem exceções também.

Da mesma forma, não é por que frequenta uma escola particular que um estudante se tornará “bom aluno”, ou aluno competitivo em avaliações externas ou institucionais. É preciso que esse aluno se dedique aos estudos também para tal, como se dedicaram aqueles que passaram por provas ou exames de seleção.

* Escolas de acesso universal

Considerando que através da seleção financeira só frequentarão uma determinada escola quem pode ou se dispõe a pagar por ela, e somando-se a essa seleção a outra, feita através de provas e exames que serão frequentadas por um número limitado de alunos, aqueles que forem aprovados (na seleção), resta à grande maioria dos estudantes frequentar as escolas de acesso universal, ou seja, aquelas que não têm nenhuma forma de selecionar os alunos a não ser a localização geográfica de suas residências (quando o mapeamento escolar funciona, claro). São então as chamadas “escolas comuns”.

Na minha humilde leitura dos fatos, são justamente esses alunos da “escola comum” os que mais precisam do aprimoramento do processo ensino-aprendizagem, pois eles não passaram por uma prova de seleção de conhecimento (e às vezes aptidão física) que os mostrem como estudantes qualificados (mesmo que parcialmente), nem tão pouco por uma seleção econômica que lhes permita frequentar escolas de educação mais aprimorada.

Eles, os alunos que não passaram por nenhum tipos de seleção, deveriam olhar para as suas (e ditas) “escolas comuns” e verem nelas o instrumento que lhes apresentará possibilidades futuras de estudo, aprendizagem ou aperfeiçoamento profissional, entre tantas alternativas que a escola pode representar.

 

* Questão pertinente

O aluno selecionado para uma escola através de uma prova aproveita a escola para ampliar e completar seus estudos, pois que já tem requisitos básicos de formação; o aluno selecionado economicamente para uma escola particular de boa qualidade aproveita todas as possibilidades e facilidades que essa escola apresenta, e pelas quais está pagando, também para melhorar sua formação a preparação para o futuro pós-escolar; e o aluno da “escola comum” aproveita-a para que?

Essa pergunta é pertinente, pois sei que a “escola comum” como qualquer outra escola, mesmo as de seleção por provas ou seleção financeira, tem muuuuito a oferecer aos estudantes, muito mesmo.

Por experiência eu digo: infelizmente a impressão que se tem é que boa parte dos alunos da “escola comum”, se não a maioria, não sabe por que vai para a escola; outro tanto não gostaria de estar lá, indo por obrigação; restam uns poucos que têm claro o porquê de estarem na escola, vendo-a não só como importante, mas como necessária e até fundamental. O pior é que esses acabam sendo muito prejudicados por aqueles, certo amigo leitor?

Anote ai amigo leitor o que eu vou dizer: se a escola que faz provas de seleção para alunos pode, a “escola comum” também pode! Se a escola dos riquinhos (assim, entre aspas) pode, a “escola comum” também pode! Então por que não fazem? Estão fazendo, muito vagarosamente (ou nem tanto), mas estão fazendo. E as notícias como a que tratei hoje são boas nesse sentido.

Outra questão: e qual o papel dos pais nesse processo todo? Bah, isso é assunto para uma coluna inteira…

É assunto que não se esgota. Voltaremos!

Bom fim de semana e até à próxima, se Deus quiser.

PS: saem os cachorros-loucos e entram os patriotas (é até perigoso e ofensivo dizer isso hoje em dia, kkk) e farroupilhas.

Entenda o caso

O que aconteceu?Ainda e sempre sobre Educação
Onde?Passo do Sobrado
Fonte da informaçãoRedação Gazeta Popular

Transparência editorial

Tipo de conteúdoNotícia
Fonte/OrigemApuração/Redação
Última atualização01/09/2025 às 09:28

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