De acordo com Machado, os acumulados de chuva variaram entre 400 e 500 milímetros na região metropolitana, Grande Porto Alegre; entre 400 e 600 milímetros nos vales; entre 500 e 700 milímetros na serra, com algumas estações registrando até mesmo acima de 700 milímetros. Na região central, os acumulados giraram entre 500 e 700 milímetros, o que representa 2 vezes a mais que a média para o mês todo.
O meteorologista explica que um bloqueio atmosférico no Brasil Central impediu o avanço das frentes frias em direção ao Sul do Brasil. Isso fez com que as frentes frias ficassem estacionadas sobre a região sul, favorecendo a formação e manutenção de tempestades com a contribuição do transporte de umidade e ar quente vindo da Amazônia.
“Esse bloqueio atmosférico é o responsável por fazer com que as temperaturas estejam tão altas no Brasil Central, no Sudeste, Centro-Oeste e até mesmo parte do Sul, e impede que as frentes frias avancem. Então, o que a gente teve nos últimos dias foi frentes frias que avançavam, alcançavam a altura do Rio Grande do Sul, não conseguiam avançar para o restante do Sul e Brasil e ficavam estacionadas aqui na nossa região”, explica Machado.
Além disso, as temperaturas acima do normal no Oceano Atlântico Sul também contribuíram para intensificar as tempestades. “Essa combinação de fatores favoreceu a ocorrência de chuvas intensas e acumuladas, deixando o tempo fechado com chuva em parte do Rio Grande do Sul”, afirma o meteorologista.
Machado ressalta que eventos climáticos extremos como esse devem se tornar mais frequentes e intensos nas próximas décadas, devido ao aquecimento global, favorecendo com que os modos de variabilidade climática sejam mais acentuados. “Infelizmente, provavelmente esse seja um novo normal e os poderes públicos, as iniciativas, as forças precisam estar mais preparadas para enfrentar essas variabilidades, esses extremos climáticos que têm se tornado mais frequentes e fortes, inclusive nas estruturas e localização das nossas cidades, que algumas infelizmente estão em áreas de extremo risco, como a gente observou nesses últimos eventos”, alerta o meteorologista.
Diante desse cenário, é fundamental que a sociedade esteja preparada para lidar com eventos climáticos extremos e que medidas de adaptação e mitigação sejam implementadas para reduzir os impactos desses fenômenos.
“Ainda é preciso investir muito em ferramentas de monitoramento e serviço meteorológico, a fim de mapear áreas de risco e conseguir agir com antecedência em ações de prevenção de perdas de vidas em eventos futuros, tendo em vista que infelizmente, ainda se tem um serviço meteorológico básico e uma população em que não é informada com antecedência na maioria das regiões, onde nem planos de evacuação se tem”.
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